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"Eça é um bom suspeito"

Gustavo Franco publicou em 2007 A Economia em Pessoa - Verbetes Contemporâneos e Ensaios Empresariais do Poeta (Zahar Editor). Depois de Fernando Pessoa e Machado de Assis, o filão de "garimpeiro" promete continuar. "Eça de Queirós é um bom suspeito", revelou o autor.

Machado debochado

Além de genial, Machado de Assis era tudo ou quase tudo. Gozador, irreverente, brincalhão, apreciador de cantoras líricas (para utilizar as palavras de Rouanet) e crítico de temas económicos e financeiros da sua época. Foi esse lado do cronista do quotidiano, interessado por assembleias, relatórios, estatutos e dividendos (ele próprio accionista do Banco do Brasil) que Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central do Brasil, revelou na colectânea A Economia em Machado de Assis (Zahar Editor), conjunto de 39 crónicas publicadas por Machado de Assis entre 1883 e 1900 - para além de dois testamentos. "Da garimpagem e da posterior reunião das crónicas resultou um enredo do qual se destaca a figura do accionista", afirma. Gustavo Franco é um bom orador, mas lê mal (mesmo os próprios textos, como ficou provado na Casa da Cultura de Paraty. E não desfez a curiosidade do público: "Se Machado era progressista ou reaccionário? Não sei. Se era republicano ou anarquista? Também não sei. É um enigma que continua. Machado de Assis é muito difícil de encaixar em quaisquer modelos. Era essencialmente um indivíduo debochado."

 

Gustavo Franco (à esquerda) entrevistado para a televisão numa das ruas de Paraty.

Cartas inéditas de Machado de Assis

Sergio Paulo Rouanet, ensaísta, antropólogo, tradutor e filósofo, responsável pela lei de incentivo fiscal à cultura (conhecida como Lei Rouanet) e membro da Academia Brasileira de Letras, vai lançar em Setembro o primeiro volume inédito do epistolário de Machado de Assis, mais de 200 cartas (num total de mil) que o autor de Dom Casmurro escreveu e recebeu ao longo da sua vida. "As cartas confirmam o que a gente suspeitava mas não tinha a certeza. Há um corte na biografia de Machado. Uma ruptura qualitativa. As cartas da primeira fase, que farão parte do primeiro volume, vão de 1860 a 1879. É um Machado irreverente, gozador, brincalhão, que namora muito, que ouve confidências amorosas dos amigos, que adora o canto lírico e sobretudo as cantoras líricas", revela hoje Sergio Rouanet ao Jornal do Brasil.

Doutor Bayard

Enquanto Neil Gaiman escrevia dedicatórias no jardim da Pousada do Ouro, Pierre Bayard, fato escuro e ritmo lento, passava discretamente pelo corredor. Escritor, professor de literatura francesa e psicanalista, Bayard colocou meio mundo a discutir os livros ao publicar Como Falar dos Livros que não Lemos (editado em Portugal pela Verso da Kapa). A discutir livros, expectativas, leituras e a noção de culpa. "Os livros não são objectos sacralizados e as pessoas não devem sentir vergonha por não conseguirem ler as grandes obras; não devem ficar com a noção de culpa." A tese parece simples: cada um deve procurar os seus livros (assim como tenta encontrar durante a vida as pessoas mais importantes), escolher um "cânone individual". "A divisão entre livros lidos e não lidos é redutora. A base intermédia entre estes dois pólos é enorme. O que significa ter lido um livro? E se o li pela última vez há dez anos e não me lembro de nada?" É no território dos conceitos (e da sua desconstrução) que Bayard trabalha, ele que confessa ter escrito (assim como tantos outros) sobre a Bíblia e o Corão, por exemplo, sem ler por completo estas duas referências religiosas. "É contra esta noção de totalidade que tento lutar." Ou que já citou mal Oscar Wilde porque acreditou num dos livros de Alberto Manguel, autor do clássico Uma História de Leitura (Presença).

Pop star

Neil Gaiman é a pop star deste ano em Paraty - a par talvez de David Sedaris (mas já lá vamos). O escritor inglês, autor de Sandman (1989) ou Stardust (1998) - editado em Portugal pela Devir e Presença - tem um discurso fácil, aparece bem disposto nos eventos, não se aborrece com as perguntas, dá todo o tempo aos fotógrafos e aos leitores que pedem mais um autógrafo. Resultado? É o mais solicitado na FLIP. Hoje é o seu dia no grande auditório.