A fila já é considerável às dez da manhã no palco principal da FLIP. Quem não reservou bilhetes para os debates "essenciais", que decorrem na Tenda dos Autores, só tem uma hipótese: assistir pelo "telão", a pouco metros dali, ou entrar aqui. O desânimo de quem é surpreendido pela notícia (um casal espanhol fica literalmente sem palavras...) promete durar pouco tempo. Afinal, esta festa literária também se faz noutras ruas - entrevistas colectivas com os autores na Pousada do Ouro, mais debates na Casa da Cultura, tenda da Filipinha (dedicada à literatura infantil), etc. É a primeira hora da festa. Vamos a isso.
Nove da noite, quarta-feira, e finalmente chegamos a Paraty - ainda a tempo do concerto de abertura de Luiz Melodia (fantástico...). Ruas cheias, noite quente e conversas tardias entre (e com) os escritores convidados. Horas antes, Roberto Schwarz, crítico literário brasileiro, nascido na Áustria - autor de duas obras clássicas sobre Machado de Assis, Ao Vencedor as Batatas (1977) e Um Mestre na Periferia do Capitalismo (1990) - respondia, na única sessão de ontem, a um dos grandes enigmas da literatura brasileira: sim, Capitu é inocente, ela não traiu Bentinho, em Dom Casmurro, de Machado de Assis (escritor homenageado em ano de centenário). Tiro de abertura perfeito para sexta edição da FLIP.