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LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Feira do Livro do Porto: confirmação

É este o texto do comunicado da Câmara do Porto sobre a Feira do Livro:

 

«A edição 2014 da Feira do Livro do Porto vai decorrer nos jardins do Palácio de Cristal, de 5 a 21 de setembro, estará aberta a todos os editores, livreiros, livrarias, alfarrabistas e associações do setor, e será organizada e promovida da Câmara Municipal do Porto. O pelouro da Cultura terá a seu cargo a programação cultural da feira e a empresa municipal PortoLazer encarregar-se-á dos aspetos relacionados com a logística e a animação do certame.

Em mais de 80 anos, esta será a primeira vez que a Câmara Municipal do Porto chama a si a organização total da Feira do Livro do Porto, abrindo espaço à participação de todos em condições vantajosas para os participantes e, sobretudo, para os destinatários finais da feira: os leitores. A promoção da leitura será o maior objetivo do certame, que terá no livro o seu protagonista.

A decisão foi tomada depois de terem sido ponderados vários cenários e de ter sido afastada a hipótese de se regressar ao modelo em vigor até 2012, tendo ficado decidido avançar já em 2014 com um modelo que será adotado no futuro, com ganhos de competitividade para os participantes e de autonomia para a cidade do Porto.»

Smiley desconfiava, ou não, da grandeza da Grã-Bretanha?

Questões de sempre: as do «patriotismo» de John Le Carré, por exemplo, a propósito da figura de George Smiley, o seu espião imperfeito. Tudo começou quando o «correspondente» de assuntos de Defesa do Telegraph publicou um artigo sobre o facto de um agente e operacional britânico que terá servido de inspiração para o personagem de Le Carré, se ter declarado «ferido» com o retrato da espionagem feito nos livros do escritor (acentuado com uma carta de Lord Lexden). Mais: o agente em causa, John Bingham, acusa John Le Carré de ter sido «amável» para com os inimigos do Reino Unido durante a Guerra Fria, devido ao cinismo dos seus retratos e descrições do trabalho no MI5. Ah, debates eternos sobre as liberdades de um escritor.

John Le Carré, finalmente, resolve o problema com a elegância de Smiley, escrevendo ao jornal: «Se Bingham acreditava que o amor incondicional aos serviços secretos era sinónimo de amor ao país, acho que é preciso vigiar este amor...»

Quatro estações: a nova periodicidade da LER

 

 

 

Esta promessa de renovação é a garantia de que a LER continuará a ser a sua revista de livros. Sem lamentos nem desculpas. 

 

1. Nestes últimos 27 anos – desde 1986, data de lançamento de um «número zero» histórico (230 000 exemplares), até hoje (10 000 exemplares de tiragem) – a LER acompanhou a vida editorial e literária portuguesa de diferentes formas. Fê-lo de acordo com os tempos, mas mantendo o essencial: dando a voz aos autores e aumentando sempre o espaço concedido aos livros. Desta maneira se completaram 133 edições, uma coleção invejável para uma revista dedicada à literatura e aos livros: pela sua longevidade e pela sua regularidade.

 

  

   

  

  

 

2. A história da LER é, também, a história da sua independência editorial: nem dependeu de apoios públicos de quaisquer natureza, nem cedeu a pressões, nem evitou mostrar a sua opinião. Nunca recebeu subsídios – e, a propósito, a única que vez que solicitou um, a fim de publicar uma edição especial em língua inglesa para a Feira de Frankfurt (apresentando a edição e a literatura portuguesa contemporânea), viu o pedido recusado; o resultado foi, talvez por isso mesmo, gratificante: a nossa edição fez-se na mesma, com grandes sacrifícios, cuidada por Richard Zimler, sem um escudo (era a moeda da época) de apoio estatal; as outras publicações, realizadas com apoio público, terminaram onde mereciam.

  

3. Esta independência só é possível graças ao apoio da Fundação Círculo de Leitores – que tem assegurado todos os meios para que a revista tenha podido prosseguir o seu trabalho ao longo dos últimos 27 anos. Poucas entidades, públicas ou privadas, se dedicaram com tanta paixão e empenhamento à promoção da leitura, dos autores e do livro em Portugal – quer através da revista LER, quer do Prémio José Saramago, quer das pioneiras Olimpíadas da Leitura. Este apoio da Fundação Círculo de Leitores (fundamental para a LER, juntamente com o dos seus assinantes e milhares de leitores) não pode, no entanto, iludir as dificuldades que hoje se colocam às publicações periódicas em geral – dificuldades acrescidas em se tratando de uma revista de livros. A LER, como as outras revistas, depende desse mercado em mudança (entre o papel e o digital), da forma como chega às mãos dos seus leitores, da maneira como ocupa o seu lugar na vida dos livros.

 

Há por isso, decisões difíceis a tomar a fim de não prejudicar a independência da revista e a sua longevidade. A primeira dessas decisões tem a ver com a sua periodicidade: esta edição da LER interrompe o seu ritmo mensal e o fim de uma série inaugurada em 2008, quando a revista retomou a sua publicação regular, regressando no próximo mês de Junho ao seu antigo formato trimestral (um por cada estação do ano) – com mais páginas, mais reportagens, mais profundidade e densidade. A segunda dessas decisões prende-se com a presença da LER na internet – que terá atualização diária e permanente a partir de Abril, primeiro apenas no seu blogue, depois no site que será lançado oportunamente.

Esta promessa de renovação é a garantia de que a LER continuará a ser a sua revista de livros. Sem lamentos nem desculpas. 

  

   

 

 

Na morte de Leopoldo María Panero

«El poeta de 'Asi se fundó Carnaby Street' fallece seis días después de que desaparezca Ana María Moix, su gran amor imposible.» Leopoldo María Panero, la sombra de Peter Pan.

A partir de hoy, Leopoldo María Panero ya no venderá sus libros por la calle Triana de Las Palmas de Gran Canaria. El poeta vagabundo ha muerto, pero su fantasma y sus poemas quedarán esparcidos entre las almas perdidas que vagan por esta ciudad. Rezarle a la muerte.

«El día que alguien tenga el coraje y la paciencia de cribar ese bulímico bosque de versos que ha sido el legado de Leopoldo María Panero, veremos el tamaño y el calado de un poeta extraordinario.» Panero, poeta de incendio y brasa fría.

Una tarde sin beber alcohol con Leopoldo María.

La obra de Leopoldo María Panero es una de las más originales y contundentes de la poesía española del último cuarto de siglo. Adiós al último poeta maldito.

Una infortunada familia de literatos. El estigma de los Panero.

Su poesía había dejado al aire todas las esquinas de su estilo y el albañal de los temas (suicidio, necrofilia, nihilismo, blasfemias, drogas, alucinaciones monstruosas). Letanía de la consumación.