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Um poema de Luís Miguel Nava

AO MÍNIMO CLARÃO

 

Talvez seja melhor não nos voltarmos

a ver, ao mínimo clarão 

das mãos a pele se desavém com a memória.

As mãos são de qualquer corpo a coroa. 

 

Das dele já nem sequer o itinerário

sei hoje muito bem, onde o horizonte

se desata o mar agora

regressa ao coração de que faz parte. 

 

Ainda é o mar contudo o que se vê

florir onde ele chegar. Chamando a esse

rapaz rebentação, 

o céu rasga-se à volta dos seus ombros. 

 

Luós Miguel Nava, in Como Alguém Disse, Contexto Editora