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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Pessoa Plural

A nova revista universitária dedicada ao universo pessoano é apresentada na próxima quinta-feira, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, pelos seus dois diretores: Jerónimo Pizarro e Onésimo Teotónio Almeida. Editada pelo Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University, o Centro de Estudos Portugueses da Universiteit Utrecht e pelo Departamento de Humanidades e Literatura da Universidad de los Andes (onde existe uma Cátedra do Instituto Camões, a Cátedra Fernando Pessoa), a «Pessoa Plural acolhe propostas de publicação de investigadores de todos os países e nacionalidades, interessados pela vida e a obra de Fernando Pessoa, pela dos seus contemporâneos e pela edição de autógrafos modernos. Para além de artigos, sujeitos a arbitragem científica, a revista publica igualmente entrevistas e recensões críticas, mas somente as que forem directamente pedidas pela direcção. Os números editados de Pessoa Plural estarão disponíveis em linha e terão uma secção dedicada à apresentação de textos inéditos ou redescobertos».

Letras com(N) Vida

Título da nova revista científica e de criação artística que o Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa pretende lançar todos os semestres em parceira com a Gradiva. Com direcção de Miguel Real e Beata Cieszynska, «é uma das iniciativas de um projecto mais vasto», apoiado pela CPLP, «aberta à participação de articulistas nacionais e estrangeiros, contando com o sistema de referees». Mais informações aqui.

Pequena Morte

Na mais recente edição desta revista digital brasileira, Zaira Mahmud faz cinco perguntas ao poeta Gastão Cruz, Luis Maffei, poeta e professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense, escreve sobre o último romance de  José Saramago e Fábio Santana Pessanha entra em «diálogo com a casa de Maria Gabriela Llansol».

[Via Autores e Livros]

 

«Em detrimento de Deus, um argumento central de Caim é a pouca bondade do “senhor”. Num diálogo baseado nas tormentas impostas a Job, diz Caim: “O senhor não ouve, o senhor é surdo, por toda a parte se lhe levantam súplicas, são pobre, infelizes, desgraçados, todos a implorar o remédio que o mundo lhes negou, e o senhor vira-lhes as costas, começou por fazer uma aliança com os hebreus e agora fez um pacto com o diabo, para isso não valia e pena haver deus” (p. 136). O argumento antidivino baseado na indiferença ou no abandono não dá conta da simbologia de Deus, pois exige uma sua monocondição, e volto à pobreza dos debates que cercaram o lançamento desse romance: os que defenderam a liberdade de expressão de Saramago talvez não tenham notado que uma instância, hoje tão ou mais poderosa que a Igreja, o mercado, torna desnecessária qualquer defesa da liberdade de expressão de Saramago; os que atacaram o autor, especialmente os religiosos convictos, talvez não tenham notado que ele se esqueceu de algo que seria bastante mais problemático que uma inversão de papéis. A culpa pode ser do Herberto Helder porque, na poesia assinada por esse nome, Deus é muitas coisas, desde opressão até liberdade, chegando a ser, num poema recente, maravilha tecnológica: “o vídeo funciona,/ água para trás, crua, das minas,/ tu próprio crias pêso e leveza, luz própria,/ (…) / o mundo nasce do vídeo, o caos do mundo, beltà, jubilação, abalo,/ que Deus funciona em sua glória electrónica”. Aprendi com Herberto: Deus é digo de desobediência e escrita, de ataques e bate-bocas, portanto, ao contrário do que alguns gostam de pensar, Deus não é assim tão óbvio. Nem a literatura.»

[Luis Maffei, poeta e professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense]