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Um Poema de Golgona Anghel

 

POETA NA PRAÇA DA ALEGRIA: 

 

Não sou infeliz. Não, não me quero matar. 

Tenho até uma certa simpatia por esta vida

passada nos autocarros,

para cima e para baixo.

Gosto das minhas férias 

em frente da televisão.

Adoro essas mulheres com ar banal

que entram em directo no canal.

Gosto desses homens com bigodes e pulseiras grossas. 

Acredito nos milagres de Fátima

e no bacalhau com broa. 

Gosto dessa gente toda.

Quero ser um deles. 

 

Não, não guardo nenhum sentido escondido. 

Estas palavras, aliás, podem ser encontradas

em todos os números da revista Caras.

A ordem às vezes muda. 

Não quero que me façam nenhuma análise do poema.

Não, não escrevam teses, por favor. 

Isto é apenas um croché 

esquecido em cima do refrigerador. 

 

Obrigado por terem vindo cá para me beijarem o anel.

 

Obrigado por procurarem a eternidade da raça. 

Mas a poesia, mes chers, não salva, não brilha, só caça. 

 

Golgona Anghel, in Vim Porque Me Pagavam, ed. Mariposa Azual