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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Gerrit Komrij (1944-2012)

 

Fernando Venâncio recorda o autor holandês que conheceu Portugal como muito poucos. E que um dia escreveu: «As pirâmides do Egipto hão-de ser realmente impressionantes, os jardins suspensos da Babilónia realmente assombrosos, que nada infunde tanto respeito como a burocracia portuguesa. A quem couber, regularmente, a honra de dar, olhos nos olhos, com os funcionários portugueses, esse apercebe-se da verdadeira necessidade de, querendo contar o que se passa nas repartições às pobres almas que nunca se acharam em tal estado de graça, fazê-lo muito doseado e de maneira deploravelmente atenuada. Caso contrário, muito simplesmente não acreditarão nele. Numa descrição da burocracia portuguesa, nada soa mais inacreditável que a verdade inteira.» Um Almoço de Negócios em Sintra, Gerrit Komrij, ASA, outubro de 1999

Wislawa Szymborska (1923-2012)

ALGUNS GOSTAM DE POESIA

 

Alguns —
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve,
e os próprios poetas
serão talvez dois em mil.

 

Gostam —
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

 

De poesia —
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.

 

Poema da Nobel polaca Wisława Szymborska.

Saramago recordado por Harold Bloom

«José Saramago, whom I remember with great affection, will be a permanent part of the Western canon. He was the first Portuguese-language writer to win the Nobel Prize and is probably best known now for Blindness — an interesting antitotalitarian allegory. His many novels have astonishing variety and sensitivity and a versatile range that embraces tragicomedy and something close to old-fashioned quest romance. My own favorites among his books include the darkly comic The Gospel According to Jesus Christ and the frightening Blindness. But I have more pleasure in returning to his deeply comic works, such as The Stone Raft, The History of the Siege of Lisbon and, most of all, The Year of the Death of Ricardo Reis. In all of his wonderful meditations upon the ruefulness of our lives, there is always the spirit of laughter beckoning us in the art of somehow going on. His achievement is one of the enlargements of life.»

Texto de Harold Bloom, publicado na última edição de 2010 da revista Time [via Bibliotecário de Babel].

Rodolfo Fogwill (1942-2010)

«Um dos três escritores argentinos mais destacados da actualidade», como escreve o El País, faleceu aos 69 anos em Buenos Aires. Perfil, entrevistas e excertos de livros aqui. «El Sur también existe, pero mal» é o título de uma das suas últimas crónicas: «Y sin embargo siguen apareciendo libros. Como siempre las mejores novedades corren por cuenta de pequeños editores: en plena crisis y terrorismo médico-viral, aparecieron no menos de cinco libros muy interesantes, de esos que tarde o temprano se hablará en España. Son obras de autores jóvenes y desconocidos hasta por sus amigos: la editorial unipersonal Paradiso, lanzó Sol artificial, firmado con el seudónimo Zooey y atribuido a un joven y brillante profesor de filosofía. La también unipersonal Mansalva, conocida por su biografía de Lamborghini y por ostentar diseño de cubierta más distintivo de las editoriales de esta lengua, introdujo en julio En la pausa, de un tal Diego Meret, de quien sólo se sabe que ronda los treinta años, que fue obrero textil y que, si logra otro libro de este nivel de calidad, figurará muy pronto en ese seleccionado argentino donde, a falta de mejores, se nos suele poner a Pauls, a Kohan, a Piglia y a mí.»