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Ruy Duarte de Carvalho, 1941-2010.

Nasceu em Santarém, Portugal, em 1941, e passou a infância e adolescência no sul de Angola. Regente agrícola, mais tarde estudou cinema em Londres e doutorou-se em antropologia, com uma tese sobre os pescadores da Ilha de Luanda, na École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris. Foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra e da Universidade de São Paulo.
Iniciou a sua obra poética em 1972 com a publicação Chão de Oferta que venceu o Prémio Mota Veiga. A sua produção é variada, cobrindo a poesia, a ficção narrativa, o ensaio e o cinema.Em 1982, levou a cabo um pioneiro exercício de tradução/apropriação da grande tradição lírica oral nas várias línguas autóctones africanas que reuniu em Ondula Savana Branca. É ainda autor de obras de ficção  — entre elas, Como se o mundo não tivesse Leste, (1977 e 2003), Vou lá visitar pastores (1999) e Os Papéis do Inglês (2000). Morreu em Swakopmund, na Namíbia, na passada quinta-feira.


Francisco José Viegas sobre a morte de Ruy Duarte de Carvalho:

«Foi o José Eduardo Agualusa que mo apresentou há anos – a ele e aos seus livros, de que naturalmente elejo Vou Lá Visitar Pastores, Os Papéis do Inglês e a poesia reunida em Lavra. Depois, entrevistei-o – uma hora de tv no defunto Ler para Crer. Retive uma imagem: a do homem do deserto, cruzando a solidão do Namibe (Moçâmedes), falando com solitários, albergando-se em acampamentos de mucubais. Mais tarde servi-me de duas ou três imagens dos seus livros, para livros meus. De vez em quando, assistia a diálogos curtos entre Ruy Duarte de Carvalho e José Eduardo, de Angola para o Brasil, de Angola para Portugal. A sua seriedade absoluta intimidava, era feita daquele raríssimo orvalho que alimentava a Welwitschia mirabilis, a planta do deserto. A sua morte colhe-nos em pleno Verão sem tempo para homenagens que não sejam a de procurar os seus livros na estante.


Há uma palavra a dizer ainda: a André Jorge, o editor da Cotovia. A Cotovia publicou os seus livros com uma notável fé, apoiando o seu autor, nunca lhe negando espaço no catálogo. Devemos a André Jorge, editor e amigo pessoal de Ruy Duarte de Carvalho o conhecimento de uma figura fascinante da nossa língua e da nossa memória de África