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LER

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Ondjaki, Prémio Literário José Saramago 2013

 

O escritor angolano Ondjaki acaba de ser distinguido com Prémio Literário José Saramago pelo seu romance Os Transparentes (Caminho, 2012). O anúncio foi feito há poucos minutos por Guilhermina Gomes, presidente do júri constituído por Nélida Piñon, Ana Paula Tavares, Pilar del Río, Vasco Graça Moura, Manuel Frias Martins, Maria de Santa Cruz e Nazaré Gomes dos Santos. Atribuído de dois em dois anos, desde 1999, pela Fundação Círculo de Leitores, o Prémio José Saramago já distinguiu Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo e Andrea del Fuego. Com um valor de 25 mil euros, o galardão destina-se a obras literárias no domínio da ficção, romance ou novela, escritas em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país da lusofonia.

Andréa del Fuego, por Eduardo Coelho (que bem avisara em Janeiro deste ano na LER)

Andréa del Fuego (São Paulo, 1975) é autora de uma trilogia de contos, composta pelos títulos Minto enquanto posso, de 2003; Nego tudo, de 2005, e Engano seu, de 2007. Destacam-se neles a linguagem concisa e ao mesmo tempo exuberante, norteada por uma construção lírica e rigorosa. De certa maneira, foi de sua experiência e experimentação com o conto que surgiu em Os Malaquias (Língua Geral 2010), seu romance de estreia, um estilo muito singular.

O único romance de Andréa revela o fôlego vigoroso dos grandes prosadores, mas também o impacto incisivo de quem parece criar frases como quem busca fazer um poema. Não há sobras nesse livro: ao contrário, tudo em sua narrativa tem função estrutural e sentido; nenhum fato, objeto ou sensação é deixado para trás. Os mínimos detalhes são calculados, bem dosados, sem, contudo, sugerir qualquer falseamento ou tentativa de exibicionismo estilístico: a técnica e o trabalho criativo, em Os Malaquias, não esteriliza o texto; ao contrário, estão a serviço da emoção e da vida.

Baseado em dados biográficos, relacionados à história da família da autora, seu romance é um épico moderno, que trata da carência e da força de três crianças que se tornam órfãs após um acidente natural. Cada qual ganha um destino. Cada qual, em função da separação que sofrem, tornam-se fraturados e buscam recuperar, com a valentia dos grandes heróis, a reconstituição do núcleo afetivo quebrado pelo acidente. A aventura, porém, não tem ares de enfrentamento naturalista/realista contra o mau-destino, como na maior parte dos romances brasileiros contemporâneos. Em meio ao desastre, surge uma outra força, sobrenatural, aproximando Os Malaquias do melhor romance fantástico latino-americano, como De amor e outros demônios, de Gabriel Garcia Marquez.

Não há, entretanto, apego aos mestres do realismo fantástico. Andréa del Fuego tem uma comprensão madura da tradição, suficientemente madura: a ponto de refazê-la, criando novas combinações, propondo novos formatos, incluindo de maneira nova problemas que fazem parte de todos os tempos: o amor, a morte, a vida, ou até mesmo a falta de uma política pública que não separe irmãos órfãos, fragilizando-os ainda mais e fazendo-os perder um fio importante da memória e da construção da subjetividade.

Por estas e outras razões, Os Malaquias, de Andréa del Fuego, foi apontado na coluna «A Voz do Brasil» (LER nº 98, Janeiro de 2011) como um dos melhores livros de 2010. Por estas e outras razões, Andréa del Fuego, indicada neste ano entre os finalistas do Prêmio Jabuti na categoria romance, agora recebe o prêmio José Saramago.

Prémio José Saramago para a brasileira Andréa del Fuego

Com o seu romance de estreia, Os Malaquias (Língua Geral, 2010), a paulistana Andréa del Fuego (n. 1975) conquista a edição de 2011 do Prémio Literário José Saramago. Depois de Adriana Lisboa (2003), é a segunda autora brasileira inscrever o seu nome numa galeria dominada por portugueses: Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe e João Tordo. Pode ler o primeiro capítulo do romance aqui.

Prémio José Saramago 2011 anunciado dia 25

O escritor que se juntará à galeria de vencedores constituída por Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe e João Tordo será conhecido no próximo dia 25 de outubro, às 18h30, no edifício sede do Grupo BertrandCírculo, em Lisboa. O Prémio José Saramago é atribuído de dois em dois anos, e distingue autores até 35 anos com obra de ficção editada em língua portuguesa.

Regulamento da 7ª edição do Prémio Literário José Saramago


1.O Prémio Literário José Saramago, instituído pela Fundação Círculo de Leitores com periodicidade bienal, celebra a atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 1998 ao escritor José Saramago, destina-se a promover a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita por jovens autores da lusofonia.

 

2.O Prémio distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país da lusofonia, excluindo as obras póstumas, bem como os autores que tenham já sido premiados em edições anteriores do Prémio.

Nesta sétima edição, o Prémio contemplará uma obra publicada em 2009 ou 2010 por escritor que à data da publicação da obra (mês e ano incluídos na ficha técnica do livro), não tenha excedido a idade limite mencionada no corpo deste artigo.

 

3.O valor pecuniário do prémio a atribuir é de € 25.000,00.

 

4.As Obras admitidas a concurso terão que ser apresentadas à Fundação Círculo de Leitores pelas Instituições representativas dos Escritores e/ou dos Editores dos países respectivos até 30 de Abril de 2011, devendo para o efeito ser remetidos dez exemplares de cada obra concorrente, para a seguinte morada: Rua Professor Jorge da Silva Horta n.º 1, 1500-499 Lisboa.

 

5.A Fundação Círculo de Leitores procederá à divulgação do Concurso através dos meios de comunicação social, bem como através das Associações representativas dos Escritores e dos Editores de todos os países da lusofonia.

 

6.O Prémio será atribuído por um Júri composto por um mínimo de cinco e um máximo de dez personalidades de reconhecido mérito no âmbito cultural, cabendo a Presidência ao representante da Fundação Círculo de Leitores.

 

 § 1º Composição do Júri:

 Guilhermina Gomes - Presidente

 Nelida Piñon

 Ana Paula Tavares

 Pilar del Rio

 Vasco Graça Moura

 

 § 2º O Presidente do Júri designará um Comité Executivo, que integra o Júri, constituído por três membros, Manuel Frias Martins, Maria de Santa Cruz e Nazaré Gomes dos Santos, a quem compete:

a)Verificar a regularidade formal das candidaturas recebidas;

b)Efectuar uma primeira leitura e um resumo de cada uma das obras concorrentes;

c)Emitir um comentário sobre cada uma das obras admitidas a concurso;

 

7.O Júri delibera com total independência e liberdade de critério, por maioria dos votos dos seus membros, cabendo ao Presidente o voto de qualidade em caso de empate. O Prémio poderá não ser atribuído, caso o Júri considere, por maioria, que as Obras apresentadas a concurso não têm a qualidade exigida. Haverá um único premiado.

As decisões do Júri são irrecorríveis.

 

8.O Prémio será atribuído em Outubro de 2011 e a sua divulgação será efectuada através dos Órgãos de Comunicação Social. A entrega do Prémio ao Autor galardoado será efectuada em cerimónia pública, em data a fixar.

 

9.As Edições subsequentes da obra galardoada deverão referenciar, em local devidamente destacado do volume e na cinta, a menção “Prémio Literário José Saramago - Fundação Círculo de Leitores”. 

 

10.Os exemplares enviados não serão devolvidos.