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Um poema de Francisco José Viegas

O QUE NOS SEPARA DA LITERATURA 

 

Enquanto falam de literatura, a grande puta,

os professores falam uma língua invisível, 

cerrada em versos que os antepassados 

deviam ter escrito – e não escreveram. 

 

Labirintos, aquários, metáforas, ventanias, 

varandas nas colinas, tudo roubam como 

assaltantes sem método, nem glória, nem 

música, nem conhecimento da beleza que 

 

incendeia os bosques e ilumina os caminhos.  

Enquanto falam de literatura, a grande puta,

 a luz negra tudo apaga, tudo esconde e suja.

 

Mata-nos muito, a literatura – de tédio

ou de medo, ou de um horror que aprofunda

o que nos separa: isto e a vida, sempre.