«Lobo Antunes devia ter ganho o Nobel com Saramago»
Revelações exclusivas de George Steiner
«José Saramago não é o maior escritor português da actualidade. Para mim, esse é, de longe, António Lobo Antunes. É um gigante. Teria algum pudor em me encontrar com ele para o conhecer, e, contudo, adoraria conhecê-lo. Ele é um grande e Portugal não lhe deu ainda o devido reconhecimento. Devia ter ganho o Nobel há já algum tempo. Mas não aconteceu. Por causa de Saramago. Deviam ter ganho ambos, em partilha. Mas não está completamente arredado dessa atribuição.» Uma das revelações de George Steiner que a LER publica, em exclusivo, na edição especial nº 100, que chega amanhã às bancas de todo o país.
Ensaísta, crítico e académico – autor de Gramáticas da Criação, A Ideia de Europa, O Silêncio dos Livros ou As Lições dos Mestres, entre outros livros –, um dos mestres do nosso tempo, George Steiner atravessa nesta entrevista, conduzida por José Eduardo Franco e Beata Cieszynska, os grandes temas da actualidade, como a encruzilhada da Europa, as novas potências, o Islão, o choque de civilizações, o ensino no século XX, a crise económica, a literatura portuguesa e a revolução das redes sociais. «Onde existir um iPad, a internet e as redes sociais não é possível o isolamento. As coisas estão a mudar rapidamente. A revolução da informação é também uma revolução política e ideológica. Já não é possível aniquilar grupos de homens, construir muros, barreiras de separação que funcionem realmente.»
A entrevista de George Steiner é um dos destaques de um número especial, comemorativo das 100 edições da LER. Por isso, escolhemos 100 imagens, 100 livros e 100 nomes que cruzaram a história da LER desde 1987; publicamos 100 ideias para o futuro assinadas por 100 personalidades da sociedade portuguesa (João Lobo Antunes, Gonçalo M. Tavares, Pedro Adão e Silva, João Pereira Coutinho, Francisco Seixas da Costa, Manuel Graça Dias, Nuno Artur Silva, Irene Flunser Pimentel, Lídia Jorge, Nuno Crato, etc.), um grande quiz que dá direito a prémio especial e um ensaio de Harold Bloom (outro exclusivo) sobre os génios criativos da História da Literatura.
«Saramago não é o maior escritor português da actualidade. Para mim, esse é, de longe, António Lobo Antunes. É um gigante. Teria algum pudor em me encontrar com ele para o conhecer, e, contudo, adoraria conhecê-lo. Ele é um grande e Portugal não lhe deu ainda o devido reconhecimento. Devia ter ganho o Nobel há já algum tempo. Mas não aconteceu. Por causa de Saramago. Deviam ter ganho ambos.»
«O problema do colapso económico pode ter consequências muito boas. Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor, e os jovens a ter fome de algo mais substancial do que a pastilha elástica momentânea da pop. Já foi assim.»
«Precisamos terrivelmente de quem traduza Camões. Falta à nossa cultura europeia o conhecimento do génio de Camões.»
Excertos de uma grande entrevista com um dos mestres do nosso mundo, do nosso tempo, em exclusivo no nº 100 da LER, nas bancas quinta-feira. Imperdível.
A fotografia da autoria de Rui Mateus (Palácio dos Doges, Veneza, 1987) é uma das finalistas do concurso que lançámos aqui há um mês, exactamente. Está tudo na LER nº 100. Quinta-feira nas bancas.
«O conto Estrada 43 [de José Cardoso Pires], por exemplo, dava um filme do caraças. É a história de uns tipos que estão a alcatroar uma estrada no Alentejo. É muito americano, aquilo podia passar-se no Sul dos Estados Unidos, podia ser feita pelo John Ford que fez As Vinhas da Ira, de John Steinbeck.»
«Tive o privilégio de conhecer Saramago, cruzei-me com ele inúmeras vezes, mas não é o maior escritor português da actualidade. Para mim, esse é, de longe, António Lobo Antunes. É um gigante. Teria algum pudor em me encontrar com ele para o conhecer, e, contudo, adoraria conhecê-lo. Ele é um grande e Portugal não lhe deu ainda o devido reconhecimento. Devia ter ganho o Nobel há já algum tempo. Mas não aconteceu. Por causa de Saramago. Deviam ter ganho ambos.»
Revelação de uma grande entrevista com um dos mestres do nosso mundo, do nosso tempo, em exclusivo no nº 100 da LER, nas bancas durante a próxima semana. Imperdível.
«Eu não gosto nada do Fernando Pessoa, acho-o um chato. Aliás, o Fernando Pessoa é um heterónimo de João Gaspar Simões, na minha opinião.» António Lobo Antunes [LER nº2, Primavera de 1988]