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A banana e o desconhecido

Moacyr Scliar (n. 1937, Porto Alegre) é um grande contador de histórias. E contou mais uma (já repetida mil vezes, garantiu) no auditório principal das Correntes, poucos minutos antes das onze da manhã. Tema em cima da mesa: «O Medo ou o Fascínio do Desconhecido». Moacyr, repetimo-lo nós agora, quis contar uma história, a história (aqui resumida) da chegada do seu pai, aos 10 anos, a Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, depois de uma viagem de semanas no porão de um navio de carga. Magríssimo, despertou rapidamente a atenção de um gaúcho que esperava os emigrantes no cais. Quando recebe uma banana (nunca tinha visto tal fruta) lembra-se de que a única fruta que comia na Rússia (uma laranja a dividir por nove irmãos, em dias de aniversário) tinha caroço. Ali, no cais, o pai de Moacyr come a casca da banana e deita fora o «caroço».

«O escritor», conclui Scliar, «é alguém que olha para a banana e come a casca», que entra permanentemente num território desconhecido. Como aconteceu com o seu pai, aos 10 anos.