Viver da escrita é um luxo. Um inquérito.

Menos de 700 euros por ano. É o que recebe um pouco mais de metade dos escritores editados do Reino Unido. Resultado de um inquérito da Digital Book World.
Um inquérito realizado no Reino Unido a mais de nove mil escritores revelou que 54 por cento dos que estão ligados a editoras ganham menos de 600 libras esterlinas (730 euros) por ano, um número que sobe para os 80 por cento no caso de escritores independentes ou autopublicados. Esta quantia astronómica dá, entre outras coisas, para pagar um mês e meio de renda de um apartamento modesto em Lisboa, 180 maços de tabaco ou 1123 cafés, embora dê, acima de tudo, muito que pensar. Afinal, se a maior parte dos escritores nem sequer ganha para pagar as despesas o que é que os motiva no negócio da escrita? Será o sonho de um dia chegarem ao patamar absurdo de rendimentos dos escritores mais populares? A glória social de se apresentarem como escritores? A vaidade da obra impressa mostrada a familiares e amigos? A cada um as suas razões, mas o que é evidente é que quem se aventura no negócio da escrita não vê a escrita como um negócio. O diretor editorial da empresa que realizou o inquérito, a Digital Book World, acredita que as pessoas escrevem «porque querem partilhar alguma coisa com o mundo ou obter alguma espécie de reconhecimento» e que, apesar de estarem interessadas no sucesso comercial dos seus livros, para elas o dinheiro não é a principal motivação. Nem podia ser, como se vê pelas quantias ridículas que a maioria ganha. Viver da escrita, até num mercado como o inglês, é um luxo. Mas viver para a escrita é uma missão que muitos aceitam alegremente. Se o mundo ganha alguma coisa com tanta generosidade e sacrifício, é outra questão. Bruno Vieira Amaral