Reinhard Mohn (1921-2009)

Resumo de notícias actualizado e Editorial.
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Resumo de notícias actualizado e Editorial.
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Figura fundamental da edição ibero-americana, Esther Tusquets publicou há dois anos Habíamos Ganado la Guerra; a revista Ñ, do diário argentino Clarín, entrevistou-a:
Por que razão são os índices assim tão importantes? Pierre Assouline explica porquê:
«Paradoxalement, à l’heure de l’informatique et de la technologie triomphantes, les éditeurs sont de moins en moins enclins à offrir à leurs lecteurs ce service qui devrait être naturel mais qui semble être un luxe désormais, alors qu’ils est beaucoup plus facile qu’avant à réaliser. Il s’agit de réduire les coûts, une fois de plus. Alors on gratte. Tant pis pour les chercheurs, les professeurs, les étudiants, les lycéens et les esprits curieux.»
Na arca de Eduardo Lourenço escondem-se heterónimos, Tristão Bernardo, Tristão Georges, Tristão Nadal, «máscaras transparentes que revelamos em exclusivo em páginas muito especiais: inéditos, análise, entrevista, etc. «Não quero que a escrita tome conta de mim. Ficava louco», confessa Mia Couto, entrevistado por Carlos Vaz Marques. Rogério Casanova analisa, em cinco partes pormenorizadas, o mundo vertiginoso de Roberto Bolaño a partir da sua obra-prima inacabada (2666). Luísa Costa Gomes responde a José Riço Direitinho sobre a paródia do Second Life e a nova solidão. Filipa Melo partilha as notas de leitura do novo romance de António Lobo Antunes. E o provedor alerta: os vampiros já invadiram a literatura portuguesa! (com ponto de exclamação e tudo, que também é tema em algumas páginas). Mas há mais, como habitualmente: crónicas, excelentes crónicas, críticas, extractos, listas, tops, histórias e outros apontamentos, manifestos, ilustrações, prémios e um sofá sempre vermelho.
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Com a publicação do novo romance, Lustrum, situado na Roma antiga ( segundo da «Trilogia Cícero»), leia esta entrevista com Robert Harris sobre política, no New Statesman:
«I think there is a wonderful parallel with our own world. I'm trying in these two novels to show some of the universal rules and laws, the dramas and excitements, treacheries and intrigues of politics, in order to suggest that nothing has really changed. The Roman Republic was an incredibly sophisticated operation in terms of its political structure. Indeed, if you were to overlook the slight flaw that you had to own property and not be a woman, you could argue that the Roman Republic had a much more effective democracy than we do ourselves.»
Robert Harris é o autor de Fatherland e de Enigma, entre outros romances. Leia aqui (The Daily Telegraph) a crítica ao novo romance de Harris.

O sucesso dos autores e das obras póstumos; Vladimir Nabokov, Vonnegut, Crichton, etc. Artigo no Wall Street Journal.

Trata-se de «El Contorno del Ojo. Diario del oficial chino Chen Huo Deng», datado de 1982 e entregue para um concurso de contos em 1983, o I Prémio Alfambra de Cuentos. Texto completo, via Origem das Espécies.
É na próxima quinta-feira que se conhece o nome do novo Nobel da Literatura. A Ladbrokes actualizou as suas apostas. Amos Oz está em boa posição. Seguem-se Assia Djebar, Joyce Carol Oates, Philip Roth, Adonis, Antonio Tabucchi, Claudio Magris, Haruki Murakami, Herta Müller, Luis Goytisolo, Thomas Pynchon e Ismaïl Kadaré. Até Bob Dylan entra na lista.
Apesar da Amazon, das grandes cadeias de livrarias e dos hipermercados, as livrarias independentes ganham cada vez mais espaço em Inglaterra. Números e factos.
The Lost Symbol, de Dan Brown, terá uma edição espanhola de um milhão de exemplares para o mercado americano.

Claro: os livros digitais (e-books) colocam um sério problema aos editores: a pirataria. Will Books Be Napsterized? Artigo de Randall Stross no The New York Times.
Alberto Manguel no El Pais, sobre a biografia de V.S. Naipaul, de Patrick French: a biografia autorizada do Nobel V. S. Naipaul revela um escritor tão bom na criação literária como miserável em vários aspectos da sua vida.
Morreu Javier Tusell, o autor de Tiempo de incertidumbre.

Gore Vidal não faz por menos: «We’ll have a dictatorship soon in the US.» É o que diz ao Times de Londres.
Algumas frases para abrir o apetite:
Sobre o passado e o presente dos EUA: «One thing I have hated all my life are liars and I live in a nation of them. It was not always the case. I don’t demand honour, that can be lies too. I don’t say there was a golden age, but there was an age of general intelligence. We had a watchdog, the media.»
Sobre Obama: «He f***ed it up. I don’t know how because the country wanted it. We’ll never see it happen. [.]Maybe he doesn’t have one, not to imply he is a fraud. He loves quoting Lincoln and there’s a great Lincoln quote from a letter he wrote to one of his generals in the South after the Civil War. ‘I am President of the United States. I have full overall power and never forget it, because I will exercise it’. That’s what Obama needs — a bit of Lincoln’s chill.»
Sobre a infecção religiosa: «Today religious mania has infected the political bloodstream and America has become corrosively isolationist, he says. “Ask an American what they know about Sweden and they’d say ‘They live well but they’re all alcoholics’. In fact a Scandinavian system could have benefited us many times over.” Instead, America has “no intellectual class” and is “rotting away at a funereal pace. We’ll have a military dictatorship fairly soon, on the basis that nobody else can hold everything together. Obama would have been better off focusing on educating the American people. His problem is being over-educated. He doesn’t realise how dim-witted and ignorant his audience is. Benjamin Franklin said that the system would fail because of the corruption of the people and that happened under Bush»
Reinhard Mohn, 1921-2009
Desde que entrei para os quadros do Círculo de Leitores, em 1986, a figura de Reinhard Mohn foi, sempre, mais do que uma figura tutelar da companhia. E muito mais do que a do CEO, como hoje imaginamos os CEO e os CFO. Há vinte anos, gerir uma companhia de edição e média implicava muito mais, sempre muito mais, do que a contemplação e as decisões sobre matérias exclusivas de gestão financeira. No caso de Reinhard Mohn, havia a História, e a travessia que lhe associámos sempre, a de um homem que construiu um império com base em duas circunstâncias especiais: a necessidade e a capacidade de inventar. A necessidade, provavelmente, veio primeiro em nome da velha e semi-destruída empresa familiar que Mohn teve de reerguer dos escombros da II Guerra e do nazismo; a capacidade de inventar foi o mais comovente, quando se recorda a maneira como começou a nova Bertelsmann e como se exportou essa ideia, da Alemanha para o resto do mundo, com os clubes do livro transformados em duplo emblema (empresarial, por um lado; de elevada responsabilidade social, por outro). Essa Bertelsmann que conheci há vinte e três anos não tinha ainda atravessado as vicissitudes da crise global dos média, mas recusava-se a parar no tempo, insistia em inventar, em criar, em apoiar os artistas, intelectuais, escritores e editores que trabalhavam consigo. Conhecer esse universo foi uma das mais marcantes experiências da minha vida. Conhecer -- mais do que superficialmente, apenas de passagem -- Reinhard Mohn foi um momento único, no antigo Great Ballroom do hotel Intercontinental de Frankfurt, entre duas ou três frases de pompa e de circunstância. Fui-lhe apresentado por duas pessoas com que trabalhei na época (Manfred Grebe, então administrador do Círculo de Leitores, e Gerhard Greiner, responsável pela divisão de clubes do livro, antes de ter assumido a responsabilidade pelas aquisições da companhia nos EUA). Cumprimentámo-nos mais duas vezes, em circunstâncias semelhantes; e ele perguntava «como vai Portugal?». Aprendi bastante, nesses tempos em que vivi mais perto da Bertelsmann: uma dimensão ética na vida empresarial; um compromisso permanente entre a companhia e os seus colaboradores (que incluía a entreajuda em casos pessoais, para além do pacto social estrito); o dever de os gestores conhecerem a fundo a vida da empresa, o que incluía a obrigação de conviver com todos os sectores e com todos os trabalhadores da companhia. Essa dimensão ética da vida na empresa não pode conceber-se sem o papel de Reinhard Mohn ao comando, e sem o papel que viria a ser desempenhado pela Fundação Bertelsmann, hoje proprietária da revista LER.
Tenho uma grande simpatia pelos velhos valores. Não por ser conservador, mas por verificar que são melhores. Mohn era um dos representantes desses valores -- de solidariedade, de colaboração, de fé. Era um homem que lia, que lia muito, e a quem a Europa deve o facto de ter contribuído decisivamente para a história da leitura e da edição de grande qualidade.
Francisco José Viegas

Morreu Reinhard Mohn, fundador da Bertelsmann.
En su libro, “El éxito a través de la asociación”, Mohn señalaba la necesidad de que se creara un nuevo tipo de relación entre empleados, proveedores de capital y gobiernos. Mohn también abogó por un papel más dinámico para los consejos de supervisión –que controlan a los consejos de administración bajo el viejo sistema alemán de doble supervisión–. Cuando las empresas tenían problemas, por lo general era culpa del consejo de supervisión. En su opinión, “O la gente no era la adecuada, o actuaba mal y las cosas no se examinaban de forma adecuada, o realmente no tenía los conocimientos adecuados sobre gestión”.»
A companhia Bertelsmann, hoje.