Leitura de excertos da obra de Agustina Bessa-Luís por Pedro Mexia, Maria João Seixas, Leonor Silveira e António Mega Ferreira e aexposição biográfica produzida pelo Instituto Camões, com guião de Inês Pedrosa e realização gráfica de João Botelho, fazem parte do programa criado pelo Centro Cultural de Belém para comemorar os 87 anos da escritora que recebeu o Prémio Camões em 2004.
De 31 de Maio a 2 de Junho, para apresentar Elegia Para Um Americano, lançado agora pela ASA, editora que conta ainda no seu catálogo com mais três romances desta autora norte-americana, casada desde o início da década de 80 com o escritor Paul Auster.
Altino Tojal, Casimiro de Brito, Luísa Ducla Soares, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Mário Cláudio e Vasco Graça Moura estão entre as 28 figuras que serão distinguidas com uma medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores. A 21 de Maio, Dia do Autor Português.
«Para mim, o blogue é antes um caderno de notas, um arquivo inútil. Nada disso do “diário público do escritor”. É ainda um espaço de escrita em cima do tempo – nesta época portuguesa em que os jornais parecem jogar todos à defesa, cheios de medo do próprio tempo. Um lugar pronto-a-fazer, de uma estranha proximidade impessoal, qualquer coisa entre a tertúlia do passado e a prosa do futuro.» Jacinto Lucas Pires, aqui.
«Os textos reunidos neste volume, escritos entre os anos 60 e 80, constituem um acervo documental sobre a minha actividade de divulgação de alguns aspectos do pensamento e da arte de vanguarda do século XX, através da televisão, da rádio e da imprensa cultural dessa época, trabalho que geralmente não é referido no contexto da minha obra publicada, literária ou artística. Em virtude da dimensão prospectiva que esse acervo acabou por adquirir, o presente volume tem por objectivo disponibilizar alguns dos textos que o compõem, actualmente de difícil acesso, como por exemplo os guiões do programa Obrigatório não Ver, transmitido pela RTP; os das palestras na RDP 2 sobre as relações entre a literatura do século XX e a cibernética; a série de artigos de crítica musical publicados no Diário Popular entre 1963 e 1965, que cobrem importantes acontecimentos de vanguarda da época — como os concertos de John Cage, os espectáculos de dança de Merce Cunningham na sua ligação com Rauschenberg; e ainda algumas reflexões sobre a própria natureza da escrita para a comunicação social. [...] O aspecto lacunar de alguns dos guiões dos programas transmitidos pela RTP e pela RDP resulta da impossibilidade de se obter nos arquivos dessas emissoras, apesar de longas e repetidas tentativas, informações concretas sobre o seu actual paradeiro.
Os textos que aqui estão coligidos pertencem ao que, de toda essa minha actividade, restou no meu ficheiro pessoal que, ao longo destes anos, consegui apesar de tudo conservar. Assim, a publicação desta recolha assume não só um valor documental per se mas também o valor de um documentário de uma época da cultura em Portugal que, como este espólio demonstra, foi largamente negligenciada.»
Rumores e notícias começaram a circular depois do anúncio da saída de Rubem Fonseca da Companhia das Letras. Para onde irá o escritor brasileiro? «O que se sabe, por ora, é que todas as grandes editoras do [Brasil] começaram a jogar pesado para ter Fonseca. Há notícias até de que um representante do Grupo Leya, que reúne selos portugueses, angolanos e moçambicanos e anda “paquerando” o Brasil, estaria vindo para cá a fim de reunir-se com o escritor mineiro», escreve a jornalista Ana Paula Sousa.
João Ubaldo Ribeiro aqui reagindo a esta notícia. No blogue das Edições Nelson de Matos é ainda possível ler a mensagem do Prémio Camões 2008 dirigida a Ancelmo Góis, cronista do jornal O Globo:
Querido Ancelmo, Só para mostrar como este mundo é curioso. No mesmo dia em que eu recebia a notícia de estar sendo mais uma vez censurado em Portugal, assinei contrato para a publicação em inglês do mesmíssimo livro, em tradução de Clifford Landers (que também traduziu O Sorriso do Lagarto), com o título de The House of the Fortunate Buddhas. A prestigiosíssima editora, conhecida pela suas edições de clássicos universais, se chama Dalkey Archive Press e é vinculada à também prestigiosa Universidade de Illinois. Enquanto isso, na brava Lusitânia, onde no geral os brasileiros são tão apreciados quanto percevejos, entro na galeria dos pornógrafos proscritos e o Viva o Povo Brasileiro ainda está sendo examinado para ver se pode ser vendido na rigorosa rede. Pôde ser adotado duas vezes (o máximo que a lei permite) pelo Ministério da Educação da França como o livro-texto para o Exame de Agregação de língua portuguesa, mas tem que ser examinado por vendedores de supermercado, para ver se é leitura permissível aos portugueses. Abraços moralizados do velho João Ubaldo, 28.04.2009