A comunicação em 2050, por António Câmara
A comunicação em 2050 será multi-sensorial: a visão, audição, olfacto, tacto e gosto serão utilizados sempre que justificável. A comunicação de eventos passados e actuais será baseada nos dados captados por uma rede global de sensores (incluindo a participação de cidadãos como sensores humanos) com diferentes resoluções consoante a escala dos eventos.Sistemas de inteligência artificial interpretarão os dados construindo relatórios multi-sensoriais automaticamente. Os jornalistas transformar-se-ão em especialistas na análise e comentário desses relatórios.
Todos terão acesso a um sistema de comunicação pessoal. Esse sistema fornecerá informação vital e ambiental, recolhida em tempo real por sensores implantados em cada pessoa.
Todos terão acesso a um sistema de amplificação de inteligência que utilizará desenvolvimentos de realidade aumentada móvel. Através deste sistema, teremos radiografias anotadas da realidade em tempo real.
Todos farão parte de uma ou mais redes sociais. As redes serão distinguidas pela sua capacidade de contribuição para a amplificação da inteligência de cada um dos seus membros.
A comunicação de eventos futuros será baseada numa nova geração de vídeo-jogos. Estes jogos terão um grau de fidelidade multi-sensorial indistinguível da realidade. As simulaçõesintegrarão as opiniões dos cidadãos interessados. Algumas dessas opiniões serão emitidas na forma de apostas em eventos futuros. Deste modo, o futuro (em muitas das suas vertentes) dará origem a mega-casinos virtuais. Os suportes de comunicação serão todas as superfícies em que desejemos ter acesso à informação (papel, plástico, tecido, vidro, madeira, cortiça). A informação será impressa nessas superfícies, permitindo a interacção em tempo real. A comunicação com objectos inteligentes passará a ser comum através de desenvolvimentos de um nova linguagem baseada em electrónica molecular e rádio-frequência. Desenvolvimentos em ecologia sensorial vão permitir a comunicação com animais utilizando uma nova geração de sistemas oculares, auditivos, de olfacto, e tacto. Estes sistemas, que permitirão a emulação de animais pelos seres humanos, terão ainda utilizações na educação, entretenimento e segurança.
Em 2050, continuará a investigação em sistemas de teleportação no espaço e no tempo. Os principais resultados dessa investigação serão a base da computação quântica. Antevê-se que em 2100 se possa teleportar um insecto.
Um dos textos de Voando com os Pés na Terra, de António Câmara, presidente da YDreams e Prémio Pessoa 2006. Edição Bertrand nas livrarias a 22 de Maio.