Uma pequena editora do Tennessee, Devault-Graves, reeditou três histórias de J.D. Salinger publicadas otiginalmente na revistas Story e City nos anos quarenta, mas nunca registadas pelo autor de À Espera no Centeio. Com novíssimas ilustrações.
O criador de Philip Marlowe, Raymond Chandler, e o de James Bond, Ian Fleming: o segundo entrevista e conversa com o autor de A Dama do Lago sobre uma questão insolúvel: o que faz um bom thriller? São cerca de 30 minutos de gravações tornadas públicas pela primeira vez em 1988; Chandler morreria pouco tempo depois dessa conversa — aqui em quatro fragmentos de 7 minutos e 30 segundos aproximadamente cada uma.
Primeira: há muitos romances e pouca gente a lê-los; segunda: escrever é uma atividade que não tem grande mérito nem mistério — poetas, filósofos, linguistas, apresentadores de televisão, treinadores de futebol, engenheiros, professores, padres, psiquiatras, soldados ou jornalistas, todos podem fazê-lo; terceira: não dá muito dinheiro...; quarta: escrever um romance não garante a fama ou a notoriedade – que vêm da televisão, por exemplo; quinta: também não confere imortalidade ou direito à posteridade; sexta: escrever um romances não é assim tão extraordinário para o ego; sétima: aquelas razões clássicas que movem ou caracterizam o trabalho do romancista, também não são tão especiais como se julga. Claro que há uma razão para o fazer. Está tudo num artigo da Three Penny Review, agora republicado pelo The Independent, de Londres.
Entrevista com Alessandro Baricco, o autor de Seda, no Clarín de Buenos Aires:
«Hablo de tantas cosas que cada tanto digo pavadas. Pero lo que sucede es que, cuando yo era joven, había una cultura muy especializada. Estaba aquel que hablaba sólo de moral, el que hablaba sólo de política en sentido estricto, y así. No había muchos intelectuales que pudieran hablar de un espectro amplio de cosas. El primer modelo fue Umberto Eco, que escribía ensayos de semiología hablando de Woody Allen o de Walt Disney. Para nosotros era un modelo de posibilidad, pero estaba él solo. Yo tuve un profesor que es un filósofo bastante conocido para ustedes los argentinos, que se llama (Gianni) Vattimo, que para explicar a Heidegger o a Nietzsche podía citar a la publicidad. El resto de la cultura era muy especializada. Hoy se demostró que el verdadero aporte a la cultura lo hacen aquellos pensadores que pueden considerar un amplio espectro. A mí me venía en mente enseguida comparar cómo jugaba al tenis McEnroe con el modo en el que Rossini hacía música o con cómo escribía Celine. Me parecía la cosa más interesante del mundo. Lo hice toda la vida.»
Ursula K. Le Guin assina a crítica a Skylight (A Clarabóia), de José Saramago, no The Guardian; também no The Independent, crítica de James Runcie: «What kind of writer Saramago would have become had the novel been accepted and published in 1953. Might he have been more conservative and consciously "populist"? Did he need 20 wilderness years to think about what it must mean to be a truly radical writer, experimenting with form and style before discovering a unique voice that ultimately dispensed with most punctuation, and even the use of capital letters?»
As “redes sociais literárias” – vulgo “campeonato do despeito” – nunca suportaram J.K. Rowling, a criadora de Harry Potter. Há duas razões para isso: Rowling não pertence “ao grupo” (embora tivesse sido publicada pela Bloomsbury, uma editora muito literária) e vendia bastante, captando a atenção de milhões de miúdos. Gostei dela sem a ter lido (só li três livros): Rowling estava a reabilitar a ideia de fantasia e de adolescência, além de ser bonita e discreta. Depois de Harry Potter, publicou três romances, dois deles policiais. E voltou ao mago de Hogwarts num conto passado na Patagónia – para anunciar que a personagem, agora com 34 anos, continua a sua vida. Isto irrita muito as pessoas despeitadas. Uma dessas escritoras, de cabeção e lunetas, veio miar que se trata de ‘literatura de segunda’. É não perceber nada. Trata-se de uma história de fantasia. Não quer ser literatura nem usar cabeção. [FJV]