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Um poema de Armando Silva Carvalho

 

POEMA QUE FOI CURTO

Num poema curto a corrente do sangue corria

como um planeta levando no dorsal

a filosofia pública da hora,

e a luz nua e directa incidia sobre o corpo,

real, absoluta.

 

Hoje o poema teima sempre em ser maior,

e a história, o tempo, a memória e o verso porque é velho,

ocultam-lhe a idade nas curvas irreconhecíveis

dum vulto.

É sempre cada vez mais longa a maratona,

e as insistentes palavras

parecem desistir enquanto avançam.

 

De A Sombra do Mar, a publicar na próxima sexta-feira (Assírio & Alvim).