Catorze contos inéditos de Kurt Vonnegut (1922-2007) serão publicados a 27 de Outubro pela Delacorte Press no volume Look at the Birdie. A editora tenciona ainda lançar mais uma colectânea de textos inéditos e um livro com a correspondência do autor norte-americano.
Durante quatro dias, de 17 a 20 de Abril, para participar numa conversa com Clara Ferreira Alves sobre a importância dos mal-entendidos nas relações pessoais, a propósito do lançamento dolibreto Por Ti(tradução de Maria de Fátima St. Aubyn, Gradiva, 68 págs.). A sessão aberta ao público terá lugar no próximo sábado, às 16h, na sala Luís de Freitas Branco do Centro Cultural de Belém.
A primeira tradução directa do alemão de A Montanha Mágica (Thomas Mann), feita por Gilda Lopes Encarnação e editada pela Dom Quixote, chega às livrarias no final de Maio (dia 30).
Alguns dos posts publicados desde 2005 num dos blogues mais lidos em Portugal (e também no Ministério da Educação) foram transformados em livro (de 400 páginas) pela Porto Editora. A Educação do meu Umbigo, de Paulo Guinote, professor do ensino básico e especialista em História da Educação, será lançado na Biblioteca Nacional no próximo dia 18, às 16h30, com apresentação de José Manuel Fernandes, director do Público.
Há uns dias a propósito do «passeio do descontentamento» de alguns militares, e independentemente do que eu acho ou não acho sobre essa iniciativa, ouvi com particular pasmo uma tirada do engenheiro Sócrates, primeiro-ministro em exercício de um Estado de Direito, afirmar que a «a Liberdade é dada pela Lei». Eu não quero aqui entrar por aqueles meandros esconsos sobre a natureza e a riqueza dos estudos do nosso primeiro, porque isso é um assunto dele próprio e quase diria da sua consciência, pois já foi assunto por de mais discutido sem se chegar a nenhuma conclusão feliz. No entanto, fico espantado porque, após passar por duas juventudes partidárias, seria de esperar um pouco mais de profundidade na sua formação política. Com que então a Liberdade, num estado democrático e liberal, é dada pela Lei? Não se passará exactamente o inverso, aquela conversa dos tipos do Iluminismo de que nascemos todos livres e iguais perante a Lei e que esta é exactamente uma convenção social destinada a limitar a Liberdade, no que o seu exercício desregrado pode levar à perturbação das liberdades alheias? Ao que parece devo ter lido tudo mal quando estudei a coisa e mesmo mais tarde quando fiz umas leituras, certamente erróneas, sobre o tema. E começo a ficar tanto mais convencido disso quanto começo a analisar os tratos de polé que este Governo reserva às regras básicas do Direito, com a retroactividade à cabeça. No entanto, há outros momentos em que me parece que afinal estou certo, sendo disso exemplo modelar o ECD ministerial na parte em que se detém na enumeração dos direitos e deveres dos docentes. Bem, o caso da enumeração dos direitos passa depressa: no artigo 4.º despacha-se em passo acelerado meia dúzia deles, depois especificados nos artigos seguintes, mas é só o que há. Temos seis direitos de acordo com o nosso estatuto profissional e não nos cansemos mais com isso. Já no caso dos deveres o legislador assumiu o seu papel paternalista e controlador, decidindo enumerar de forma exaustiva todos os deveres que lhe ocorreu e talvez mais alguns soprados ao ouvido por um qualquer transeunte de circunstância: deveres gerais, para além dos relativos a toda a função pública, temos logo oito (artigo 10.º); para com os alunos temos dez (art.º 10.º-A); para com a escola e outros docentes são oito (art.º 10.º-B); para com os pais e encarregados de educação temos mais cinco (art.º 10.º-C). São trinta e um (31), um para cada dia dos meses mais longos. Não me incomoda propriamente o desnível entre direitos e deveres. Afinal, nem seria de esperar outra coisa em tempos e em protagonistas tão afeiçoados ao mérito, à autonomia, à inovação e a todas essas coisas. O que acho curioso é que, afinal, para o ministério da Educação a Lei sirva efectivamente para condicionar ou determinar os limites da acção dos docentes, o que equivale a limitar a sua Liberdade. O que também não é necessariamente mau. Aliás, se ainda se lembram, essa até é a minha ideia sobre a função da Lei. O engenheiro Sócrates é que acha que não. Ele acha que a Liberdade é dada pela Lei. Se possível a Lei por ele aprovada. Acho que o Luís XIV se não tivesse achado mais lapidar e singela a fórmula «Estado sou Eu» teria usado como alternativa «a Liberdade é dada pela Lei e a Lei quem a dá sou Eu». Publicado a 4 de Dezembro de 2006
Excerto do livro A Educação do meu Umbigo (Porto Editora), de Paulo Guinote, com ilustrações de Antero Valério.