A cerimónia oficial de entrada do grupo editorial liderado por Paulo Teixeira Pinto no Brasil está marcada para o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no próximo dia 14 de Março. Com a promessa de lançar mais de 100 títulos por ano e o escritor Luiz Ruffato como curador editorial, a Babel pretende funcionar no Brasil como «uma editora brasileira, não uma sucursal».
Michael Cunningham, autor do galardoado As Horas, estará em Portugal de 6 a 9 de Março para promover o seu mais recente romance, Ao Cair da Noite (Gradiva). No último dia, pelas 11h, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Sala 5.2), tem agendada a conferência «Found in translation», título de um texto sobre tradução que publicou recentemente no The New York Times.
16 de Abril – Às vezes passeio pelas ruas com o objectivo exclusivo de olhar para a cara dos homens e das mulheres que passam. A cara dos homens e das mulheres que passaram dos trinta anos, que coisa tão impressionante! Que concentração de mistérios minúsculos e obscuros, à medida do homem; de tristeza venenosa e impotente, de ilusões cadavéricas arrastadas durante anos e anos; de cortesia momentânea e automática; de vaidade secreta e diabólica; de abatimento e de resignação perante o Grande Animal da natureza e da vida!
Há dias em que invento qualquer pretexto para falar com as pessoas que vou encontrando. Olho-as nos olhos. É um pouco difícil. É a última coisa que as pessoas deixam ver. Estremeço ao notar a escassa quantidade de gente que conserva no olhar algum rasto de ilusão e de poesia – da ilusão e da poesia dos dezassete anos. Da maioria dos olhos apagou-se todo o brilho pelas coisas abstractas e engraçadas, gratuitas, fascinantes, incertas, apaixonantes. Os olhares são duros ou mórbidos ou falsos, mas totalmente arrasados. São olhares puramente mecânicos, desprovidos de surpresa, de aventura, de imponderável.
Excerto de Caderno Cinzento, de Josep Pla (1897-1981), publicado brevemente na Cotovia como um dos primeiros títulos da colecção «Grande Literatura Catalã».
«Lobo Antunes devia ter ganho o Nobel com Saramago»
Revelações exclusivas de George Steiner
«José Saramago não é o maior escritor português da actualidade. Para mim, esse é, de longe, António Lobo Antunes. É um gigante. Teria algum pudor em me encontrar com ele para o conhecer, e, contudo, adoraria conhecê-lo. Ele é um grande e Portugal não lhe deu ainda o devido reconhecimento. Devia ter ganho o Nobel há já algum tempo. Mas não aconteceu. Por causa de Saramago. Deviam ter ganho ambos, em partilha. Mas não está completamente arredado dessa atribuição.» Uma das revelações de George Steiner que a LER publica, em exclusivo, na edição especial nº 100, que chega amanhã às bancas de todo o país.
Ensaísta, crítico e académico – autor de Gramáticas da Criação, A Ideia de Europa, O Silêncio dos Livros ou As Lições dos Mestres, entre outros livros –, um dos mestres do nosso tempo, George Steiner atravessa nesta entrevista, conduzida por José Eduardo Franco e Beata Cieszynska, os grandes temas da actualidade, como a encruzilhada da Europa, as novas potências, o Islão, o choque de civilizações, o ensino no século XX, a crise económica, a literatura portuguesa e a revolução das redes sociais. «Onde existir um iPad, a internet e as redes sociais não é possível o isolamento. As coisas estão a mudar rapidamente. A revolução da informação é também uma revolução política e ideológica. Já não é possível aniquilar grupos de homens, construir muros, barreiras de separação que funcionem realmente.»
A entrevista de George Steiner é um dos destaques de um número especial, comemorativo das 100 edições da LER. Por isso, escolhemos 100 imagens, 100 livros e 100 nomes que cruzaram a história da LER desde 1987; publicamos 100 ideias para o futuro assinadas por 100 personalidades da sociedade portuguesa (João Lobo Antunes, Gonçalo M. Tavares, Pedro Adão e Silva, João Pereira Coutinho, Francisco Seixas da Costa, Manuel Graça Dias, Nuno Artur Silva, Irene Flunser Pimentel, Lídia Jorge, Nuno Crato, etc.), um grande quiz que dá direito a prémio especial e um ensaio de Harold Bloom (outro exclusivo) sobre os génios criativos da História da Literatura.