Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
A culpa é do manchinhas
01 Junho, 2009

Nem só  de gente fútil vive a biblioteca fútil. Académicos sisudos, como Roger Keeran e Thomas Kenny, também produzem clássicos da futilidade. A obra do duo, de 2004, foi publicada em português pelas Edições Avante!, e já damos o devido desconto exclamativo. Um livro das Edições Avante! é sempre uma longa exclamação, em forma de eufemismo, apologia ou desconversa. O Socialismo Traído é como aqueles militantes comunistas que atacam o ex-militantes comunistas com palavrões e Kinder surpresa: estão chocados e indignados com a traição.
O traidor desta história é Gorbatchov, o homem da mancha na testa. A União Soviética era uma sociedade progressiva e decente, onde havia a paz, o pão, saúde e habitação. Segundo Keeran e Kenny amorosamente informam, o nível de vida era alto, os trabalhadores possuíam bibliotecas e, por exemplo, na Quirguízia toda a gente foi alfabetizada. Não havia nenhuma «crise» na União Soviética, apenas «forças sombrias» que encontraram um «provinciano educado» que as representasse. Quem são essas forças sombrias? Empresários, gente que faz coisas para o seu «ganho pessoal» (que nojo) e que tinha instituído um Estado dentro do Estado: «Os problemas políticos do Partido Comunista estavam intimamente relacionados com a corrupção. Ainda que a causa e o efeito não fossem todos na mesma direcção, as normas partidárias baixas, a fraqueza ideológica, o formalismo, o cinismo e outras fraquezas políticas entrelaçavam-se com a corrupção. A corrupção deu a alguns funcionários do Partido Comunista e do Estado um interesse material na empresa privada. Estes funcionários podiam não estar directamente envolvidos no comércio ou na produção privada, mas de facto estavam envolvidos na sua própria forma de fazer dinheiro ilegalmente». 
Usando Gorbatchov, esta clique implodiu aos poucos os planos quinquenais, a proibição de partidos, a imprensa controlada ou as invasões de Estados soberanos, como o Afeganistão. É, como se vê, escumalha. Gorbatchov recuperou velhas ideias de Bukharin e outros, que tinham cometido «erros» no campo da «liberdade» económica, O Partido Comunista da União Soviética, convém que se diga, nunca foi monolítico, e sempre teve debates profícuos. Por exemplo, o debate que Bukharin teve foi tão profícuo que ele foi executado em 1938. Infelizmente, ninguém fez o mesmo a Gorbi. E deixou de haver esperança para todos aqueles que queriam um mundo com menos desigualdade, ganância, ignorância e injustiça. E também para aqueles que sonhavam com desenhos animados divertidos e com mulheres sem buço.
Gorbatchov, esse grande mafioso, cedeu em toda a linha. Quando ele decidiu transmitir pela TV o Congresso do PCUS, houve (e fico comovido com esta nota) uma quebra de vinte por cento na produção dos proletários soviéticos, entretidos a ver a novela política em vez de laborarem alegremente no kolkhoze, sorrindo no alto dos seus corpos musculados, ladeados de raparigas louras com altas espigas de trigo. 
O Socialismo Traído é um maravilhoso livro fútil porque parece aqueles tios caturras que dizem que nunca ninguém chegou à Lua, e que foi tudo filmado em Hollywood. Ora vejam: «Qual foi a causa do colapso soviético? A nossa tese é a de que os problemas económicos, a pressão externa e a estagnação política e ideológica que a União Soviética enfrentava no início da década de 1980, isoladamente ou em conjunto, não provocaram o colapso soviético. Ao invés, este foi despoletado pelas políticas de reforma específicas de Gorbatchov e dos seus aliados. Em 1987 Gorbatchov voltou as costas à linha de reformas iniciadas por Iuri Andrópov, linha que o próprio Gorbatchov seguiu durante dois anos». Faz sentido. Que sistema é que entra em colapso por causa de problemas económicos, pressão externa, estagnação política e ideológica e, acrescente-se, uma derrota militar? Está-se mesmo a ver que a culpa é do manchinhas. 
Andávamos todos convencidos de que o «(…) socialismo soviético como sistema económico planificado não funcionava e não podia trazer abundância, porque fora um acidente, uma experiência nascida na violência e mantida pela coacção, uma aberração condenada ao fracasso pelo seu desdém da natureza humana e a sua incompatibilidade com a democracia». Mas, como vêem, não foi nada disso. A culpa foi do manchinhas. Somos uns fúteis.

 

Crónica publicada na edição nº 81 (Junho) da LER. Ilustração de Pedro Vieira.

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Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Descasca os teus abacaxis
01 Maio, 2009

Lauro Trevisan é o guru do pensamento positivo. Se me perguntarem quais são as duas convicções mais implausíveis que conheço, eu diria que são a ideia de pensamento positivo e o conceito de «duas sem tirar». Talvez não por esta ordem. Sem Pensamento Positivo Não Há Solução (Dinalivro, 2008), garante Trevisan, e eu acho isto refrescante, quando anda toda a gente a dizer que sem políticas keynesianas é que não há solução. A hipótese espiritual parece francamente mais patusca.
O nosso filósofo de bermudas tem uma receita simples: «Deixa de lado o pessimismo, o desespero, a frustração, a vontade de morrer, isso não leva a nada.» A frustração e o desespero «levaram» a metade da grande arte ocidental, mas deixemos as picuinhices. Trevisan propõe que a gente acredite: «Acredita que és uma pessoa agradável, calma, alegre, feliz, inteligente, positiva, atraente, fascinante e bem-sucedida.» Acredito que nem o George Clooney acredita em tantas coisas juntas na mijinha matinal, mas a minha dúvida é outra. É que a convicção é uma realidade sentida, enquanto o «pensamento positivo» não passa de um exercício de autopersuasão. Como Trevisan não explica como funciona o tal pensamento (em termos químicos e cósmicos) eu continuo mais convencido com métodos antigos, como o de Tom Waits, que ao «power of positive thinking» opunha o mais eficaz «power of positive drinking».
Por falar em bêbedos: é notável que em Trevisan o tom esteja algures entre um grande chefe dacota e um gajo extremamente bêbedo ao balcão: «Terá a minúscula semente de eucalipto o poder de produzir a gigantesca árvore do eucalipto ou é Deus que vem pessoalmente fazer crescer a planta do tamanho que ele quiser? A semente do eucalipto contém o eucalipto? É possível que a semente de eucalipto produza uma laranjeira?.» Chega de Jamesons para este cliente.
A especialidade «positiva» de Trevisan é elogiar o leitor. Quantos livros começam com a garantia: «Sei que és muito inteligente?» E quantos terminam dizendo: «Gostei. Palmas para ti. Mil beijinhos»? Trevisan acumula historietas e citações, que vão de Confúcio a piadas secas de tia velha. O livro foi «aportuguesado» nesta edição, e tem passagens que eu não garanto que não tenham sido escritas de propósito: «Lembra-te que a crise é um estado mental.» E: «Não existe crise para quem não pensa em crise, não vê crise e não fala em crise.» Não vai ser o Obama que vai salvar o mundo, vai ser o Trevisan.
Tudo o que corre mal, explica ele, é imaginação nossa: «Já imaginaste a vida bonita que perdes com esse desânimo e com essa depressão idiota? Não te estou a chamar de idiota, mas sim à tua depressão.» Depois de cada sessão com os apaniguados ele deve ir para casa a pensar «Que bando de idiotas», mas depois lembra-se que não vai vender nada se não regressar aos miminhos. E então garante que temos de saber aquilo que queremos. «Se entras numa loja e pedes um par de chinelos, esperas que te entreguem um par de sapatos de camurça?», pergunta Trevisan, e eu pessoalmente acho comovente que uma alegoria poética contenha a palavra «chinelos».
Saí de Sem Pensamento Positivo Não Há Solução sem solução (e com um par de chinelos). Por mais que me mentalizasse de coisas bacanas, à minha volta continuavam a fechar empresas e eu continuava o último cronista a entregar a crónica no dia de fecho. Há no entanto uma passagem que eu copiei para um caderninho, como uma adolescente apaixonada. Nós estamos demasiado habituados a enfrentar as agruras da vida com conceitos complexos, em alemão, ou com exigências excessivas, em latim. É bom pensar que a nossa vida pode mudar com imagens mais plácidas e comezinhas. Como esta imagem: «Comer abacaxi com casca é terrível, mas, uma vez descascado, torna-se uma fruta saborosa, ainda mais se transformada em sobremesa. / Descasca os teus abacaxis.» Nem conhece-te a ti mesmo, nem penso logo existo, nem amar o próximo como a ti mesmo, nem acabar com a exploração do homem pelo homem, nem deixem jogar o Mantorras; não, uma coisa muito mais simples: «Descasca os teus abacaxis.» Isto, meus amigos, é filosofia e da boa.

 

Crónica publicada na edição nº 80 (Abril) da LER. Ilustração de Pedro Vieira.

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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Um bocadinho palhaço
01 Abril, 2009

O mundo da moda é de facto fascinante: tão inacessível e sofisticado, e ao mesmo tempo tem gente chamada Katty Xiomara.
Decidi procurar bibliografia. Têm aparecido nesta coluna livros fúteis inúteis e livros fúteis úteis. É o caso deste útil manual, Modelo Procura-se, de Ana Borges (Caderno, 2007). Ao contrário do que o título faz supor, não é um manifesto por um novo socialismo na era da globalização. Ana Borges tem a vantagem de usar a palavra «modelo» como nós todos usamos, em vez do mais empinado «manequim», que transforma qualquer esbelta rapariga num episódio tétrico do Twilight Zone. É pois de modelos do mundo da moda que falamos. Ana Borges é directora da agência Elite Portugal, uma entidade que eu invoco sempre com gosto quando me acusam de «elitismo». A autora convive com o crème de la crème da raça ariana (e também com a Nayma), que descreve em tons inquietantemente evocativos: «O corpo ideal é o que parece naturalmente perfeito. Deve ser musculado sem ser em excesso, bem definido e, acima de tudo, harmonioso e elegante. Um corpo seco, sem gorduras, firme e tonificado». Isto, sendo factual, não deixa de parecer um folheto de emprego das SS.
Ana Borges lembra que estamos a falar de pessoas ideais («para as pessoas reais, existem agências especializadas», garante). Uma mulher estonteante com 1,69 m e com a provecta idade de 29 anos está definitivamente out: «Um modelo não pode contar com um futuro eterno como modelo. Uma cara de 25 anos não é igual a uma de 15. Nem em fotografia nem em passerelle. E o mercado é muito exigente. Não se compadece com a idade, tornando-se bastante cruel a esse nível.» Tal como nos manifestos por um novo socialismo na era da globalização, o «mercado» tem as costas largas. Não é o mercado que se torna «bastante cruel», é a própria moda que é cruel. É a própria ideia de beleza que é cruel: porque é que uma combinação de genes dá a Bárbara Elias e outra combinação produz catedráticas de Estudos Portugueses? «A esse nível», tudo isto é um bocado cruel.
Tal como é cruel a situação das modelos. As modelos (o livro também fala de homens, mas saltei essas páginas) são umas adolescentes mais ou menos bimbas, que devem ser guiadas pela Agência. As acusações feitas às modelos, que Ana Borges rebate, são acusações que não fazem sentido quando dirigidas a bimbas adolescentes. Elas são burras? Mas quem é que esperava fluência em Badiou? São fúteis? Mas a vida delas é cremes, champôs, roupas e maquilhagem. São promíscuas? É porque estão longe da família. Estão sempre em festas? Porque são solicitadas. «Mesmo no seu dia-a-dia, um modelo tem de ser um bocadinho palhaço (costumo usar muito esta expressão) […]», explica Ana Borges, que diz que nós é que somos no fundo uns invejosos. E um bocado palhaços.
A Agência descobre modelos através de scouters, a melhor profissão do mundo depois de director do Banco de Portugal: «Percorrem o país inteiro à descoberta dos jovens com mais potencial para se tornarem modelos profissionais. Não andam disfarçados, pelas ruas, em busco do corpo ou do rosto perfeito. Muito menos circulam na noite, ao contrário do que muita gente pensa – à noite não se encontra ninguém bonito, porque a luzes ou a falta delas enganam. A presença desta equipa é agendada para que todos aqueles que sonham ser modelos possam aparecer.» No meio dessa garimpa supimpa, comove a ideia de que «as luzes ou a falta delas enganam», como se houvesse grande diferença entre «a noite» e «a moda». Eu até vos citava Baudelaire sobre a natureza e a ilusão, se não estivesse aqui entretido com a Bárbara Elias.
A Agência (como antes se dizia «o Partido») pega em «diamantes em bruto», que sejam «lindos, claro!», e faz deles uns belos duns manequins. Hidratam-nos, cortam-lhes as espessas molhangas, põem-nos a remar, ensinam-nos a fazer a mala, avisam os cuidados a ter com o herpes e os saltos altos (incluindo aqui os homens). Aquelas que tenham «orelhas de abano» e «bicos-de-papagaio» (cito) podem ir à faca que não vem mal ao mundo. Depois, já formatadas, as nossas queridas modelos são fotografadas e desfiladas, cobrando vários preços de acordo com as suas «categorias» (outra sugestão inquietantemente evocativa). E há algumas surpresas: «Um peito extremamente volumoso limitará hipóteses de trabalho.» Aí está uma frase que também só faz sentido no mundo ideal e não no mundo real. Há mesmo pouca diferença entre a Moda Lisboa e o Fórum de Porto Alegre.
 

Crónica publicada na edição nº 79 (Abril) da LER. Ilustração de Pedro Vieira.

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Domingo, 1 de Março de 2009
O tenista optimista
01 Março, 2009

A astrologia parece-se com a tauromaquia: acumulou tanta legitimação cultural que nem podemos duvidar da sua elevação. És contra as bandarilhas? Então e o Lorca? Duvidas que Plutão influencie o teu exame de condução? Então e Pessoa? Fica-se sem resposta.
Com este pensamento em mente, adquiri o Guia do Amor 09 (Livros d’Hoje), do nosso astrólogo mais mediático. Paulo Cardoso teve a gentileza de estabelecer previsões para o nosso ano amoroso, bem como um útil guia de compatibilidades, que devemos trazer na carteira como se fosse o mapa do metro de Londres.
Em Janeiro, peguei no livro e comecei a ser informado dos meus amores destes próximos meses. Em tal matéria, sou um público-alvo um pouco atípico, porque em Janeiro eu já sei como vai ser o meu ano amoroso seguinte (parecido com o ano passado). Além do mais, sendo Sagitário, fico um pouco desconfiado com a «personalidade Sagitário» que os astrólogos (incluindo Cardoso) descrevem. Serei eu um sujeito «alegre», cheio de «optimismo», imbuído de assinalável «gosto pelo desporto» (nomeadamente a «equitação» e o «ténis), serei bastante «sociável» e com uma «confiança em mim mesmo» inabalável? A minha mãe e o Arquivo de Identificação de Lisboa garantem que eu nasci entre 23 de Novembro e 21 de Dezembro, e os astrólogos garantem que isso faz de mim, quer eu queira quer não, um tenista optimista. Seja.
Analisei então o calendário 2009 semana a semana. Cardoso não prevê coisas genéricas: arrisca e vai ao detalhe. Por exemplo, logo na semana de 5 a 11 de Janeiro é provável que eu tenha problemas com o meu «aparelho digestivo» (e tremo de pensar a ligação deste facto gástrico à minha vida amorosa). Ao longo do ano acumulam-se os conselhos sobre a maneira como me devo vestir, a conveniência de frequentar exposições e, claro, o saudável convívio com os meus filhos (prometo que arranjo uns quantos só para não fazer desfeitas). Na semana de 19 a 25 de Janeiro, estando eu a «pensar no passado» (acontece-me), sou desconvencido por Cardoso nestes termos: «Em vez de pensar no passado contacte o seu amigo Caranguejo ou Peixes». Creio que isso exige uma revisão radical da minha agenda de telefones, que eu até agora, patego, tinha por números e não por signos.
«Por volta de 18 de Fevereiro», glória. «Um sextil de Vénus a Marte proporcionará momentos intensos aos nascidos entre 3 e 5 de Dezembro». Dá-se o caso de eu ter nascido entre 3 e 5 de Dezembro e, vejam lá, de estar a escrever esta crónica num dia 18 de Fevereiro. E, não desfazendo no sextil, ainda não tive hoje nenhum «momento intenso», excepto ter queimado um pouco a língua com um abatanado. Mas ainda são 3 da tarde, never despair, como diria João Carlos Espada.
Exijo que mais tarde ou mais cedo me seja proporcionado um momento intenso, porque eu próprio sou muito intenso. Vem na semana de 4 a 10 de Maio: «Talvez não saiba o poder irradiante que tem em si. O seu lado tímido tem escondido o seu brilho num certo mutismo, que não tem permitido que o avaliem correctamente. É agora o momento de se exteriorizar, de mostrar quem realmente é, vai poder descobrir o seu encanto pessoal». Paulo Cardoso escreve isto, mas creio que não tem muito certeza do que diz, visto que na semana de 18 a 24 de Maio garante: «Poderá sentir uma profunda necessidade de ser amado». Eu contava que o poder irradiante que tenho em mim resolvesse o assunto, mas pelos vistos passada a Páscoa ainda estarei em regime onanista.
Agosto, no entanto, promete. Talvez por causa do «elevado magnetismo pessoal» readquirido em Junho, sentirei o amor «com mais intensidade» entre 17 a 23 de Agosto. Paulo Cardoso assevera que «a intimidade física com a pessoa amada transcende os limites habituais, levando ambos a uma intensa união». Já se sabe, é Agosto, e as pessoas fazem coisas diferentes, por desfastio, entre daiquiris, é só um bocadinho, se doer avisa, está todo no cu da querida. O ano astral não corre mal.
Mas tudo vai por água abaixo outra vez. E de 16 a 22 de Novembro, quase a fazer anos, estarei de novo «mais melancólico» e «absorvido por imagens do passado». Solução de recurso: «arranje um programa com o seu amigo Virgem ou com o seu amigo Touro e verá que tudo melhora». Dá-me ideia que este guia é patrocinado pela ILGA.

 

Crónica publicada na edição nº 78 (Março) da LER. Ilustração de Pedro Vieira.

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