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Os maiores do mundo

A revista LivresHebdo apresentou em Frankfurt, na semana passada, a lista dos maiores grupos editoriais do planeta. É como se segue:

 


Em matéria de números, o grupo Pearson passou de 5 044,00€Mi para 5 289,82€Mi enquanto o Reed Elsevier subiu de 4 586,00€Mi para 5 024, 34€Mi; no fundo da tabela, por curiosidade, Albin Michel passou de 155€Mi para 163,50€Mi.

O estudo é publicado em colaboração com as revistas Buchreport (Alemanha), The Bookseller (UK) e Publishers Weekly (EUA).

Digital e trabalhinho

É este o resumo da Feira de Frankfurt feito pela The Bookseller: o livro digital está na ordem do dia, por um lado; pelo outro, a conclusão óbvia — com a «crise», os editores reduziram o tempo de estada em Frankfurt para dois dias em média, e dedicam-se mais ao trabalho do que às «confraternizações» no Frankfurter Hof ou nas festas das grandes editoras (substancialmente reduzidas). Excepção: o sector de agentes (o pavilhão 8), que registou alguma reanimação, provavelmente devido ao grance número de reuniões canceladas durante a Feira de Londres deste ano, durante a vaga de cinzas islandesas.

Faz um curso a sério (Get a Real Degree)

Na London Review of Books, um artigo sobre os programas e cursos de escrita criativa na universidade, a propósito de The Programme Era: Postwar Fiction and the Rise of Creative Writing, de Mark McGurl (Harvard):

«The fact that the programme isn’t a slaughterhouse doesn’t mean we should celebrate, or condone, its worst features. Why can’t the programme be better than it is? Why can’t it teach writers about history and the world, and not just about adverbs and themselves? Why can’t it at least try? The programme stands for everything that’s wonderful about America: the belief that every individual life can be independent from historical givens, that all the forms and conditions can be reinvented from scratch. It’s exciting and important to reject the great books, but it’s equally exciting and important to be in a conversation with them. One isn’t stating conclusively that Father Knows Best, but who knows whether Father might not have learned a few useful things on the road of life, if only by accident? When ‘great literature’ is replaced by ‘excellent fiction’, that’s the real betrayal of higher education.»

Brasil apoia mais tradução.

O Ministério da Cultura do Brasil vai investir 160 milhões de euros num programa de tradução e promoção de autores brasileiros no estrangeiro; a notícia vem no Público: «O programa de Subsídio de Tradução Literária destina-se a editoras brasileiras e estrangeiras e foi lançado pela Fundação Biblioteca Nacional brasileira e pela Directoria de Livro, Leitura e Literatura, em cooperação com a Coordenadoria Geral de Pesquisa e Editoraçao. As candidaturas ao subsídio estão abertas até 23 de Outubro.»

 

 

Comentário | Editorial

Francisco José Viegas

Longe vão os tempos em que o Brasil — semi-oficialmente — e a imprensa brasileira falavam de uma invectiva neo-colonial portuguesa para divulgar os seus autores no estrangeiro. Sobretudo, está claro, no Brasil. Não se tratava, obviamente, de José Saramago ou de António Lobo Antunes — mas de uma série de autores cujas obras eram parcial e muito limitadamente apoiadas por um programa do então instituto do Livro e da Biblioteca (entretanto transformada em Direcção-Geral). Um artigo na Veja, outros aqui e ali, mereceram mesmo um reparo de Francisco Seixas da Costa, na altura embaixador de Portugal no Brasil. Elementos activos do «meio intelectual brasileiro» fizeram saber que se tratava não apenas de concorrência desleal mas, também, de uma nova invasão portuguesa das terras de Vera Cruz. Várias vozes tentaram explicar, em vão, que se tratava de um programa (hoje debilitado, graças aos 0,5% do Orçamento de Estado destinados à Cultura) de apoio à divulgação da literatura portuguesa contemporânea no estrangeiro e que se destinava a financiar, na maior parte dos casos, a tradução — e que era extensível, no caso brasileiro, à edição, e em certos limites. Não passava pela cabeça dos «militantes anti-neo-colonialismo» que a cultura brasileira, era ela mesmo fortemente apoiada pelo Estado (através de uma excelente lei do mecenato, a «Lei Rouanet», além de uma rede de empresas estatais e para-estatais, do Banco do Brasil à Petrobras e outras). Esta decisão do Ministério da Cultura do Brasil é muito importante e constituirá um pilar para a divulgação da literatura brasileira no exterior. Ao contrário de outros países que se viram forçados a adoptar medidas de contenção orçamental, o Brasil vive um clima de euforia orçamental — nunca o Estado brasileiro gastou tanto nem antecipou tantos gastos em nome de futuros lucros com o petróleo; 2010 foi o ano em que a despesa do Estado aumentou mais nos últimos 20 anos. As «despesas» com a cultura em ano eleitoral são uma benção natural que os editores, agentes e autores aproveitam com ambas as mãos. Mas, aos entusiastas de um e de outro lado do Atlântico convém relembrar as condições especiais em que isto ocorre e o passado recente em que Portugal era acusado de ir, com a armada literária, tomar de assalto as livrarias brasileiras, ai delas.