Há um ano, a escritora afirmava nas páginas da LER: «A minha escrita não funciona a pedido, nasce da espera e sei que há-de surgir. Pode surgir em 2009. Vamos ver. Comparo sempre um romance a um gato. Abrimos-lhe a porta mas temos que o deixar ocupar o seu espaço na casa da escrita. Sobre esse assunto ainda não há nada de concreto. Estou aqui para servir a literatura, quando surgir o impulso se verá. São estas as minhas duas paixões: os gatos e a escrita.»
À cripta dos Rossetti não se acede de modo confortável. Eu não sei se o teixo que a ensombra é ainda o mesmo que foi plantado para o primeiro enterro. Os teixos são longevos, isso é certo. As inscrições nas lápides mantêm os nomes dos seus mortos bem legíveis. A humidade inglesa não foi tão implacável como é do seu costume. As chuvas deslizaram pelas pedras como se as respeitassem. Com excepção da que assinala Lizzie. O texto que o buril afundou nela ganhou alguma qualidade orgânica. Águas e águas se depositaram, chamando os musgos para a reprodução. Está deitada na terra, a sua laje, muito verde, marcando uma diferença na família que nunca foi a sua. Apesar de italianos, os Rossetti podiam dar lições de frieza aos londrinos em especial no modo de tratar noras indesejadas. O único Rossetti que a amou, e, ainda assim, de singular maneira, foi sepultado longe, junto ao mar. Não quis que o enterrassem junto dela. Tinha a certeza de que não se morre e não era a certeza dos cristãos.
«O Ministério da Cultura irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a destruição de livros, que afinal é uma prática regular e generalizada.» Reacção de Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura, sobre as recentes notícias de destruição de milhares de obras pelas editoras portuguesas. Miguel Esteves Cardoso também já cronicou sobre o assunto.