Gradiva publica libreto de Ian McEwan
O libreto escrito por Ian McEwan (Por Ti) para uma ópera de Michael Berkeley está entre os lançamentos da Gradiva previstos para 17 de Abril.
Fotografia de Keke Keukelaar.
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O libreto escrito por Ian McEwan (Por Ti) para uma ópera de Michael Berkeley está entre os lançamentos da Gradiva previstos para 17 de Abril.
Fotografia de Keke Keukelaar.
Le Fado, de Agnès Pellerin, agora em edição revista e aumentada: antologia bilingue de 47 letras e um CD com 50 minutos de fado «vadio». Edição Chandeigne.
Primeiro capítulo de Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, livro que completa a reedição por parte da Assírio & Alvim dos três policiais de Dennis McShade (pseudónimo de Dinis Machado), escritos entre 1967 e 1968 e originalmente publicados na colecção Rififi da Editorial Ibis. Até ao final do ano, a Assírio editará ainda o inédito Blackpot.
Blackpot (primeira página):
— OK — disse Gulliver. E desligou.
Levantou-se e dirigiu-se à casa de banho. Olhou para o espelho. Pegou no frasco de álcool, desarrolhou-o e molhou as mãos. Passou depois as mãos pelos cabelos. Voltou a olhar para o espelho e inspeccionou os dentes. Começou a sentir as náuseas do costume. Levantou a tampa da sanita, vomitou alguma bílis e sentiu-se melhor. Voltou para o quarto e falou para o retrato do pai morto, durante dez minutos, como fazia há trinta anos. Acendeu um cigarro e sentou-se na borda da cama. Ligou para Armador.
— Armador?
— Sim.
— Daqui Gulliver.
— Sim.
— Legos disse para o matarmos hoje.
— Vem a minha casa — disse Armador. — Jogamos uma partida de xadrez e depois vamos.
— Estou aí dentro de uma hora.
Gulliver desligou e voltou à casa de banho. Atirou a beata ainda acesa para a sanita e puxou o autoclismo. Voltou a inspeccionar os dentes ao espelho. Lavou-os vagarosamente. Olhou para as mãos. Lavou-as. Voltou ao quarto e olhou para o retrato do pai. Começou outra vez a sentir náuseas e dirigiu-se rapidamente à casa de banho. Vomitou. Sentiu-se melhor.
«Outro acontecimento literário [de Abril]», escreve José Riço Direitinho na edição deste mês da LER, «é a publicação pela Quetzal do primeiro romance póstumo de Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), A Ninfa Inconstante, que não há muitos meses teve a sua edição em Espanha. Os críticos espanhóis dizem que está "à altura das melhores obras de Cabrera Infante", e que se mantém intacta "aquela capacidade de fazer poesia escrevendo prosa". Este foi um livro que a viúva do escritor cubano resgatou e compôs ("como se estivesse a montar um filme", segundo ela) de entre os milhares de folhas escritas e com anotações que Cabrera Infante deixou por ordenar quando, em 2005, sucumbiu a uma septicemia em Londres. A tradução portuguesa é a primeira a ser editada em todo o mundo.» Dia 24 nas livrarias.