[AOS MEUS LIVROS]
Chamaram-vos tudo, interessantes, pequenos, grandes,
ou apenas se calaram, ou fecharam os longos ouvidos
à vossa inútil voz passada
em sujos espelhos buscando
o rosto e as lágrimas que (eu é que sei!)
me pertenciam, pois era eu quem chorava.
Um bancário calculava
que tínheis curto saldo
de metáforas; e feitas as contas
(porque os tempos iam para contas)
a questão era outra e ainda menos numerosa
(e seguramente, aliás, em prosa).
Agora, passando ainda para sempre,
olhais-me impacientemente;
como poderíamos, vós e eu, escapar
sem de novo o trair, a esse olhar?
Levai-me então pela mão, como nos levam
os filhos pela mão: sem que se apercebam.
Partiram todos, os salões onde ecoavam
ainda há pouco os risos dos convidados
estão vazios; como vós agora, meus livros:
papéis pelo chão, restos, confusos sentidos.
E só nós sabemos
que morremos sozinhos.
(Ao menos escaparemos
à piedade dos vizinhos)
[Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]
Fotografia de Pedro Loureiro
Há quem lhe chame já o maior encontro de poetas da História. Com o objetivo de escolher um poeta por cada uma das 204 nações presentes nos Jogos Olímpicos de Londres, um júri contou com a ajuda de leitores de todo o mundo. De acordo com a lista final, Rosa Alice Branco será a representante de Portugal na «Poetry Parnassus», semana londrina (de 26 de junho a 1 de julho) onde se espera quase tudo, até o lançamento de 100 mil poemas de helicóptero. Toda a história aqui.
ALGUNS GOSTAM DE POESIA
Alguns —
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve,
e os próprios poetas
serão talvez dois em mil.
Gostam —
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia —
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.
Poema da Nobel polaca Wisława Szymborska.
Trinta poetas portugueses reunidos numa nova aplicação para iPhone e iPod Touch.
No Teatro Tivoli, dia 16 (data final), a partir das 21h30. Estaremos lá.
Matéria Frágil, como se pode ler aqui.
Juan Gelman, ontem, em Lisboa.
A sétima edição do festival começou ontem com mais 40 poetas de todo o mundo. Até 18 de Abril, em Córdova. Não é assim tão longe.
A centésima sessão do ciclo poético «Quintas de Leitura» do Teatro do Campo Alegre acontece já na próxima quinta-feira (dia 25), às 22h, no Auditório do TCA, no Porto. Oito anos assinalados com uma cerimónia completa. Parabéns!
O autor de o apocalipse dos trabalhadores é o primeiro convidado de «Poesia em Vinyl», projecto organizado por Raquel Marinho e Luís Filipe Cristóvão. Anote: sessão inaugural dia 14 de Janeiro, no restaurante Vinyl (Travessa da Galé, 36, em Alcântara, junto da antiga FIL), a partir das 21h30. Valter Hugo Mãe falará dos seus poemas, com leituras de Fernando Alves e música de JP Simões. A entrada é livre.
«A Poesia em Vinyl é um projecto que pretende divulgar novos poetas e novos músicos, num mesmo evento, a decorrer uma vez por mês, nos primeiros seis meses de 2010. O evento realiza-se no restaurante/bar Vinyl, situado no edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Os poetas convidados nasceram todos depois de 1970 e têm vários livros disponíveis no mercado. A ideia é dar-lhes um espaço onde possam falar sobre si próprios e a sua poesia, seguido de uma leitura de alguns dos seus poemas. Vai também ser convidada uma figura pública para, no final desta apresentação, e antes de dar a palavra ao público, ler um poema do poeta da noite. Uma vez que o Poesia em Vinyl vai decorrer num restaurante, os poetas são também convidados a escolher uma entrada, ou uma sobremesa, ou um petisco de que gostem. A conversa da noite começará, assim, à volta dessa escolha gastronómica do poeta, que é uma forma de começar a quebrar eventuais gelos de início de noite.»
Uma reedição revista e aumentada por Francisco Rico. Entrevista aqui.
De atrasalante en su porfía é o título do mais recente livro do poeta argentino Juan Gelman (n. 1930), vencedor do Prémio Cervantes em 2007.
Em Setembro, a editora Língua Geral publicou no Brasil a antologia A moeda do tempo e outros poemas, de Gastão Cruz, com organização e posfácio de Jorge Fernandes da Silveira e prefácio de Luis Maffei. O poeta português foi entrevistado para o Portal Saraiva Conteúdo.
Antes de receber a 18ª edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana (17 de Novembro), o poeta mexicano merece destaque no El País.«Con 20 años piensas que tal vez un día llegues a escribir con una facilidad, con una certeza y un conocimiento... Y no, nunca. Siempre es por primera vez, siempre. Y, además, la mayoría de las cosas salen muy mal. La mayoría de los textos que haces son malísimos, para que uno te salga bien necesitas hacer 50 muy malos.»
Título do texto de Herberto Helder publicado há dez anos n' A Phala.
Retirados de uma antologia inédita, organizada por José Luís Tavares, e publicados no blogue de José Mário Silva.
É a primeira mulher a ser eleita para um dos cargos académicos e literários de maior prestígio no Reino Unido. Desenvolvimento no Guardian.
O Nobel Derek Walcott desistiu da corrida ao cargo de Professor de Poesia em Oxford depois da carta anónima — acompanhada de fotocópias de uma queixa de assédio sexual que remonta a 1982 — que chegou à universidade inglesa. A eleição para um dos cargos literários mais prestigiantes do Reino Unido continua marcada para este sábado.
Manuel António Pina, João Luís Barreto Guimarães, Jorge Reis-Sá e Rui Lage juntam-se na próxima quinta-feira, às 21h30, na FNAC NorteShopping, para «Uma Tertúlia. Quatro Poetas. A Celebração do Dia Mundial da Poesia», evento organizado pela Porto Editora, que aproveita a ocasião para apresentar quatro novos títulos da colecção «Mundo das Letras»: Folhas Caídas e Flores Sem Fruto, de Almeida Garrett (introdução e notas de Auxília Ramos e Zaida Braga), Só, de António Nobre, O Livro de Cesário Verde, de Cesário Verde (ambos com introdução e notas de Ana Maria Amaro), e Sonetos, de Florbela Espanca (introdução e notas de Noémia Jorge).
A Porto Editora prepara uma grande antologia de poetas portugueses, coordenada por Jorge Reis-Sá e Rui Lage, que será publicada no final de 2009. Mais informações aqui.
Entre 2002 e 2008, 33 poetas marcaram presença nas sessões do ciclo «Quintas de Leitura», promovido pelo Teatro do Campo Alegre (Porto). Agora, o resultado pode ser lido na antologia DIGA 33 – os poetas das Quintas de Leitura, com lançamento agendado para dia 18 de Dezembro, às 22h, no TCA.
O novo livro de poesia de Nuno Júdice, O Breve Sentimento do Eterno (Edições Nelson de Matos), chega às livrarias a 25 de Setembro. Inclui os manuscritos de todos os poemas.
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)