O Galante Século XVIII - Textos do Cavaleiro de Oliveira, de Aquilino Ribeiro (1885-1963), volta a ser editado pela Bertrand, agora com prefácio de Baptista-Bastos. Lançamento agendado para 8 de Setembro.
«O século XVIII interessou, particularmente, as atenções de Aquilino. Creio que ele procurava, no nosso Setecentos, as razões do pessimismo nacional, a resignação e a indiferença que lacravam o espírito da nação, submetida às leis do Estado e às superstições de uma Igreja que dispunha de um poder tão absurdo como absoluto. Portugal vivia calafetado no interior de fronteiras onde o fanatismo se tornara sagrado. No prefácio a L’Amusement Periodique [Recreação Periódica, 1922], repõe a questão da felicidade como princípio e fim da liberdade. E o Cavaleiro, com os seus textos sulfúricos e corajosíssimos para a época (e, ainda, para hoje!), é o testemunho de um homem que reconheceu na história a soma de árduas lutas contra a opressão. É um aliado. À ideia de que o universo é um sacramento, opõe o Cavaleiro o princípio de que o ser humano é o sacerdote da sua própria criação. Quem conhece a obra majestosa de Aquilino Ribeiro compreenderá o seu interesse e o seu cuidado no estudo (nos estudos) por si empreendidos sobre o nosso racionalista de Setecentos. Aliás, devo dizer que este admirável livro que o leitor tem entre mãos, juntamente com Aldeia, Geografia Sentimental, Anastácio da Cunha, o Lente Penitenciado, Portugueses das Sete Partidas ou Os Avós dos nossos Avós constituem a melhor iniciação à fascinante obra do Mestre. Do Mestre, isso mesmo. Aquilino Ribeiro dá continuidade a uma grande tradição cultural portuguesa, mas ele próprio é a súmula de uma cultura. Um demiurgo, nos diversos níveis estruturais do texto, que consegue unir as disciplinas numa permanente reciprocidade entre as sabedorias. E o texto aquiliniano é uma beleza que resiste ao tempo.»
O júri do Prémio Jabuti escolheu na última quinta-feira os 200 finalistas da edição de 2008, divididos por 20 categorias. Lista completa das obras e autores aqui. Os vencedores serão conhecidos a 23 de Setembro.
Publicado em 1952, o livro Histórias de Amor, de José Cardoso Pires, imediatamente apreendido pela Censura, voltará às livrarias durante a segunda quinzena de Setembro, pela mão das Edições Nelson de Matos. Esta reedição reproduz os cortes feitos pela máquina da Pide e inclui ainda, como anexos, uma longa carta do escritor à Comissão da Censura e as críticas de Mário Dionísio, Luís de Sousa Rebelo e Óscar Lopes publicadas na imprensa da época.
A contracapa reproduz um retrato a óleo de José Cardoso Pires feito por Júlio Pomar em 1954.
José Luís Peixoto e Francisco José Viegas são os dois autores portugueses convidados pela Feira do Livro de Brasília onde apresentarão os seus livros Cemitério de Pianos e Longe de Manaus. No Brasil, ambos são publicados pela editora Record.
O Céu É dos Violentos, o segundo e último romance de Flannery O'Connor, é uma das novidades da Cavalo de Ferro para a rentrée. Outros títulos: Crónica de Travnik, de Ivo Andric, Os Peixes Podem Cantar (título provisório), de Halldór Laxness, Os Segredos de Nova Iorque, de Corrado Augias, A Excluída, de Luigi Pirandello, Fome, de Knut Hamsun (com prefácio de Paul Auster), Obrigado pelo Lume, de Mario Benedetti, O Modelo, de Lars-Saabye Christensen e Sombra, de Neil Jordan.
Na edição de Setembro da LER pode ler um extracto de O Céu É dos Violentos.
Foi anunciado no final da semana passada: Alexandre Vasconcelos, editor da Caderno (uma imprint da Asa), abandonou o grupo LeYa. Em princípio, irá integrar os quadros da Santillana, que pretende alargar os seus negócios para além do domínio do livro escolar.
A Santillana (Santillana Constância em Portugal) está implantada em mais de vinte países na área escolar e é parte do Grupo Prisa, que publica o diário El Pais e possui o Canal+, a Cadena SER ou, em Portugal, a TVI e o grupo de revistas da Media Capital.
A Europa-América lança quarta-feira o livro Camaradas - Uma História Mundial do Comunismo, de Robert Service. Depois das biografias Estaline e Lenine (também publicadas por esta editora), o professor da Universidade de Oxford e director do Centro de Estudos Russos no St. Antony's College analisa a história do Comunismo (recorrendo a documentos só agora disponíveis), através dos seus diferentes regimes, protagonistas e partidos.