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O regresso aos livros

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A aquisição pelo Grupo Porto Editora dos activos da área editorial da Bertelsmann em Portugal foi agora confirmada pela Autoridade da Concorrência. Esses activos (do que oficialmente é conhecido como Direct Group Portugal) incluem editoras, distribuidora e uma cadeia de livrarias. É necessário e justo dizer, antes de mais, que se trata de um momento histórico para um grupo com a dimensão e o posicionamento estratégico da Porto Editora. Porém, ao mesmo tempo, tem um significado tão ou mais importante para todos os que conhecem a história da presença da Bertelsmann em Portugal e o relevante contributo que trouxe à vida cultural portuguesa. Como pedra angular desse edifício é fundamental mencionar o Círculo de Leitores — que este ano assinala 40 anos de vida no nosso país.

A opção da venda desses activos à Porto Editora tem um importante significado na história da edição portuguesa, independente dos números envolvidos na operação financeira; trata-se do regresso desse universo editorial ao mundo dos livros e a sua incorporação num grupo de empresas que apenas trabalha com livros, cuja unidade-base de negócio é o livro e cujos interesses estratégicos e operacionais se mantêm apenas ligados ao livro. Isso faz toda a diferença num grupo, o Direct Group Portugal, que, como é público, tem vivido momentos de indefinição.

[Francisco José Viegas]

Autoridade da Concorrência autoriza compra do Direct Group pela Porto Editora

 

A Autoridade da Concorrência decidiu-se pela não oposição na «operação de aquisição, pela Porto Editora, Lda (Porto Editora), do controlo exclusivo do Grupo Direct Group Portugal (Direct Group Portugal), mediante a aquisição da totalidade das suas participações sociais».

Um comunicado publicado no seu site oficial justifica a decisão, «uma vez que a mesma não é susceptível de criar ou reforçar uma posição dominante da qual possam resultar entraves significativos à concorrência efectiva nos mercados relevantes identificados: mercado nacional da venda a retalho de manuais escolares e de material didáctico-pedagógico, mercado nacional da edição e distribuição grossista de edições gerais, mercado nacional da venda a retalho de edições gerais e mercado nacional da venda a retalho de edições gerais através de clubes do livro.»

O Direct Group é uma divisão da Bertelsmann que em Portugal detém o Círculo de Leitores, a Bertrand Editora (com as chancelas Pergaminho, Quetzal, Temas e Debates, Contraponto, GestãoPlus, ArtePlural Edições), a Distribuidora de Livros Bertrand, o Círculo de Leitores e as Livrarias Bertrand. O Grupo Porto Editora tinha celebrado com o DirectGroup Bertelsmann um acordo de promessa de compra e venda sobre os activos do DirectGroup no início de Abril último.

A operação ocorre dois anos depois de a Bertelsmann ter anunciado que iria manter os seus negócios em Portugal.

A revista LER é propriedade da Fundação Círculo de Leitores.

 


O Grupo Porto Editora é o maior grupo editorial português. Constituído pelas empresas Porto Editora, Areal Editores, Lisboa Editora, Plural Editores Angola, Plural Editores Moçambique e Bloco Gráfico, este grupo tem uma actividade editorial abrangente e diversificada, actuando nas áreas da edição escolar e de referência, literatura de ficção, não-ficção (chancelas Ideias de Ler e Albatroz), infanto-juvenil e multimédia interactivo.

O DirectGroup Bertelsmann administra empresas nas áreas dos media, livrarias, Internet, edição e distribuição em 16 países, incluindo marcas como Der Club (Alemanha), France Loisirs (França) e Círculo de Lectores (Espanha). O DirectGroup é propriedade, na íntegra, da Bertelsmann AG.

 

 

Cartas entre Rodrigues Miguéis e Saramago

A correspondência trocada entre os dois autores durante 12 anos (1959-1971), quando Saramago era director literário na Estúdios Cor e editor de Miguéis, acaba de ser organizada e anotada por José Albino Pereira. «Período fecundo da actividade literária de José Rodrigues Miguéis, nela estão reflectidos todos os problemas que neste campo surgem – os contratos de edição, a editora que atrasa a edição do livro, o autor que atrasa a entrega do novo original, a circulação das provas, a definição da mancha gráfica, a escolha do papel, as capas, a promoção do livro e a falta dela, a boa ou má colocação do livro nas livrarias, as contas, os pagamentos…», pode ler-se no comunicado da Caminho. «Há apreciações literárias sobre livros próprios e alheios, aspectos relativos à Censura, comentários políticos (assassinato de Kennedy, assalto à Sociedade Portuguesa de Escritores), dúvidas e certezas de Miguéis sobre os seus livros, dúvidas e certezas de Saramago sobre os seus poemas, aspectos relevantes sobre a vida pessoal, etc.»