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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Lygia Fagundes Telles muda de companhia

Toda a obra literária de Lygia Fagundes Telles (excepção feita a  Conspiração de Nuvens e às colectâneas Meus Contos Preferidos e Meus Contos Esquecidos cujos contratos com a Rocco não expiraram) passará para a Companhia das Letras. Luís Schwarcz contratou Alberto da Costa e Silva e Antônio Dimas como consultores editoriais e coordenadores da reedição da obra de Lygia Fagundes Telles. Nos últimos anos, é o terceiro grande nome que entra no catálogo da Companhia, depois de Erico Verissimo e de Jorge Amado.

No caso de Jorge Amado, a coordenação da edição da obra completa é de Alberto da Costa e Silva e Lilia Moritz Schwarcz.

As negociações para as rescisões dos contratos e para a passagem à Companhia foram intermediadas por Lúcia Riff.

Leila Diniz: o Brasil ficou diferente

 

É um dos livros da temporada, a biografia de Leila Diniz, por Joaquim Ferreira dos Santos (Companhia das Letras), o mais famoso colunista de O Globo, e mais atento à zona sul do Rio. Um pequeno resumo:

«Com sua espontaneidade e alegria, convicta na dedicação de se mover apenas pelo prazer e pela liberdade, ela ajudou a traçar um novo papel para a mulher na sociedade brasileira. Sempre sem discurso, sem palavras de ordem, sem colocar o homem como inimigo do projeto.
[...] Abandonada pelas feministas, tachada de alienada pela esquerda e de vagabunda pela direita, Leila foi afastada da TV Globo, porque no entender da autora Janete Clair não havia papel de prostituta nas novelas seguintes. Sem trabalho, aceitou o convite para participar de um festival de cinema na Austrália. Na volta, morreu num acidente de avião, deixando uma filha de sete meses e o Brasil de luto.»

Os Irmãos Karamabloch

Otto Lara Resende chamava-lhes «os irmãos Karamabloch»: referia-se a Bóris, Arnaldo e Adolpho Bloch, fundadores de um dos mais poderosos grupos de comunicação do Brasil, Manchete. Em torno do patriarca Joseph, tipógrafo judeu oriundo de uma remota aldeia da Ucrânia, a família chegou ao Brasil em 1922 praticamente sem nada, depois de enfrentar os horrores da Primeira Guerra, as perseguições do czar e a opressão dos bolcheviques. Agora, Arnaldo Bloch, jornalista de O Globo (e, naturalmente, iniciado na Manchete) escreveu Os Irmãos Karamabloch. Ascensão e Queda de um Império Familiar, edição da Companhia das Letras.

José Maria da Costa e Silva (Almarjão)

Bela evocação de Maria Filomena Mónica sobre um livreiro e um grande amante de livros, domingo, no Público:

«Nada - a colecção de livros, o ambiente acolhedor, o caótico armazém - existia sem ele. Discreto, não se gabava dos clientes que tinha, mas fui-me apercebendo que havia gente famosa que a ele recorria e que conhecia muitos dos grandes alfarrabistas europeus. Um dia, foi visitar-me a Oxford, com a mulher, a Margarida. Ao contrário dele, esta era extrovertida, o que facilitou o contacto. Passeámos pelos jardins dos colégios, até que, em Broad Street, me contou histórias dos tempos em que se dera com um dos alfarrabistas que, nessa rua, fundara a loja que fornecia os livros para a colecção do rei D. Manuel II.
Apesar de há muitos meses ter deixado de ir à sua livraria, ainda hoje - um Sábado - me levantei a pensar que me faltava qualquer coisa para preencher o dia. Não sei se José Maria recordou as palavras do seu antepassado no leito de morte - "Nascer entre brutos, viver entre brutos e morrer entre brutos é triste" - mas fiquei contente ao ter conhecimento de que morrera serenamente. Nunca esquecerei aquelas manhãs, como nunca o esquecerei.»