Após uma competição renhida nos últimos meses, eis a frase vencedora do concurso lançado nas páginas do nosso provedor. A autoria é de Mariana Ramos Pereira, 31 anos. A t-shirt LER estará pronta nos próximos meses, sendo esta imagem apenas um esboço ilustrativo, não o desenho final. Brevemente daremos notícias.
The Cats of Copenhagen, agora descoberto e publicado numa edição limitada de 200 exemplares ilustrados, com preços entre os 300 e os 1200 euros, foi escrito numa carta enviada pelo escritor irlandês, então a viver na Dinamarca, ao seu neto de quatro anos Stephen James Joyce. Apesar dos livros publicados por James Joyce terem entrado no domínio público europeu a 1 de janeiro, a dúvida permanece sobre os direitos dos inéditos entretanto descobertos e publicados.
António Mega Ferreira, José Mário Silva e Nuno Artur Silva falam sobre «o seu Borges» no momento em que chegam às livrarias O Livro de Areia e História da Eternidade, os dois primeiros títulos da edição da Obra Completa levada a cabo pela Quetzal. Dia 9 de fevereiro, às 18h30, na Bertrand do Chiado.
Em 1960, Eduardo Lourenço escreveu «A Volta ao Mundo de Avião em 80 Dias», manuscrito que seria publicado em 1961 com o título Pequena Volta ao Mundo. Mas quem assinou o livro de 108 páginas? Lúcio de Sousa Dias, um amigo que pediu esse favor ao ensaísta português, depois de concluir uma grande viagem alguns anos antes. «Estou convencido que com a tua veia literária o livro será um sucesso», escrevia Lúcio de Sousa Dias na carta de 23 de novembro de 1959. Uma descoberta agora revelada nas páginas da LER – e com todos os pormenores.
O espólio do mais recente Prémio Pessoa é um labirinto de páginas soltas ou agendas minúsculas totalmente anotadas. Durante ano e meio, a investigadoraBarbara Aniello recolheu e transcreveu centenas de notas e reflexões de Eduardo Lourenço sobre música, num arco temporal que liga 1948 a 2006. É «o diário musical perdido de Eduardo Lourenço», assegura a historiadora de arte italiana no volume que acaba de organizar para a Gradiva (Tempo da Música, Música do Tempo), e do qual publicamos alguns trechos inéditos.
Há 75 anos, a 1 de fevereiro de 1937,nascia em Coimbra Fernando Assis Pacheco – poeta, ficcionista, jornalista – um dos maiores craques portugueses, desaparecido cedo demais. Dedicamos este número aos seus trabalhos e paixões, e convocámos todos os cronistas. Publicamos contos inéditos de Assis Pacheco (escritos dias antes de morrer), um roteiro sentimental, um extrato da biografia assinada por Nuno Costa Santos, ensaios de Gustavo Rubim e Fernando Venâncio, e quatro colagens originais do autor d’A Musa Irregular, entre outras homenagens.
Ricardo Araújo Pereira e Abel Barros Baptista trocam uma ideias sobre o assunto em conversa com Carlos Vaz Marques. Que assunto? A comédia que mensalmente debatem num anfiteatro da Universidade Nova de Lisboa.
A segunda edição de «15/25» continua a mostrar alguns dos novos talentos em prosa e poesia: Jennifer Jesus, de 19 anos, Olga Alves, de 22, ou Vítor Ferreira, de 18. De Santo André de Vagos a Leça do Balio, de Nisa a Faro, e de Sarilhos Grandes a Santo André de Vagos.
Não esquecemos o último livro de Harold Bloom, os 200 anos de Charles Dickens ou os finalistas dos Prémios de Edição LER/Booktailors. Razões mais do que suficientes para não perder a nova LER, quarta-feira nas bancas.
A obra do autor francês de 61 anos foi distinguida pela 39.ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angôuleme. «O seu traço meticuloso e sensível, a sua paleta de cores espetaculares, o seu sentido da narrativa e a sua escrita fazem de Jean-Claude Denis um artista incomparável», comentou o crítico e editor Dominique Poncet.
A intenção é divulgada num comunicado conjunto da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e do Grupo Almedina, semanas depois do anúncio do encerramento da Livraria Camões, no Rio de Janeiro, e do abaixo-assinado de dezenas de escritores de língua portuguesa.
Até 15 de fevereiro pode escolher aqui o melhor em várias categorias. A cerimónia de entrega terá lugar a 25 de fevereiro, pelas 19.30, no auditório do Correntes d'Escritas.
No momento em que uma nova proposta de lei do PS sobre a cópia privada começa a ser discutida e analisada por um grupo de trabalho parlamentar, a Sociedade Portuguesa de Autores promove um abaixo-assinado que exige uma nova lei.
Um património público europeu disponível a todas as editoras.
Bónus editorial de um projeto que acrescenta mais mil cartas à antologia conhecida da correspondência do escritor argentino.
Um catálogo para compra e empréstimo lançado ontem.
Um embate há muito esperado com moderação de Carlos Vaz Marques. Quem são os protagonistas da capa da LER de fevereiro?
Na arca labiríntica de Pessoa os investigadores Pedro Sepúlveda e Jorge Uribe descobriram 43 textos inéditos sobre «sebastianismo e o Quinto Império». O resultado chega amanhã às livrarias em novo volume da «Nova Série de Obras de Fernando Pessoa», coordenada pelo colombiano Jerónimo Pizarro, que, recorde-se, revela parte deste universo pessoano até agora desconhecido na edição da janeiro da LER (ainda nas bancas).
A poucos meses de completar 71 anos, a histórica Livraria Portugal (Chiado, Lisboa) anuncia que vai fechar as portas devido à quebra de vendas. «Os livros vendem-se hoje em todo o lado: nas grandes superfícies, na Internet, nos correios, a preços e com condições que não podemos acompanhar», justifica António Machado, livreiro há quatro décadas. «O que me dói mais é que contactámos livreiros para tentar deixar este espaço a quem continue no mesmo negócio, mas nenhum se mostrou interessado.»
As Livrarias Bertrand convocam todos os ilustradores portugueses para o desafio «Leitores de todos os tamanhos»: «criar uma mascote a ser usada nos diversos suportes de comunicação das livrarias». Os trabalhos devem ser enviados até 9 de março, e o prémio é de 2500 euros. Regulamento e outras informações aqui.
Por estes tempos, nem todos os números são bons. Nós por cá, esta semana chegámos aos 8500 fãs no Facebook e, pela adesão dos últimos meses, não vamos ficar por aqui. Só podemos agradecer o voto de confiança dos leitores.
Os textos continuam a chegar a bom ritmo e agora também fotografias. O «15/25» está aberto a fotografias e ilustrações. Venham elas.
Antiga, mas conto para introduzir o tema. Uma professora de Ciências pergunta à sexta classe qual a parte do corpo humano capaz de, quando estimulada, aumentar dez vezes o seu tamanho. Uma garota cora e ofende-se; ameaça queixar-se à mãe. A professora ignora-a e dá a voz a outra criança de braço no ar: «A pupila!» Voltando-se para a menina ultrajada, a mestra esclarece: «Ouviste? Essa é que é a resposta certa. Além disso, há três coisas que precisas de saber. Primeiro, a tua cabecinha está a precisar de uma boa limpeza; segundo, não estudaste a lição e, terceiro, um dia vais sofrer um grande, grande desapontamento.»
Foi a minha leitura de mais um capítulo do livro, ainda a cheirar à gráfica, Thinking, Fast and Slow, de Daniel Kahneman, Prémio Nobel da Economia, que me lembrou essa estória e a tornou científica nos pomposos termos de “pupilometria cognitiva”, campo a que aliás o mesmo autor já dedicara um volume inteiro, Attention and Effort (1973), explicando a interrelação entre a actividade mental e a dilatação da pupila; esta supostamente revela o índice de energia dispendido pela mente. Ou seja, acabaram quantificando a velha expressão «Os olhos são as janelas da alma».
A graçola que abre hoje este meu cantinho costuma provocar da parte das mulheres comentários do género: «Vê-se que essa é uma anedota masculina porque isso de tamanho é uma obsessão de homem, não partilhada pelo elemento feminino.» Na verdade, até mesmo o humor para consumo macho confirma a diferença. Em abono da afirmação ressalte-se os graffiti das casas de banho dos homens, informativo estendal de dados empíricos. (Um dia encontrei na privada do Andreas, ali à Thayer Street, um que anunciava «I’m nine inches». Por baixo, alguém acrescentou: «Fine, but how big is your prick?» – fica em inglês porque a tradução, por mais que a tentasse, só podia roubar metade da chalaça). Não tenho estatísticas mas estas realidades de diferenças de género foram ainda há meses corroboradas por ambos os lados dos campos de guerra sexual num programa de Jon Stewart a propósito da voga de jovens exibirem os seus dotes genitais via telemóvel em SMS às miúdas - em inglês, sexting, de texting. (Aliás, não lhes é exclusivo. Lembram-se do congressista Anthony Weiner que por isso teve de dizer adeus ao seu lugar em Washington?) Uma mulher captou o duro da questão: «Percebam os homens que sim, queremos um pénis, mas um pénis que nos oiça e com o qual possamos conversar, e com bom aspecto, para nos dar o prazer de apresentá-lo à família.» O que inevitavelmente me fez lembrar o pai daquela jovem toda século XXI, que prezava acima de tudo a sua liberdade e por isso… «Casamento?!... Nem pensar!» O pai tentava dissuadi-la: «Como mulher, um dia vais sentir a falta de um homem.» A filha, língua desempoeirada e solta, que não. «Para aquilo que os homens ainda servem, há hoje aparelhos eléctricos que desempenham bem o serviço.» Um dia, porém, ao entrar em casa, deparou com o pai na sala. De robe, contemplativo e taciturno, copo de uísque e charuto. Em cima da mesa, diante de si, um vibrador eléctrico. Intrigada, a rapariga indagou e ouviu: «Estou só a descontrair um pouco e a bater um papo com o meu genro.»
Houvesse aqui espaço e contaria uma mais recente sobre o género do computador, por sinal bastante equitativa dividindo a piada a meias entre homens e mulheres. Os ouvintes de ambos os lados acenam anuindo, reconhecendo-se nos estereótipos, um deles o da pecha sexual masculina. Essa verdade consagrada pela experiência histórica foi afinal captada em grande por alguém que corrigiu um provérbio da velha sabedoria americana, transmitido pelas mães às filhas casadoiras: «A way to a man’s heart is through his stomach». A alternativa proposta é: «Quem julga que para chegar ao coração de um homem lhe deve tratar do estômago, está a apontar muito alto.»
Crónica de Onésimo Teotónio Almeida publicada na edição de janeiro da LER.
Entre as 850 cartas de John Steinbeck (1902-1968) reunidas em A Life in Letters há esta em que o Nobel norte-americano responde ao seu filho Tom, então adolescente. Corria o ano de 1958.
New York
November 10, 1958
Dear Thom:
We had your letter this morning. I will answer it from my point of view and of course Elaine will from hers.
First — if you are in love — that’s a good thing — that’s about the best thing that can happen to anyone. Don’t let anyone make it small or light to you.
Second — There are several kinds of love. One is a selfish, mean, grasping, egotistical thing which uses love for self-importance. This is the ugly and crippling kind. The other is an outpouring of everything good in you — of kindness and consideration and respect — not only the social respect of manners but the greater respect which is recognition of another person as unique and valuable. The first kind can make you sick and small and weak but the second can release in you strength, and courage and goodness and even wisdom you didn’t know you had.
You say this is not puppy love. If you feel so deeply — of course it isn’t puppy love.
But I don’t think you were asking me what you feel. You know better than anyone. What you wanted me to help you with is what to do about it — and that I can tell you.
Glory in it for one thing and be very glad and grateful for it.
The object of love is the best and most beautiful. Try to live up to it.
If you love someone — there is no possible harm in saying so — only you must remember that some people are very shy and sometimes the saying must take that shyness into consideration.
Girls have a way of knowing or feeling what you feel, but they usually like to hear it also.
It sometimes happens that what you feel is not returned for one reason or another — but that does not make your feeling less valuable and good.
Lastly, I know your feeling because I have it and I’m glad you have it.
We will be glad to meet Susan. She will be very welcome. But Elaine will make all such arrangements because that is her province and she will be very glad to. She knows about love too and maybe she can give you more help than I can.
And don’t worry about losing. If it is right, it happens — The main thing is not to hurry. Nothing good gets away.
Love,
Fa
Vamos aos números: 20 mil títulos, 400 mil exemplares, 150 editoras nacionais e estrangeiras e preços a partir de um euro. A grande novidade desta edição «é o regresso de obras descatalogadas sem comercialização» disponibilizadas pelo Instituto do Vinho do Douro e Porto. «São, muitas delas, obras raras», acrescenta o Público. A festa continua diariamente até 29 de Janeiro na Fundação António Cupertino de Miranda, no Porto. A entrada é livre.
A 3 de fevereiro, o lançamento de O Livro de Areia e História da Eternidade assinala o início da publicação da Obra Completa de Jorge Luis Borges pela Quetzal.
Entrevista de António Lobo Antunes ao El País, jornal que recupera a fotografia que fez capa da LER em maio de 2008 (nº 69).
«O primeiro livro sai em março. É uma seleção de crônicas de Ricardo Araújo Pereira, um dos grandes fenômenos do humor português, convidado do festival Risadaria deste ano, em São Paulo. Em seguida, é a vez do romance O retorno, de Dulce Maria Cardoso, considerado um dos livros de 2011 em Portugal pelo jornal Público e pelas revistas LER e Time Out. E, depois, E a noite roda, romance de estreia de Alexandra Lucas Coelho», pode ler-se no jornal O Globo, que cita na notícia os Prémios de Edição LER/Booktailors.
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1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
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14. Trinta livros do PNL.
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16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
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20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)