Feira na RTP-N
Resumo muito pormenorizado de todo o programa da RTP-N dedicado ao tema, com a presença de Vasco Teixeira e de Rosalía Vargas, no Blogtailors.
Vamos, portanto, ter Feira do Livro de Lisboa.
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Resumo muito pormenorizado de todo o programa da RTP-N dedicado ao tema, com a presença de Vasco Teixeira e de Rosalía Vargas, no Blogtailors.
Vamos, portanto, ter Feira do Livro de Lisboa.
António Costa sublinha que certame não está em causa || Câmara de Lisboa recusa-se a financiar Feira do Livro que seja "palco de guerras comerciais"
Guilherme Valente anunciou esta tarde que a Gradiva abandona a União dos Editores Portugueses, UEP. Citado pelo Público, justifica Guilherme Valente: «A situação e o comportamento do Grupo Leya na UEP (União dos Editores Portugueses), perverte, em meu entender, o seu carácter e inviabiliza a sua acção de Associação de Editores. Sendo assim, não resta a mim próprio nem à Gradiva outra alternativa de inteligência, dignidade e coerência que não seja a desvinculação da UEP»
Bárbara Bulhosa, no blog da Livraria Pó dos Livros: «A Tinta-da-China subscreve o abaixo-assinado proposto por Guilherme Valente da Gradiva. Também nós consideramos inaceitável que a CML depois de ter dado a organização da Feira do Livro à APEL, conceda directamente 720 m2 de espaço a um grupo empresarial que nem sequer se inscreveu para participar como todos os outros. Se tal acontecer, a CML estará a avalizar a prepotência, a arrogância e a falta de respeito por todos os editores. Consideramos mesmo que de todos os interlocutores neste processo é quem fica pior no retrato, abrindo um precedente gravíssimo.»
Pedro Sales, no Zero de Conduta: «[...] Os lisboetas não se têm deslocado todos os anos à Feira do Livro por causa do autor A ou Z, mas porque gostam da Feira. Há muito que os passeios no Parque Eduardo VII fazem parte da tradição anual de milhares de pessoas e transformaram a Feira num dos mais populares eventos culturais de uma cidade em que eles não abundam. Pior. Ao associar o interesse público à presença de certos autores, defendendo as pretensões de uma editora interessada em gozar de um tratamento de excepção, a Câmara aceita a chantagem dos grandes grupos editoriais. Este ano são os pavilhões especiais que a Leya teima em montar. Mas, aberto o precedente, quem é que garante que a chantagem da Leya não vai subir de tom? E o que pensarão as outras dezenas de autores e editoras que, no entender da Câmara, não são dignos do interesse público? Se a decisão é mais do questionável, a justificação é inaceitável. Uma trapalhada, agora com a mão de António Costa.»
No Blogtailors, Paulo Ferreira interroga-se sobre a aquisição da Explorer: «Há uma mudança de termos e da postura do grupo LeYa face a novas aquisições. Um grupo que costumava ser sigiloso e cuidadoso na sua actuação, decide avançar ao mercado que há um contrato-promessa.»
No Portugal Diário:
«se as editoras da Leya não estiverem presentes na Feira do Livro, devido à «intransigência» da APEL, a autarquia «pode considerar que não estão reunidas as condições de garante de serviço público» e decidir não atribuir o subsídio.»
No Público: «A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) desvalorizou hoje a possibilidade de a Câmara de Lisboa não apoiar a Feira do Livro, garantindo que vai responder ao ofício camarário relacionado com a instalação de novos modelos de pavilhões.»
Recebemos há instantes (23h42) o seguinte comunicado da APEL:
«Os trabalhos de montagem da Feira do Livro de Lisboa foram inesperadamente suspensos, esta manhã, nos termos de uma decisão verbal do Senhor Director Municipal de Cultura, que não foi fundamentada nem formalizada até este momento.
A APEL não entende a posição tomada pelo Senhor Director Municipal de Cultura que só serve os propósitos empresariais do Grupo Leya e menospreza os interesses comuns e gerais do mundo editorial português representado maioritariamente na feira, já que a associação salvaguardou todos os requisitos impostos pela Câmara Municipal de Lisboa para a cedência do espaço e para o apoio a este evento:
(1) dinamização massiva do mundo editorial português, incluindo a maioria dos editores associados da UEP, traduzido na presença de um número de participantes maior que em 2007:
(2) entrega de layout da Feira dentro dos prazos e nos termos determinados pelos responsáveis municipais.
Em face desta situação, que compromete a realização da feira, a APEL manifesta a sua estranheza e incompreensão em face dos graves inconvenientes, transtornos e prejuízos para os editores portugueses e relativamente aos quais declina, desde já, qualquer responsabilidade moral ou económica.
No sentido de esclarecer os mais de 120 editores inscritos na Feira do Livro de Lisboa, a APEL solicitou hoje uma audiência à Senhora Vereadora da Cultura e marcou uma nova assembleia de participantes para a próxima sexta-feira às 1800h.»
No Bairro do Amor; Sítio Peludo; Estante de Livros; Nem Paz nem Guerra; Macaquinho do Sótão; A Justa Geografia; 1979; O Funcionário Cansado; Pó dos Livros; Cadeirão Voltaire.
No blog da livraria Pó dos Livros, Jaime Bulhosa propõe a semana dos livros, muito à holandesa, uma proposta séria: «A Semana do Livro realizar-se-ia nas livrarias de todo o país, que numa determinada data efectuariam descontos em todos os seus livros. Ao mesmo tempo, cada livraria, individualmente ou em conjunto, chamaria a si personalidades da cultura portuguesa, a fim de se realizarem eventos como debates, conferências, lançamentos, sessões de leitura, sessões de autógrafos e até eventos de outra natureza, como pequenos concertos de rua, etc. O objectivo seria promover o livro e a leitura e, como é evidente, vender mais livros.
Uma das formas possíveis de organizar uma festa do livro como esta seria cada conjunto de livrarias, de cada cidade ou vila, com uma pequena contribuição monetária, criar uma comissão com a responsabilidade de recolher a lista de participantes e eventos, fazer a comunicação e divulgação e pedir as autorizações necessárias às entidades competentes. Ou então, mais simples ainda, seria a própria APEL chamar a si esta responsabilidade.»
Jorge Reis-Sá, editor da Quasi, acompanha a questão da Feira, no seu blog Rua da Castela: «A feira do Porto nunca esteve nem está em crise. A feira do Porto não dá o rendimento, a mais valia, o lucro, o pilim - adoro estes termos do economês - da feira de Lisboa. Mas possibilita algo que é essencial: a promoção das marcas, o contacto do leitor com os livros, a promoção da leitura, a felicidade daqueles que gostam de letras impressas em papel. A de Lisboa também, claro. Mas apenas aos lisboetas (há mais país...).»
Sara Figueiredo Costa, no Cadeirão Voltaire: «E com esta frase ficamos a saber que Feira sem Lobo Antunes, Lídia Jorge e Saramago, não tem interesse público... E ficamos a saber também que com este trunfo, a Leya tem toda a gente na mão, invertendo qualquer lógica minimamente aceitável.»
João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos: «O grupo LeYa comporta-se como o novo "regime único" no mundo editorial português e o dr. Costa, da CML, aproveita para poupar o que não tem, sonegando um subsídio qualquer. Misérias.»
Sob o título «Interesse Público», Eduardo Pitta no blog Da Literatura escreve: «O imbróglio da Feira do Livro de Lisboa atingiu o paroxismo. Primeiro, a gente lê este comunicado e fica com azia. Ninguém explica aos burocratas da Câmara de Lisboa que um comunicado com mais de dez linhas perde eficácia? Depois, vem a cereja em cima do bolo: «[...] Mostrando-se intransigente em relação aos pavilhões da Leya, que representa autores como Lobo Antunes, Lídia Jorge e Saramago, a APEL corre o risco de perder o subsídio camarário: a autarquia pode vir a invocar a perda de interesse público do evento, por via da possível ausência destes autores.» Muito curiosa esta noção de interesse público.»
Durante o dia de ontem, o LERBLOG atingiu as 2460 visitas. Muito obrigado.