Os agentes do escritor norte-americano aguardavam pelo seu novo romance, mas Cormac McCarthy apareceu com um argumento intitulado The Counselor.
Os 20 escritores com menos de 40 anos cuja obra vale a pena acompanhar, segundo a revista New Yorker.
«Cada vez más me encuentro gente que viene del área de las ciencias, de las Matemáticas y de la Filosofía que ven a Borges como el Julio Verne del siglo XX ya que con sus cuentos de los años cuarenta, marcó los caminos y descubrió cosas imaginarias que luego la ciencia ha logrado realizar.» María Kodama, viúva do escritor argentino, na inauguração da cátedra Jorge Luis Borges na Universidad Nacional de Cuyo.
Conversa de duas escritoras com data e hora marcada: 9 de Abril, às 18h30, na Livraria Buchholz (Rua Duque de Palmela, 4), em Lisboa.
O autor de Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? será o único português, entre 30 escritores estrangeiros, presente no Salon du Livre, em Paris — cuja 30ª edição começa hoje e prolonga-se até 31 de Março —, onde tem marcada uma conversa com o francês Jean d' Ormesson. A Dom Quixote acaba de anunicar ainda que António Lobo Antunes «já concluiu o seu mais recente romance», sem título conhecido, com lançamento previsto para Outubro.
«Eu dizia-lhe que queria ser escritor, que tinha 15 anos e ele respondeu-me com uma carta de uma imensa ternura: ‘Não tenho fotografia porque não sou actor de cinema. Mas se queres ser escritor vê lá porque depois não podes ir ao cinema, não podes ter namoradas, não podes não sei lá o quê… Porque escrever é uma coisa muito difícil e exige muito tempo, tens que passar a vida agarrado ao livro…’ Tinha toda a razão no que estava a dizer. Eu aos quinze anos sabia lá o que era escrever! Escrevia porcarias como qualquer miúdo, tinha dentro de mim a certeza de que ninguém ia escrever coisas como as que eu havia de escrever e só escrevia merda. E fiquei maravilhado. Lembro-me de ter andado todo o tempo que pude com o envelope daquela carta porque tinha o meu nome escrito pela mão dele. Nunca tinha tido contacto com nenhum escritor e até à saída da ‘Memória de Elefante’ também não conhecia ninguém.»
Artigo completo de Isabel Coutinho a partir daqui.
«Sometimes the literary idea conquered him. In one passage, for example, he writes that the fish in Lake Victoria in Uganda had grown big from feasting on people killed by Idi Amin. It's a colourful and terrifying metaphor. In fact, the fish got larger after eating smaller fish from the Nile. Kapuscinski was experimenting in journalism. He wasn't aware he had crossed the line between journalism and literature. I still think his books are wonderful and precious. But ultimately, they belong to fiction.»
Artur Domoslawski, autor de uma biografia de 600 páginas sobre Ryszard Kapuscinski, lançada ontem na Polónia, em declarações ao Guardian.
Ian McEwan, Rose Tremain, Philip Pullman, Lionel Shriver, Roddy Doyle e David Nicholls escolheram o seu favorito. Mas há outros para conferir aqui.
28 de Fevereiro de 1975, «Apostrophes», Bernard Pivot.
O L'Express recupera parte de um «Apostrophes» especial de Bernard Pivot com Vladimir Nabokov (vídeo). Foi a 28 de Fevereiro de 1975, dois anos antes da morte do autor de Lolita.
Crónica em vídeo da visita do escritor peruano a uma das feiras literárias mais importantes da América Latina.
Agustina Bessa-Luís completa hoje 87 anos. Dedicámos-lhe a capa em Janeiro e um especial de 18 páginas (PDF disponível na coluna à esquerda, «Agustina, a indomável»).
A indomável
Por Eduardo Lourenço
Em 1953, uma autora já conhecida de leitores atentos, publica um livro que inaugura uma data na ficção portuguesa contemporânea. O título famoso, como sabemos, é A Sibila, título profético no qual Agustina Bessa-Luís profetiza o seu próprio destino e a sua vocação de vidente e visionária. Esse título representou na época, para quem estava atento, o fim de uma hegemonia que, desde há 15 anos dominava, com razões para isso, o panorama da ficção portuguesa, aquilo a que se chamou neo-realismo. A Sibila não é um romance que se coloque em qualquer oposição, ou ideário, à prática ficcional desse neo-realismo.
É um livro que começa num outro lugar. O lugar que não existia antes dele, pela originalidade da história, pela temporalidade ficcional que é a da memória, ela própria tão inventada como realisticamente evocada, em suma, um tipo de ficção que noutras paragens já tinha obras em que Agustina se podia inspirar, mas que ela renovou e preencheu de um tipo de vivências não só da sua memória subjectiva como do inconsciente duma cultura do Portugal mais arcaico, ou melhor, do imemorial.
Essa obra foi seguida de uma produção torrencial sem precedentes na nossa literatura mesmo se nela integramos Camilo – um dos referentes da cultura desse imemorial que ela levará até à sua incandescência.
Mais tarde, a cultura portuguesa aperceber-se-á que além da originalidade literária de A Sibila enquanto ficção e escrita, uma escrita por vezes aleatória e fantasmagórica, essa obra instaurava sem que ainda se soubesse muito bem uma espécie de longo reinado da literatura feminina em Portugal. No caso dela, mais feminina do que feminista – que Agustina não é nem nessa perspectiva uma ideóloga mas um exemplo da sua ficção povoada de personagens femininas entre as quais a do seu primeiro livro, Mundo Fechado, que impôs um mundo da mulher até então subalternizado com uma evidência que as suas sucessoras receberam já como uma herança natural. Até porque Agustina tinha demasiado humor para ser feminista – sobre as outras mulheres. E, por incrível que possa parecer e muitas vezes não é entendida, sobre ela própria.
Pouco a pouco, Agustina impôs-se como uma paisagem literária sem igual na nossa literatura com livros como A Muralha, Os Incuráveis, O Manto, e mais tarde outros que adquiriram uma segunda vida através do cinema de Manoel de Oliveira como Fanny Owen ou Vale Abraão impuseram-se e entraram não só no imaginário nacional mas universal.
Infelizmente, a escrita constantemente paradoxal e surpreendente de Agustina ainda não encontrou, pela sua dificuldade, o eco que merece. Mas pode esperar. Num livro que particularmente me deslumbrou – Um Cão Que Sonha – Agustina revisita a sua juventude e dá-nos um pouco a misteriosa e insólita perspectiva da sua ficção, como destinada a ser devorada por um outro que será o autor da sua obra em vez dela. Como se ela, que, como é sabido, tão pouco aprecia Fernando Pessoa, inventasse um mito da sua criação proliferante para se converter numa ficção sem autor. E isto pode ser uma fábula que resume o que trouxe realmente de novo Agustina para a ficção da sua época. Menos uma voz que narcisicamente inventa um mundo para se afirmar através dele do que para ser, por assim dizer, a voz anónima das múltiplas memórias do seu universo povoado de figuras cada uma resumindo a extravagância da vida como se fossem seres da natureza indomáveis e imortais. Como ela.
Lisboa, 29 de Novembro de 2008
Tal como Michel Houllebecq, Julian Barnes, Javier Marías ou Richard Ford, também Ian McEwan participou no seminário «La ciudad y las palabras», da Universidade Católica do Chile. Mas não só. Reportagem completa aqui.
Leitura de excertos da obra de Agustina Bessa-Luís por Pedro Mexia, Maria João Seixas, Leonor Silveira e António Mega Ferreira e a exposição biográfica produzida pelo Instituto Camões, com guião de Inês Pedrosa e realização gráfica de João Botelho, fazem parte do programa criado pelo Centro Cultural de Belém para comemorar os 87 anos da escritora que recebeu o Prémio Camões em 2004. Dia 15 de Outubro, na Sala Almada Negreiros. Entrada livre
Texto publicado no blogue da Fundação Malcolm Lowry.
A Academia Brasileira de Letras elegeu o Nobel português como novo sócio correspondente, preenchendo a vaga do escritor francês Maurice Druon (1918-2009).
Aqui.
Primeiros lançamentos ainda sem data conhecida: Sinais do Fogo e duas edições coordenadas por Jorge Fazenda Lourenço. Notícia desenvolvida aqui.
De 31 de Maio a 2 de Junho, para apresentar Elegia Para Um Americano, lançado agora pela ASA, editora que conta ainda no seu catálogo com mais três romances desta autora norte-americana, casada desde o início da década de 80 com o escritor Paul Auster.
Título de uma história de Salman Rushdie publicada na New Yorker.
Altino Tojal, Casimiro de Brito, Luísa Ducla Soares, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Mário Cláudio e Vasco Graça Moura estão entre as 28 figuras que serão distinguidas com uma medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores. A 21 de Maio, Dia do Autor Português.
«Para mim, o blogue é antes um caderno de notas, um arquivo inútil. Nada disso do “diário público do escritor”. É ainda um espaço de escrita em cima do tempo – nesta época portuguesa em que os jornais parecem jogar todos à defesa, cheios de medo do próprio tempo. Um lugar pronto-a-fazer, de uma estranha proximidade impessoal, qualquer coisa entre a tertúlia do passado e a prosa do futuro.» Jacinto Lucas Pires, aqui.
Para comemorar o 80º aniversário de Ana Hatherly, a Quimera lança hoje Obrigatório não ver - e outros textos de comunicação social (anos 1960-1980).
«Os textos reunidos neste volume, escritos entre os anos 60 e 80, constituem um acervo documental sobre a minha actividade de divulgação de alguns aspectos do pensamento e da arte de vanguarda do século XX, através da televisão, da rádio e da imprensa cultural dessa época, trabalho que geralmente não é referido no contexto da minha obra publicada, literária ou artística.
Em virtude da dimensão prospectiva que esse acervo acabou por adquirir, o presente volume tem por objectivo disponibilizar alguns dos textos que o compõem, actualmente de difícil acesso, como por exemplo os guiões do programa Obrigatório não Ver, transmitido pela RTP; os das palestras na RDP 2 sobre as relações entre a literatura do século XX e a cibernética; a série de artigos de crítica musical publicados no Diário Popular entre 1963 e 1965, que cobrem importantes acontecimentos de vanguarda da época — como os concertos de John Cage, os espectáculos de dança de Merce Cunningham na sua ligação com Rauschenberg; e ainda algumas reflexões sobre a própria natureza da escrita para a comunicação social. [...]
O aspecto lacunar de alguns dos guiões dos programas transmitidos pela RTP e pela RDP resulta da impossibilidade de se obter nos arquivos dessas emissoras, apesar de longas e repetidas tentativas, informações concretas sobre o seu actual paradeiro.
Os textos que aqui estão coligidos pertencem ao que, de toda essa minha actividade, restou no meu ficheiro pessoal que, ao longo destes anos, consegui apesar de tudo conservar. Assim, a publicação desta recolha assume não só um valor documental per se mas também o valor de um documentário de uma época da cultura em Portugal que, como este espólio demonstra, foi largamente negligenciada.»
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
Faça já a sua assinatura aqui.
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)