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LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

«Israel não é um país, é uma colecção de discussões ferozes»

«Me cuesta decir "nosotros" cuando hablo de los israelíes, pero por alguna razón me siento confortable aquí. Me gusta Israel incluso cuando no me gusta. Esto no es un país, es una colección de discusiones feroces. Ochomillones de ciudadanos, ochomillones de primerosministros, ocho millones de profetas y mesías. Todo elmundo conoce las respuestas, todos gritan, nadie escucha. Yo escucho a veces, es mi forma de ganarme la vida. La gente de fuera tiende a pensar que los israelíes están divididos por el futuro de los territorios ocupados, o por los asentamientos en los territorios. No, los israelíes están divididos por todo.» Amos Oz, em entrevista ao El País.

Entrevista a Dave Eggers

É coisa rara, mas o The Telegraph conseguiu. Uma entrevista onde o escritor norte-americano fala sobre dois dos seus livros, editados há poucos meses em Portugal: O Que É o Quê (Casa das Letras) - crítica de José Riço Direitinho publicada na LER de Novembro - e O Sítio das Coisas Selvagens (Quetzal) - crítica de Rogério Casanova na edição de Janeiro.

 

Dave Eggers (Boston, 1970) é um dos «meninos de ouro» da nova literatura norte-americana, em conjunto com o imaginativo Jonathan Safran Foer e o eclético Michael Chabon. Jornalista de formação e editor de uma pequena revista cultural, estreou-se nas letras em 2000 com um romance que de imediato o catapultou para as preferências dos leitores e dos críticos, A Heartbreaking Work of Staggering Genius.
O Que É o Quê tem como subtítulo A História de Valentino Achak Deng e o prefácio é escrito por Achak Deng, ele próprio, refugiado sudanês a viver actualmente em Atlanta, revertendo os fundos da venda dos direitos do livro – somos disso informados no final – para várias ONG que trabalham no Sudão. Estes factos poderiam ser despiciendos para uma recensão crítica se não estivéssemos perante um livro que se assume como «romance». Ora quais são então aqui os limites entre ficção e não-ficção? Diz-nos Achak Deng, no prefácio, que durante anos contou oralmente a sua história ao autor e que «este livro é o retrato emotivo da minha vida». Ora é nas emoções (que o escritor não viveu) que se encontra a ficção, e isso nota-se. Pois este romance intenso – ao mesmo tempo picaresco e épico – consegue fazer-nos sentir, de maneira quase vívida, o que é viver noutra cultura. São os mecanismos da ficção que nos fazem entrar na vida do «outro». Com lirismo e precisão nos detalhes, Eggers conta-nos da solidão, do medo, da fome, da doença, dos ataques de animais selvagens, da crueldade nas suas formas mais imaginativas, narrando a vida de Achak Deng durante a guerra civil no Sudão (1983-2005), que teve que deixar a sua aldeia, Marial Bai, quando esta se transformou num campo de batalha entre forças governamentais e soldados rebeldes, quando chegaram os helicópteros e foi queimada e ocupada. Com este «menino perdido» (assim são nomeadas as dezenas de milhares de crianças que se viram apartadas dos pais) visitamos um campo de refugiados na Etiópia e outro – vastíssimo – no Quénia; mais tarde estamos finalmente em Atlanta, onde ele tem uma casa mobilada com dádivas da Igreja Metodista e um emprego na recepção de um health club.
Com inegável talento, Dave Eggers consegue passar para a narrativa a elasticidade necessária para que a história viaje do presente para o passado e vice-versa sem perturbar a atenção do leitor. Este romance singular, apesar de todas as tragédias, não é depressivo nem horrífico, antes se apresenta como um verdadeiro acto de fé e de esperança. José Riço Direitinho [LER nº 85]

A última entrevista de Bolaño

 

John Lennon, Lady Di or Elvis Presley?

The Pogues. Or Suicide. Or Bob Dylan. Well, but let’s not be pretentious: Elvis forever. Elvis and his golden voice, with a sheriff’s badge, driving a Mustang and stuffing himself full of pills.

What do you wish to do before dying?

Nothing special. Well, clearly I’d prefer not to die. But sooner or later the distinguished lady arrives. The problem is that sometimes she’s neither a lady nor very distinguished, but, as Nicanor Parra says in a poem, she’s a hot wench who will make your teeth chatter no matter how fancy you think you are.

What kinds of feelings do posthumous works awaken in you?

Posthumous: It sounds like the name of a Roman gladiator, an unconquered gladiator. At least that’s what poor Posthumous would like to believe. It gives him courage.

 

Excerto da última entrevista de Roberto Bolaño, publicada na versão mexicana da Playboy e desde hoje em inglês em The Last Interview & Other Conversations (Melville House Publishing). Ilustração de João Fazenda criada para a LER (edição de Outubro).