Eduardo Salavisa, Pedro Cabral, Mónica Cid e José Louro vão estar hoje, às 18h, na esplanada central da Feira do Livro. «A ideia é pormos toda a gente a desenhar aquele recinto. No dia 13, quem quiser, mostra os desenhos, e alguns serão publicados na revista LER. Serão devolvidos no dia 16», explica Salavisa no seu blogue.
Este desenho foi o que encontrei mais parecido com a Feira do Livro. Na praça principal da vila do Tarrafal, na ilha de Santiago, Cabo-Verde, uma pequena multidão assistia, pela tv, ao jogo de futebol Benfica-Braga, num pequeno café parecido com um stand da Feira do Livro. Eduardo Salavisa.
«Para mim, o blogue é antes um caderno de notas, um arquivo inútil. Nada disso do “diário público do escritor”. É ainda um espaço de escrita em cima do tempo – nesta época portuguesa em que os jornais parecem jogar todos à defesa, cheios de medo do próprio tempo. Um lugar pronto-a-fazer, de uma estranha proximidade impessoal, qualquer coisa entre a tertúlia do passado e a prosa do futuro.» Jacinto Lucas Pires, aqui.
De 14 a 16 de Maio, no Goethe-Institut, Casa Fernando Pessoa e Feira do Livro. Marcam presença os alemães Daniel Falb e Barbara Köhler, o português Pedro Sena-Lino e a angolana Ana Paula Tavares. Mais informações aqui.
«Os textos reunidos neste volume, escritos entre os anos 60 e 80, constituem um acervo documental sobre a minha actividade de divulgação de alguns aspectos do pensamento e da arte de vanguarda do século XX, através da televisão, da rádio e da imprensa cultural dessa época, trabalho que geralmente não é referido no contexto da minha obra publicada, literária ou artística. Em virtude da dimensão prospectiva que esse acervo acabou por adquirir, o presente volume tem por objectivo disponibilizar alguns dos textos que o compõem, actualmente de difícil acesso, como por exemplo os guiões do programa Obrigatório não Ver, transmitido pela RTP; os das palestras na RDP 2 sobre as relações entre a literatura do século XX e a cibernética; a série de artigos de crítica musical publicados no Diário Popular entre 1963 e 1965, que cobrem importantes acontecimentos de vanguarda da época — como os concertos de John Cage, os espectáculos de dança de Merce Cunningham na sua ligação com Rauschenberg; e ainda algumas reflexões sobre a própria natureza da escrita para a comunicação social. [...] O aspecto lacunar de alguns dos guiões dos programas transmitidos pela RTP e pela RDP resulta da impossibilidade de se obter nos arquivos dessas emissoras, apesar de longas e repetidas tentativas, informações concretas sobre o seu actual paradeiro.
Os textos que aqui estão coligidos pertencem ao que, de toda essa minha actividade, restou no meu ficheiro pessoal que, ao longo destes anos, consegui apesar de tudo conservar. Assim, a publicação desta recolha assume não só um valor documental per se mas também o valor de um documentário de uma época da cultura em Portugal que, como este espólio demonstra, foi largamente negligenciada.»
«Dizem-me que faz bom tempo e que a Feira este ano está mais animada, como se por esse mundo fora não lavrassem coisas terríveis, crise, pobreza, depressão. Diz-se que em épocas de crise se lê mais, e parece que os contabilistas comprovam esta afirmação. A mim agrada-me pensar que em épocas de crise as pessoas querem saber por que chegámos a isto e acercam-se aos livros como se estes fossem fontes de água fresca e os leitores gente sedenta.» José Saramago hoje no seu «Caderno».