A Canção de Zefanias Sforza
Título do livro de estreia na prosa do poeta Luís Carlos Patraquim que assinala os 35 anos da independência de Moçambique. Chega às livrarias a 25 de Junho, com edição da Porto Editora. Primeiras páginas aqui.
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Título do livro de estreia na prosa do poeta Luís Carlos Patraquim que assinala os 35 anos da independência de Moçambique. Chega às livrarias a 25 de Junho, com edição da Porto Editora. Primeiras páginas aqui.
A Cavalo de Ferro disponibiliza em PDF as primeiras 30 páginas deste volume que reúne pela primeira vez todos os contos que Flannery O’Connor publicou em revistas literárias.
Explicações do esloveno Slavoj Zizek ao El País.
Há festa rija hoje em Dublin.
Naquela noite aconteceram tigres e foi assim pelo país inteiro. Na cidade de São Paulo da Assunção, a que os mais antigos, como eu, ainda dão o nome de Luanda, uma centena desses grandes gatos silvestres cruzou com suas ágeis patas de veludo a dormência da Ingombota. Muitos os viram. O lume dos olhos riscando o error da madrugada, detendo-se aqui para cheirar as brasas de uma fogueira já quase extinta, ali para sorver a fatigada lama de alguma cacimba. Avançaram depois sobre a praça, onde ficam as casas e palácios dos governadores e capitães gerais destes reinos e suas conquistas, com honrada e sumptuosa morada, e em frente o corpo da guarda, e uns poucos mais de passos adiante o Paço Episcopal, sito junto à Igreja Matriz e assim foram indo, alarmando uma companhia de empacasseiros, que não tentaram dar-lhes caça, antes deles se apartaram muito lestos e em altas vozearias e apupadas. Empacasseiros são soldados pretos. Todos se acham armados de espingardas. Vestem uma tanga feita da pele de algum animal selvagem, bem apertada à roda da cintura, e trazem na cabeça uma grinalda de penas. Têm fama de bons soldados, e homens bravos, mas neste caso não fizeram justiça à boa glória de que desfrutam, pois fugiram, como disse, em gritaria, e esse alarme despertou as famílias nos seus palacetes e sobrados e muita gente assomou às varandas, vendo, sem compreender, o mesmo que eu vi: tigres, às dezenas, varando as ruas. No dia seguinte corria o forte boato de que tais tigres mais não eram do que aquela depravada corte de seiscentos homens trajados como fêmeas com que Dona Ana de Sousa, a Rainha Ginga, para toda a parte se fazia acompanhar.
Quando os holandeses invadiram a cabeça destes reinos, províncias e senhorios, estando os portugueses em desesperada fuga para a Vila da Vitória de Massangano, propuseram alguns oficiais, pessoas inteligentes nos usos e costumes da terra, que se contratassem a negros encantadores para que fizessem entrar na cidade onças, leões e tigres, de forma que tais feras, enfurecidas, engulipassem as tropas invasoras. Opôs-se o bispo, pessoa de muita fé, dizendo que não convinha a estratégia, pois não era guerra limpa, se não bastante suja, visto recorrer a artes do maligno, e não se fez o referido trato, o que no meu juízo foi muita pena.
Excerto do segundo capítulo de Milagrário Pessoal, novo romance de José Eduardo Agualusa, a publicar brevemente pela D.Quixote.
Começa hoje em Lisboa e prolonga-se até 26 de Junho nos palcos do Musicbox, do Instituto Franco-Português, do Goethe-Institut Portugal, do Teatro Maria Matos ou do Cinema Nimas. Confira a programação completa.
Amanhã, na Casa Fernando Pessoa, a partir das 18h30.
«Os livros eletrónicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos.» Umberto Eco ao Caderno 2, do Estadão.