Invasão de Privacidade, da autoria do escritor norte-americano Harlan Coben, está desde o início de Abril disponível nas livrarias portuguesas. No Dia Mundial do Livro, a Presença, em parceira com a LER, tem para oferecer exemplares aos primeiros cinco leitores (devidamente identificados) que respondam correctamente à pergunta: Qual o título do conto que Harlan Coben publicou no New York Times a 15 de Junho de 2003? Apostas para blogler@sapo.pt.
Na Casa da Máquina da Lx Factory, em Alcântara (Lisboa): 600 metros quadrados distribuídos por dois pisos, entre livraria, sala de conferências, auditório, sala de concertos, galerias e bares. Até 26 de Abril, cem mil livros à venda até 10 euros.
clarinha sentia-se bem consigo mesma mas, para ser todavia feliz, pensou em nunca se entregar a um homem. encostada à parede da sua casa, como estava quando o sol se pôs, decidiu conservar para sempre aquela calma, um sossego em cada coisa, cada coisa sob sua decisão e só a si obedecendo. dizia, no entanto, que era mulher de muita mantença, era expressão de dizer que muito lhe faltava e lhe dava avidez de o conseguir. sim, a cada dia lutava por quanto lhe aprouvesse, numa satisfação bastante, porque se bastava com muito e sentia até orgulho nisso. e mais dizia, não me abéce comer sono, sou mais dada a estar acordada e sustentar-me das boas ideias da terra. os morangos eram das melhores ideias que a terra podia ter, e clarinha deitava-lhes açúcar e engordava à força de tanto os comer. e voltava a dizer, a mim só me abéce isto, quilos de morangos a embelezarem-me os interiores. depois, fechava a boca gulosa, sorria, e ficava bojuda de sol, tanta luz irradiava da sua satisfação.
[Primeiro parágrafo do conto os campos de velho, de Valter Hugo Mãe.]
Agora que já não é poeta, mas pintor, e vai fazer o seu auto-retrato, que rosto pintará, com que nome assinará o quadro, no canto esquerdo dele, ou direito, porque toda a pintura é espelho, de quê, de quem, para quê? O braço levanta-se, enfim, a mão segura uma pequena haste de madeira, de longe diríamos que é um pincel, mas há motivos para suspeitar: nele não se transporta uma cor verde, ou azul, ou amarela, nenhuma cor se vê, nenhuma tinta. Este é o negro absoluto com que Fernando Pessoa, por suas próprias mãos, se tornará invisível.
Mas os pintores vão continuar pintando.
[José Saramago, hoje, no seu Caderno. Excerto de um texto que, segundo o escritor, foi prólogo do catálogo de uma exposição de retratos de Fernando Pessoa na Fundação Calouste Gulbenkian nos anos 80.]