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10 livros para para chegar à terra onde os fiordes nunca escondem a neve (2)

 

Stieg Larsson

Os Homens Que Odeiam as Mulheres

Fora da Escandinávia, sobretudo em países como Portugal, os policiais nórdicos despertavam pouco interesse – até à publicação da trilogia Millenium, que transformou uma indústria local num bem de exportação quase tão popular como o IKEA, a Volvo ou os Abba. O primeiro volume gera no leitor aquele espanto de alguém que está a provar uma refeição maravilhosa sem saber ao certo quais são os ingredientes ou sem acreditar que essa mistura pode resultar num prato saboroso: mistério à Agatha Christie, assassino em série, as questões políticas e sociais e uma heroína atípica que nos obriga a repensar as nossas ideias feitas sobre heróis literários. No final, a recuperar do choque, só temos a certeza de que queremos mais.

Oceanos, 2008 [BVA]

 

Maj Sjöwall e Per Wahlöö

O Polícia que Ri

O caso começa antes de o livro, propriamente dito, começar, enquanto o detetive Åke Stenström investiga o homicídio de uma prostituta portuguesa em Estocolmo. Mas Åke é, por sua vez, assassinado durante um tiroteio num autocarro no meio daquela cidade que simboliza as grandes realizações da social-democracia sueca e da felicidade entre as classes. O inspetor Martin Beck (há um filme que adapta, mal, o livro e onde Walther Mathau, ai dele, se chama – inexplicavelmente – Jake Martin, em vez de Beck) está rodeado da sua equipa de pessimistas e comparsas (Per Månsson, Richard Ullholm, Ulf Nordin) enquanto escuta o disco que a sua filha Ingrid lhe ofereceu pelo Natal, «The Laughing Po­liceman» (ainda em vinil, evidentemente, porque o livro é de 1968) de Charles Penrose.

Editorial Caminho, 214 págs. [FJV]

 

Arnaldur Indridason

O Mistério do Lago

O lago Kleifarvatn não fica muito distante de Reiquejavique mas, para quem conhece a Islândia, isso não significa nada – é o resto de uma paisagem lunar onde foi encontrado um esqueleto com um buraco no crânio; o que é compreensível em se tratando de um romance policial. Mas Erlendur Sveinsson, o inspetor islandês, não é tão compreensível: o passado persegue-o, tal coma sua vida sentimental. O primeiro leva-o aos tempos de militância comunista e à memória dos anos 50, quando a então RDA, sobretudo Leipzig, era um centro de universitário importante para o «internacionalismo proletário»; o segundo leva-o a um novo caso de adultério, em que ele se torna especialista, além de o arrastar para os problemas dos seus filhos Eva e Sindri. Curiosamente, nesses anos 50, o grande escritor islandês era Halldór Laxness: também ele era comunista e esteve na RDA.

Porto Editora, 320 págs. [FJV]

 

Camilla Läckberg 

A Princesa de Gelo

Um dos grandes romances da «nova vaga nórdica»: uma pequena vila, frio, homicídio, reflexões sobre a sociedade sueca, verdades escondidas, relações familiares conturbadas e a inevitável história de amor. Após a morte dos pais, a escritora Erica Falck regressa à terra natal onde é encontrado o cadáver de Alex, uma amiga de ­infância. Aparentemente trata-se de um suicídio mas, aos poucos, os indícios começam a apontar para a tese de homicídio. Então, o livro ganha contornos bergmanianos na descrição das relações entre mães e filhas e na análise da claustrofobia social nas pequenas comunidades. Como curiosidade e piscar de olhos literário, o facto de Erica estar a escrever uma biografia da compatriota Selma Lagerlöf, a primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Literatura.

Dom Quixote, 400 págs. [BVA]

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