Enquanto se discutem milhões que existem e milhões que ainda não existem ou nunca existirão, uma pergunta:deviam as bibliotecas e mediatecas permanecer abertas ao domingo? Em França, uma petição pública recolheu 11 mil assinaturas em menos de um mês. Em Portugal, as bibliotecas estão naturalmente fechadas ao domingo — e ao sábado, em grande parte. Mesmo a generalidade das bibliotecas das universidades, que deviam cumprir esse objectivo, permanecem fechadas desde sexta-feira à tarde. Há petições que fazem todo o sentido.
O Mundo Literário já está online na Hemeroteca Digital de Lisboa: textos de João Gaspar Simões, Vítor de Sá, Jorge de Sena, Álvaro Salema, Luís de Sousa Rebelo, Alberto Ferreira, Domingos Monteiro, Vitorino Magalhães Godinho, António Pedro, Manuela Porto, Luís-Francisco Rebelo, António José Saraiva, Ernesto de Sousa, Matilde Rosa Araújo ou Eugénio de Andrade, entre outros. Em 1946.
Ainda os últimos dias de vida de Sylvia Plath e o diário de Ted Hughes. No Times Literary Suplement: «Ted Hughes called it the Sylvia Plath “Fantasia”. Writing to the Guardian in 1989, apropos of the controversy over his first wife’s grave in Yorkshire, he complained that when scholars approached him in the years after her death, he “tried to take their apparently serious concern for the truth about Sylvia Plath seriously”, but he soon learned the lesson that in trying to explain what really happened, “in the hope of correcting some fantasy”, he was all too often “accused of trying to suppress Free Speech”. He concluded that “The Fantasia about Sylvia Plath is more needed than the facts” and that this need rode roughshod over respect for the truth of her life and of his.» Por Jonathan Bate.
Sugestão em duas linhas: deixem Eusébio sossegado no lugar onde sempre estará – na memória dos seus admiradores.
Amália e Eusébio foram os dois maiores heróis populares do século XX português. Houve outros – atores, cantores, desportistas – mas nenhum atingiu a fama e o reconhecimento internacional comparáveis aos dos dois. Por motivos insondáveis, os deputados da nação decidiram que o lugar do repouso eterno de Amália deveria ser junto de outras figuras luminosas como Manuel Arriaga, João de Deus e Teófilo Braga, aos quais nem o facto de os restos mortais se encontrarem protocolarmente depositados no Panteão salva da indiferença generalizada dos seus compatriotas. Agora, ainda transidos pela morte do grande futebolista, os deputados já decidiram que, com a brevidade que a lei e os costumes permitam, o corpo de Eusébio deverá ser encaminhado para esse lugar lúgubre onde tristemente se celebram os equivalentes modernos dos deuses do edifício mandado construir por Marco Agripa. Eu nunca estive no Panteão, mas estou certo de que, pagos os três euros do bilhete com direito a visita guiada, qualquer português sairá desse mausoléu secular reconciliado com a nação que o pariu e a ensaiar os versos cantados por Amália ou a escrever a sua própria cartilha maternal. Também não quero contrariar a generalidade dos portugueses que, a esta hora, já estão a subscrever inúmeras petições online para que o corpo de Eusébio seja trasladado – ou, se preferirem, transladado – para qualquer sítio ou, quem sabe, criogenizado para que, num futuro longínquo, a ciência o possa ressuscitar e devolvê-lo ao convívio dos homens que, na altura, estiverem a representar o País na Assembleia da República. No entanto, atrevo-me a sugerir que deixem Eusébio sossegado no lugar onde sempre estará: na memória dos seus admiradores. Bruno Vieira Amaral