Eis na íntegra o comunicado de imprensa que acaba de ser enviado para os jornalistas: «O Grupo Porto Editora (GPE) confirma a aquisição da chancela Assírio & Alvim (A&A), concretizada esta semana, no que representa uma nova aposta do GPE na área da Literatura. Com esta aquisição, o GPE assegura integralmente a produção editorial e a distribuição de todo o catálogo da A&A. No âmbito deste processo, Manuel Rosa, o anterior accionista maioritário da A&A, assumirá o papel de colaborador externo para esta chancela, ao passo que Vasco David, que até agora assegurava a coordenação e o acompanhamento das obras da A&A, continuará a exercer as mesmas funções, agora integrado na Divisão Literária dirigida por Manuel Alberto Valente, que assume, desta forma, a direcção editorial desta chancela.
Vasco Teixeira, Administrador e Diretor Editorial do Grupo Porto Editora, considera que “o património da Assírio&Alvim merece este nosso investimento, evitando que a presente conjuntura causasse perdas importantes no panorama editorial. Acredito que temos condições humanas e estruturais para fazer um bom trabalho, honrando o projeto desenvolvido desde a fundação da A&A – e, neste ponto, faço questão de lembrar o mérito ímpar de Manuel Hermínio Monteiro, a quem muito deve o Livro em Portugal”.
Nesta nova fase da sua vida, a A&A vai privilegiar três linhas de trabalho essenciais: a publicação de grandes autores portugueses, com Fernando Pessoa à cabeça, a poesia e a grande herança clássica da literatura mundial.
Entre os títulos a publicar brevemente, destaca-se Um país que sonha – cem anos de poesia colombiana, com organização de Lauren Mendinueta e traduções de Nuno Júdice, que será apresentado no próximo dia 24 de Março, no Centro Cultural de Belém, no âmbito da comemoração do Dia Mundial da Poesia; e Igreja e Sociedade Portuguesa – do Liberalismo à República, de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto.
Em Agosto de 2011, o GPE e a A&A estabeleceram um acordo na área da distribuição que acabou por evoluir, em outubro do mesmo ano, para um protocolo que passava a envolver uma parceria editorial.»
«Um acordo de parceria estratégica para as áreas de edição e de distribuição.» É desta forma que o Grupo Porto Editora e a Assírio & Alvim anunciam a nova ligação editorial. «Os objetivos deste acordo», pode ler-se no comunicado, «são o de dar maior sustentabilidade ao excelente trabalho editorial que distingue a Assírio & Alvim, bem como o de contribuir para que as respetivas obras cheguem a um maior número de leitores. Para a persecução desses propósitos, a Assírio & Alvim beneficiará das sinergias criadas no contexto do Grupo Porto Editora, sendo fundamental sublinhar que a continuidade editorial está expressamente assegurada, preservando-se assim as características fundamentais de uma editora de prestígio reconhecido. O acordo, acrescente-se, «contempla todo o catálogo da Assírio & Alvim, incluindo o designado fundo editorial».
A seguir aqui.
Alexander Mamut, detentor de 6% do HMV Group (do qual faz parte a Waterstone's), fez uma proposta de 43 milhões de libras para a compra de uma das mais conhecidas cadeias de livrarias do mundo.
O valor do investimento ronda os 50 milhões de euros, de acordo com o Financial Times, citado na notícia do Jornal de Negócios. «A entrada da Trilantic, cujos consultores Miguel Pais do Amaral conhecia quando ainda estavam na Lehman Brothers, serviu para financiar a expansão da Leya no Brasil. A mesma fonte indica que a Trilantic irá entrar no conselho de administração da Leya e ficará com uma opção de venda. A Leya é um dos negócios mais recentes da Trilantic, que na Europa também investiu recentemente 50 milhões de euros na italiana Gamenet, uma operadora de “slot machines”.»
«Debemos hacerlo más en otros campos para mantener la independencia. Un agente debe defender en todo momento a su cliente, el autor, y no puede desempeñar bien ese trabajo si depende de un grupo editorial.»
Afirmação de Isaías Gomes Teixeira, administrador-delegado do grupo editorial português. «Está em estudo a entrada muito em breve no mercado brasileiro de uma editora vocacionada para a área escolar.»
O Diário Económico avança que António de Sousa é o parceiro financeiro de Paulo Teixeira Pinto para a criação do novo grupo editorial.
Deverá ser apresentado em Dezembro e integra quatro editoras: Guimarães, Ática, Verbo e Ulisseia. Notícias aqui e aqui.
«Temos grandes ambições no Brasil. Queremos adquirir editoras naquele país.»
«Quanto mais cedo, melhor», disse François-Henri Pinault, administrador-delegado do gigante PPR S.A. (Pinault-Printemps-Redoute) em entrevista ao Wall Street Journal. Desenvolvimento no jornal i.
Segundo o Jornal de Negócios (que cita o diário Expansion), a Prisa «pode encaixar 500 milhões de euros com a venda de 49% da Santillana, a editora de livros do grupo».
Ao final da tarde de hoje, a Leya emitiu o seguinte comunicado:
«A Leya vai iniciar uma nova fase estratégica na construção do grupo editorial de referência em língua portuguesa. A partir de Setembro, a Leya passará a editar directamente no mercado brasileiro.
Para isso, constituiu uma equipa de vinte prestigiados profissionais no meio editorial com o objectivo de desenvolver um plano editorial com mais de 100 livros por ano. A nova editora publicará sobre a chancela Leya e iniciará a sua actividade com o livro “Rastro do Jaguar”, de Murilo de Carvalho, vencedor da primeira edição do Prémio Leya. A direcção editorial será assegurada por Pascoal Soto, que desempenhava as mesmas funções na operação do Grupo Planeta no Brasil.
Com esta iniciativa, a Leya espera estar a dar o primeiro e decisivo passo em direcção à realização de mais um dos seus objectivos estratégicos. A Leya pretende ser um player relevante no mercado brasileiro e, por isso, continua a analisar o mercado latino-americano no sentido de reforçar a sua presença através da aquisição de editoras locais.
A partir de agora, a Leya está em condições de cumprir mais um dos seus compromissos iniciais, que era o de assegurar a publicação dos seus autores em todo o mercado de língua portuguesa, um objectivo importante não apenas para a empresa e autores, mas também para o reforço da cultura portuguesa no mundo.»
Fica assim confirmado que a Leya não avançou para qualquer aquisição de editoras no mercado brasileiro, depois de terem existido negociações (apenas as noticiadas) com o grupo Record, a Companhia das Letras e a Ediouro. A Leya preferiu usar a sua chancela para actuar directamente no Brasil.
«Desde o ano passado o mercado editorial brasileiro está agitado com o desembarque de um ambicioso grupo editorial lusitano. Ninguém comenta oficialmente, mas editoras-chave como Record, Companhia das Letras e Sextante já entraram na mira do grupo português Leya. Todas as tentativas de aquisição, no entanto, naufragaram.
Agora, as negociações estão concentradas na compra de uma participação na editora Nova Fronteira, que pertence à Ediouro. Mas a operação ainda não foi concluída, segundo Luiz Fernando Pedroso, diretor-superintendente do grupo Ediouro. A rigor, o negócio pode nem se concretizar.
Entrar no mercado brasileiro é estratégico para a holding Leya, criada em janeiro de 2008. Antes disso o empresário português Miguel Paes do Amaral, maior acionista do grupo, já vinha adquirindo de forma acelerada editoras em Portugal - inclusive as tradicionais Dom Quixote (que publica a obra de António Lobo Antunes) e Caminho (casa de José Saramago). Na época, Lobo Antunes protestou e ameaçou boicotar a editora sob nova direção. Havia especulações de que as compras visariam apenas uma valorização para revenda futura.
As aquisições continuaram desde então. A holding atualmente já domina o mercado lusitano e reúne 17 casas. As compras incluíram editoras em Angola e Moçambique.
No Brasil, a história é diferente. Ainda que a Leya tenha feito ofertas generosas, nada se concretizou. Na mais rumorosa troca de editora de um escritor nacional dos últimos anos - a de Rubem Fonseca-, a Leya teria oferecido R$ 1,5 milhão pelo passe do autor de Feliz Ano Novo, entre luvas e adiantamento - sem sucesso.
Fontes do mercado agora apontam que o próprio grupo Leya estaria à venda na Europa. “A informação é falsa”, disse à Folha Isaías Gomes Teixeira, administrador-executivo do grupo. Além de negar a venda do grupo categoricamente, ele diz que não comenta as operações da Leya no Brasil.»
Excerto do texto publicado na edição de sábado da Folha de São Paulo (Via Autores e Livros).
«O resultado do leilão foi comunicado pela agente de Rubem Fonseca, Lúcia Riff, aos quatro concorrentes: Objetiva-Alfaguara, Ediouro/Agir, Leya e Record. Rubem Fonseca vai botar no bolso no mínimo 1 milhão de reais, entre adiantamento e luvas. A Ediouro/Agir terá os direitos sobre todos os livros já lançados de Rubem Fonseca e sobre os dois próximos que o escritor irá publicar. Inicialmente, está previsto o lançamento de um romance, já escrito, neste segundo semestre. Fonseca está na metade de um outro livro, que deve ser publicado dentro de um ano.» Texto de Lauro Jardim aqui.
Oktay Erciyaz. Gerd Bührig, Niklas Darijtschuk e Fernando Carro.
Fernando Carro, presidente do DirectGroup Bertelsmann anunciou esta manhã, numa reunião em Lisboa, na qual particuparam também Gerd Bührig (responsável de recursos humanos, comunicação, IT e mercados de língua inglesa e da Europa de Leste) e Niklas Darijtschuk (CFO do grupo), a renúncia de Miguel Martí como CEO do grupo em Portugal e a nomeação de Oktay Erciyaz para esse cargo. Erciyaz está na Bertelsmann há 10 anos e durante 5 anos foi CEO das operações dos DirectGroup Benelux, onde teve a seu cargo os negócios da companhia relacionados com clubes, área editorial, distribuição, internet e livrarias.
Oktay Erciyaz, que já se encontra em Lisboa há algumas semanas, reportará directamente a Gerd Bührig, membro do Board do DirectGroup Global que irá assumir a responsabilidade das operações em Portugal, onde o grupo é proprietário do Círculo de Leitores, das editoras Bertrand, Temas & Debates, Quetzal, grupo Pergaminho, além da cadeia de livrarias Bertrand e da Distribuidora de Livros Bertrand.
Fernando Carro, que prometeu «muitas mudanças para o DirectGroup Portugal», referiu também que Miguel Martí irá permanecer como administrador não executivo, dando apoio a Oktay Erciyaz nesta fase de transição.
Referências no Público e no Correio da Manhã.
Negócio confirmado por Cristiane Costa, editora de não-ficção da Nova Fronteira, quando participava num seminário no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. [Via Blogtailors]
«Caros
Vi que vocês deram um link para uma nota do Blogtailors, que por sua vez cita uma nota publicada num blogue de Niterói, afirmando que eu teria confirmado a compra da Nova Fronteira pelo grupo Leya. Já deixei um comentário no Blogtailors pedindo retificação (que eles deram), no blogue original (que alterou o texto, tirando seu tom conclusivo) e gostaria que vocês retirassem esta nota ou a retificassem.
Simplesmente o que eu disse é que a Nova Fronteira está sendo vendida para o grupo Leya, exatamente como saiu em todos os jornais brasileiros. Não estou tirando o corpo fora. Só não posso garantir o que não sei. Não tenho informações sobre a assinatura do contrato entre os dois grupos e acho mesmo que, quando for assinado, isso será imediatamente divulgado para a imprensa.
Insisto: não posso garantir que o acordo foi assinado. Acredito mesmo que ainda não foi. Então, a notícia é equivocada.
Abraços
Cristiane Costa»
Notícia aqui (via Blogtailors).
Como se pode ler aqui, a venda de livros em Portugal atingiu o ano passado os 380 milhões de euros.
Conforme a LER apurou junto de várias fontes, a Cavalo de Ferro foi vendida à Fundação Agostinho Fernandes, proprietária das editoras Portugália e Sá da Costa e das livrarias Sá da Costa e Buchholz.
Notícia também no Blogtailors.
A Amazon concluiu o processo de compra da AbeBooks, um autêntico «mercado» digital com 110 milhões de livros provenientes de livrarias de todo o mundo.
Frase de Américo Areal, administrador da Byblos.
No Diário Económico de hoje: «O Diário Económico apurou que a empresa de Américo Areal, que vendeu a editora Asa a Miguel Pais do Amaral, hoje já não estará aberta ao público. A Byblos estava à procura de um parceiro que garantisse a viabilidade económica do projecto. No entanto, tal não foi conseguido e, neste momento, já existem dívidas a fornecedores e editoras que se recusam a distribuir livros. Além disso, o Diário Económico sabe ainda que a empresa que faz a segurança do edifício cumpriu ontem o seu último dia de trabalho na Byblos, enquanto que os funcionários de restauração já saíram na terça-feira, dia 18. Já os colaboradores da Byblos, até ao fecho desta edição, não tinham sido informados pela administração sobre qual será o futuro da empresa. Mas o Diário Económico sabe que o cenário mais provável é a venda a outro grupo, podendo a Byblos voltar a abrir portas mas com um novo nome e proprietário»
De acordo com o blogue da Booktailors, «um grupo editorial livreiro, com uma significativa presença no mercado editorial (edição, retalho e produção gráfica) estará em avançadas negociações para adquirir o mais recente projecto de Américo Areal [Byblos]».
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)