Quartos Imperiais, Bret Easton Ellis (reedição que marca os 25 anos do seu lançamento). Attachement - Em Anexo, romance de estreia da norte-americana Isabel Fonseca, mulher do britânico Martin Amis e autora do ensaio Enterrem-me de Pé (Teorema).
Desespero, Vladimir Nabokov (reedição).
Outubro
Jan Karski, Yannick Haenel, escritor francês que estará em Lisboa para lançar este polémico romance-ensaio sobre «o católico polaco que tentou alertar, sem sucesso, os aliados para o extermínio judeu e se encontrou com o presidente Roosevelt em 1944». Especulação Imobilária, Italo Calvino.
Novembro
Pai de Filme, Antonio Skármeta, romance que o autor promoverá em Lisboa no mês em que completa 70 anos.
Pátria Apátria, W. G. Sebald, antologia de ensaios sobre literatura de língua alemã.
Cada ano, seu BI. A excepção aconteceu em 2007, quando Paulo Moreiras escreveu B.I. da Cereja e da Ginja o B.I. do Palito (2007). Seguiram-se outros dois pequenos volumes da colecção «Bilhete de Identidade» — direcção de Ana Paula Guimarães e patrocínio do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) —, publicada pela editora Apenas Livros: B.I. do Tremoço (2008) e B.I. da Perdiz (2009). Agora, o autor de Os Dias de Saturno (QuidNovi) acaba de lançar B.I. da Morcela (2010): «Sabia que o inventor da morcela foi o grego Aftónio de Corinto, um dos sete famosos cozinheiros da Grécia antiga, a quem se atribui também a paternidade das salsichas e dos chouriços?»
Será que é desta que o autor de A Grande Arte vem à Póvoa de Varzim? João Rodrigues, editor da Sextante, anunciou ontem a presença do escritor brasileiro na próxima abertura das Correntes d'Escritas.
O Seminarista, de Rubem Fonseca, Matteo Perdeu o Emprego, de Gonçalo M. Tavares ou Uma Longa Viagem com Manuel Alegre, de João Céu e Silva são três dos destaques que as chancelas da Porto Editora anunciam para a rentrée editoral. Das novidades a publicar a partir de Setembro, apresentadas ontem em conferência de imprensa, destacamos:
Setembro
El tiempo entre costuras (ainda sem título definitivo em português), Maria Dueñas (Porto Editora)
1822, Laurentino Gomes (Porto Editora)
O Seminarista, Rubem Fonseca (Sextante)
A Cidade do Homem, Amadeu Lopes Sabino (Sextante)
Adeus, Até Amanhã, William Maxwell (Sextante)
Outubro
Matteo Perdeu o Emprego, Gonçalo M. Tavares (Porto Editora)
Na Sombra do Pai, Richard Russo (Porto Editora)
Uma Longa Viagem com Manuel Alegre, João Céu e Silva (Porto Editora)
A Assombrosa Viagem de Pompónio Flato, Eduardo Mendoza (Sextante)
Crush it, Gary Vaynerchuk (Ideias de Ler)
Novembro
Histórias Daqui e Dali, Luis Sepúlveda (Porto Editora)
A Filha do Coveiro, Joyce Carol Oates (Sextante)
Roma, António Mega Ferreira (Sextante)
A rentrée marca ainda o início da publicação das obras completas, por parte da Sextante, de Rubem Fonseca, William Maxwell e Eduardo Mendoza.
Poema Sujo, a lançar este mês, inicia a edição das obras do mais recente Prémio Camões pela Babel. «Em Setembro, materializar-se-á um novo livro de poemas – Em Alguma Parte Alguma», informa o grupo editorial liderado por Paulo Teixeira Pinto. «Com publicação simultânea no Brasil, pela editora José Olympio, este é o primeiro livro deste género literário desde Muitas Vozes, de 1999. Seguir-se-á Cidades Inventadas, compilação de ficções escritas ao longo de várias décadas, publicado originalmente em 1997 e Rabo de Foguete – Os Anos do Exílio, memórias dos seus tempos de expatriação. Em 2011, será dada continuidade ao projecto editorial da obra deste autor, em todos os géneros por onde a sua criação artística tem frutificado, desde a poesia à literatura infantil, ensaio e ficção.»
Agora, que passou o ruído, o que se espera da memória? Que seja como é. Infiel, fidelíssima, honesta, deturpada, o que for. Por isso era bom pensarmos que a memória dos escritores fica entregue – e bem entregue – aos seus livros. São eles o testemunho dessa passagem, por mais intensa ou marcante que tenha sido. No caso de José Saramago, certamente que o foi. Para muitos dos seus leitores – restam os livros, o interesse renovado (ou não), a fidelidade a um título ou a outro. Tudo o mais, na vida dos escritores, está condenado a ser frágil, criticável e sujeito a escrutínio severo (político, pessoal e também literário) e inevitável. Sabe-se como são raros os consensos e como são perigosas as unanimidades. As honras nacionais, o testemunho dos seus contemporâneos, a dor expressa em público, a voracidade das repórteres de televisão que procuravam a polémica política (mas não o debate) – tudo isso desaparece quando a memória de um escritor (além do seu espólio, dos seus manuscritos) se sintetiza e se torna mais viva nas livrarias, nas bibliotecas, nas mesas de leitura. O resto não é literatura e não nos interessa.
A vida de revistas como a LER não é feita apenas de «planeamento rigoroso». Há uma parte do nosso trabalho diário que corresponde a essa exigência – e uma parte altamente improvisada. Esta edição sai com uma semana de atraso e a justificação é evidente: no passado dia 18 de Junho estava praticamente fechada, aguardando impressão. A notícia da morte de José Saramago obrigou-nos a redesenhá-la e a atrasar a sua edição. José Saramago foi um amigo da LER e esteve presente em muitas das nossas edições. Recordamos neste número algumas dessas presenças – com isso, os seus livros nunca se ausentarão. As dezenas de páginas que, por esse motivo, não se publicam agora, regressarão na próxima edição.