Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Savater contra o separatismo

O filósofo Fernando Savater acaba de publicar um livro sobre a questão separatista em Espanha: Contra el Separatismo:

La sociedad prefiere la mentira mientras no recibe más que mentiras. Hay que mostrarle las realidades y enseñarle que la verdad no desaparece porque uno se empeñe en mirar para otro lado. Sí, hoy por hoy, hay mucha gente que se ampara en mentiras, pero porque eso parece que funciona. Si se demuestra que no es así, que la verdad sigue existiendo, que pueden proclamar la república las veces que quieran, que la república como tal no aparece y que lo que sí hay son elecciones autonómicas en el horizonte… Entonces, a fuerza de decepcionarse con las soluciones falsas, terminan aceptándose las verdades. 

Entrevista no ABC Libros (Fernando Savater: «Aún hay idiotas que dicen eso de “toda bandera me repugna”»)

Na morte de Patrícia Almeida (1970-2017)

Formada em História pela Universidade Nova de Lisboa haveria mais tarde de frequentar o Goldsmiths College, em Londres, onde estudou Imagem e Comunicação. Em 2001 partiu para Tóquio onde produziu o livro No Parking e no ano seguinte recebeu o prémio European Photo Exhibition Award. Desde 2003 fazia parte do colectivo de fotógrafos europeus P.O.C. – Piece Of Cake, participando em várias mostras do grupo. Em 2009, o seu trabalho Portobello(projecto que incluía uma exposição na galeria Zé dos Bois e também um livro), com fotografias realizadas no Algarve, foi nomeado para o prémio de arte contemporânea BES Photo (agora Novo Banco Photo), e no ano seguinte acabou por ser mesmo uma das três finalistas do prémio BES Photo 2010, com o projectoAll Beauty Must DieTexto de Vítor Belanciano no Público.

Comentário: dos usos da inútil gramática.

A «competência comunicativa» permite que um cachorro estenda a pata à dona – mas não é isso que faz a grande virtude das línguas.

 

São cada vez mais populares na Austrália, segundo o tão louvado The Guardian (por isso não desconfiem já de mim), as «aulas e cursos livres de gramática». Leram bem. Gramática. É uma ocupação de classe média e grupos tão diversos como advogados, editores, professores ou médicos e responsáveis da administração pública recorrem a esses cursos. E porquê este interesse por orações subordinadas, complementos diretos, verbos irregulares ou apenas pura ortografia e filologia? Porque, escreve Kate Jinx, escritora e realizadora, a gramática foi desvalorizada e eliminada dos currículos escolares a partir dos anos 70 – tendo surgido, desvairada e sombria, a “síndrome do impostor”, ou seja, a sensação de que, independentemente do grau de sucesso da sua carreira profissional, há uma clara falta de bases lá atrás, e por culpa do sistema de ensino.

Escrever corretamente, escrever em bom Português, apreciar as lições dos mestres, também deixou de ser uma preocupação geral; bastaria a «competência comunicativa», uma coisa que permite que um cachorro estenda a pata à dona ou que saibamos onde é a casa de banho num hospital. Com a agravante de, em Portugal, ninguém se interessar, mesmo, por gramática. F.J.V.

 

Fernando Relvas (1954-2017)

 Morreu Fernando Relvasum dos símbolos e referências da BD portuguesa.

 

Um texto de Relvas em 2013:

Ouvimos, então, repetida vezes sem conta e com ares de consensual sabedoria, a mais aviltante desculpa que alguém poderia inventar, a de que o português é bom, só que é mal dirigido. Aparentemente a questão estará entre o conceito de governante e o conceito de gestor, mas isso é irrelevante porque os milagres não são do domínio nem de uns, nem de outros. Depois, o português não precisa de ser bem dirigido para ser bom. Precisa de estar inserido em todo um ambiente mais funcional, ou seja, é preciso não um bom gestor mas sim um ambiente inteiro num longe daqui inteiro. Depois, governantes e gestores, para ganharem o seu têm que tirar do teu, devolvendo-te qualquer coisa, de preferência que tu não tivesses de outro modo, o que significa que, em determinado ponto do processo em full swing, dêem-lhe a volta que lhe derem, a única coisa certa é que estão lá para te tirarem tudo o que puderem tirar, em troca de produtos viciados e, de preferência, viciantes. E isto dificilmente ajudará à solução do problema. E, por fim, é uma desculpa manhosa, abdicar da dignidade de ser pessoa responsável para não ter de assumir que o problema poderá estar entre as suas próprias mãos.

Talvez a razão possa estar escondida atrás de um verbo de sonoridades estilhaçantes:

pro.cras.ti.nar
(latim procrastino, -are, deixar para amanhã)
1) Deixar para depois, adiar, retardar.
2) Usar de delongas.

Como se chega lá? Para tentar compreender como se forma um país que desde há muito funciona parando, comecemos, então, pelo mais evidente, o biolento.

É histórico. O português é biolento. Chamam-lhe alguns os brandos costumes, se bem que isso não englobe a totalidade do fenómeno. Defendem alguns que por causa do clima. Talvez. Da brisa atlântica. Talvez. Do isolamento. Talvez. Seja qual for a razão, ou razões, é algo que está por aí. Pode mesmo ter desempenhado um papel importante na independência deste país eternamente outonal. É que isto pega-se e, quando se agarra, não há maneira de lhe dar a volta. Continuar a ler.