«Neste momento, aqui no Porto não existe vida literária. Há uma espécie de grémio literário muito mais forte em Lisboa. Lá andam muito acavalados uns nos outros. Mas a verdade é que o clima que se respira entre eles é pouco saudável. O ar é muito poluído.»
«Digo frontalmente: António Lobo Antunes é que devia ter ganho o Nobel. Há pessoas que vão ficar zangadas comigo, mas eu assumo. Agora, a escrita dele é muito mais fácil de imitar do que a do José Saramago.»
«Como figura de ficção, Tiago Veiga tem de ser respeitado por razões de afecto. Explico-lhe porquê: uma das maiores deceções que tive foi quando os meus pais me disseram que o Pai Natal não existia. Estava farto de saber mas não queria confrontar essa verdade. Fiquei completamente devastado. Não quero devastar ninguém.»
No mês de todos os regressos, a LER publica uma grande entrevista a Mário Cláudio, autor de Tiago Veiga - Um Romance. Dia 1 de Setembro nas bancas, com outros exclusivos e polémicas, revelados aqui nos próximos dias.
«A 3 de Dezembro de 2010, a Teorema, para mim, e para outros, morreu. Uma morte por agora adiada, mas inevitável.»
Carlos da Veiga Ferreira, em entrevista exclusiva à LER, a poucos meses de lançar os dois primeiros livros da Teodolito: Perder Teorias, de Enrique Vila-Matas, e Os Dias do Arco-íris, de Antonio Skármeta. Sábado nas bancas.
Por agora, podemos dizer que Rogério Casanova estudou estratégia para sobreviver numa praia portuguesa, Irvine Welsh decidiu escrever sobre José Mourinho, o cientista João Magueijo entregou-se à biografia de um cientista tão genial como Einstein, o vocalista dos Moonspell pegou fogo no nosso sofá e sete colaboradores da LER escolheram uma lista de 24 livros à prova de qualquer desculpa para não ler nas férias. Na verdade, há muitos mais na edição de Julho, obviamente, mas nem tudo se revela à primeira — como a próxima capa.
«O pós-modernismo é muito bom porque é uma noite em que todos os gatos são pardos. Serve para muita coisa. Confesso que para mim não saímos disso a que se chamou "a condição moderna". Ela corresponde à dificuldade em encontrar mestres.»
Quem protagoniza a entrevista principal da edição de Julho da LER, brevemente nas bancas?
[...] Sente-se marginalizado ou injustiçado?
Várias vezes. Mas injustiça maior é ainda não me terem atribuído o Prémio Camões, e já o merecia há muito tempo. Aliás, isso foi-me dito pelo Prof. Carlos Reis. E o Fernando Dacosta disse-me que num ano tinha existido má vontade contra mim.
Como explica essa má vontade?
Por ser comunista.
[Urbano Tavares Rodrigues, entrevistado por Carlos Câmara Leme]
***
ARTURO PÉREZ-REVERTE O CORSÁRIO ARISTOCRATA
O Assédio compila todas as marcas do imaginário do escritor espanhol que garante que a mulher é o único herói interessante do século XXI. Um homem que gosta de regras, escreve romances à moda antiga para fazer frente a um mundo cada vez mais desregrado e ameaçado pelo caos e vive com o passado colado à pele. «Nunca regressei da guerra. Por vezes, quando leio Lobo Antunes sinto que também ele não regressou. Comportamo-nos como gente normal, mas sabemos que não somos.»
CORMAC McCARTHY ENCONTRO COM O MESTRE
A viagem de Paulo Faria pelo Texas e Novo México terminou como devia. Ao fim de anos de troca de correspondência, o tradutor português conseguia finalmente encontrar-se com o escritor a quem chama «Mestre»: Cormac McCarthy. Relato de uma peregrinação apaixonada.
MANUEL ANTÓNIO PINA CAMÕES INESPERADO
«É a coisa mais inesperada que poderia esperar.» Se Manuel António Pina se surpreende pela distinção com o Prémio Camões, tal não acontece a quem acompanha a sua obra de perto, como Osvaldo Manuel Silvestre. Um texto indispensável para perceber toda a dimensão de um grande poeta.
URBANO TAVARES RODRIGUES «NÃO PENSO VOLTAR A ESCREVER UM ROMANCE»
Aos 87 anos, o decano da literatura portuguesa publica o seu 45º título de ficção, Os Terraços de Junho - Contos e Sonhos. «Não penso voltar a escrever mais algum romance porque tenho receio de não o acabar, de morrer antes. Essa é a razão mais próxima de optar pelo conto.»
EMIL ZATOPEK A LENDA SOBREVIVE
Um dos últimos mitos do atletismo mundial podia ter acabado a sua vida a recolher lixo nas ruas de Praga. Ainda assim, aclamaram-no sempre como herói. Correr foi a sua história. Correr é hoje a biografia de um desportista fabuloso.
E ainda: Manuel Hermínio Monteiro, Vitorino Magalhães Godinho, Dinis Machado - entre dezenas de livros, crónicas, breves, listas, histórias & apontamentos e outros manifestos.
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Após anos de troca de correspondência e oito laboriosas traduções dos romances de Cormac McCarthy, Paulo Faria conseguiu realizar um dos seus sonhos: encontrar-se com o autor de Meridiano de Sangue em Santa Fé, no Novo México. Um relato exclusivo na edição de Junho da LER, brevemente nas bancas. Fotografia de Peter Josyph.
Ainda mais obrigatória a próxima edição da LER, brevemente nas bancas.
«Vejo os perigosos meios literários portugueses com menos encantamento. Enjoam-me um bocado, se quer que lhe diga.»
[Pedro Tamen, entrevistado por Carlos Vaz Marques]
PEDRO TAMEN FORMADO EM DIREITO E SOLIDÃO
Chamaram-lhe em tempos «poeta barroco» e ele ri-se. Gosta de dizer que escreve no escuro. É esse o tema do livro que acaba de publicar. Um Teatro às Escuras (Dom Quixote) é a encenação poética da incapacidade intransponível de nos entendermos sem equívocos. A vida é um palco de sombras.
KARL P. EFFIELD O PRÉ-HETERÓNIMO DESCONHECIDO
«The Miner’s Song» não só é o primeiro poema em inglês publicado por Fernando Pessoa, como também o primeiro publicado com outro nome, facto até hoje desconhecido. Karl P. Effield nasce, num caderno de adolescência do poeta, como autor de From Hong Kong to Kudat. Uma vertiginosa história pré-heteromínica com epicentro em Durban.
ALBERTO MANGUEL DEUS, DANTE E O CÃO
Por entre as 30 mil obras da sua biblioteca em Poitou-Charentes, o escritor canadiano nascido argentino escolhe de novo A Divina Comédia para regressar à LER com este ensaio exclusivo, onde o «poema universal» ganha protagonistas inesperados.
MICROCONTOS 34 CIGARROS
Se ainda não há unanimidade quanto à definição do género, restam poucas dúvidas sobre o nome da «imperatriz» do nanominimicroconto: Lydia Davis, ex-mulher de Paul Auster e autora de Break it Down – Demolição, um dos seus maços literários mais célebres, onde o tamanho não interessa e o tempo é medido a partir do momento em que o isqueiro se acende.
JOGO SORTE OU DESGRAÇA LITERÁRIA
Para distrair o leitor do tédio e da crise, criámos um jogo sem paralelo no mercado português (é verdade que sem tabuleiro, dados ou peões, ainda assim com direito a dupla página). Não há regras – é sempre em frente –, mas há que ter cuidado com as armadilhas. Algumas com peso.
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«Um dos fenómenos que explica a ausência de revolta e do respectivo grito é que os papás estão a aguentar. Se há agora uma geração precarizada ela está a pagar, de certa maneira, o preço do apaparicamento que a geração dos papás – inclusive a minha – teve. Houve realmente oportunidades que nunca ninguém tinha tido em Portugal e provavelmente não vai voltar a ter tão cedo.»
[Manuel Villaverde Cabral, entrevistado por Carlos Vaz Marques]
MANUEL VILLAVERDE CABRAL DISCURSO ALTERNATIVO
Sociólogo, historiador e cientista político, dedica-se há décadas ao estudo da sociedade portuguesa. Mesmo em tempo de crise, falta um discurso credível alternativo ao statu quo vigente, diz Villaverde Cabral. Não é um lamento, é uma constatação. Porque a conclusão seguinte é a de que esse discurso global alternativo não é possível e talvez nem sequer desejável.
20 LIVROS PARA ENCARAR O ABISMO
Não há soluções milagrosas, caminhos de sentido obrigatório ou conclusões definitivas. A diversidade de pensamento de Fernando Savater, Gilles Lipovetsky, Tony Judt, Robert Fisk, George Steiner, Eduardo Lourenço, Slavoj Zizek ou Peter Sloterdijk oferece várias propostas para enfrentar a encruzilhada. Esta e outras.
BARACK OBAMA RETRATO DO ANTICRISTO ENQUANTO JOVEM
Nunca a fé em Obama esteve tão em crise. Dois anos após a tomada de posse do 44º presidente dos Estados Unidos, o que podemos ainda esperar do homem que um dia quis ser escritor e cuja biografia mais completa é assinada por David Remnick, editor da New Yorker? «A tendência instintiva de Obama para o compromisso diluído criou um vazio simbólico», conclui Rogério Casanova.
JOHN M. KEYNES O MESTRE E A DONA DE CASA
Setenta anos depois, as teses do famoso economista inglês regressam ao debate político. Ponto de partida para uma discussão em aberto com três novas edições.
DICIONÁRIO PARA QUEM QUER SAIR DA CRISE
O tempo não está para brincadeiras. Em 45 entradas (um pouco mais) a salvação possível num mosaico composto por Gisele Bündchen, OuLiPo, surtos de violinistas, reparação de torneiras, ginastas de leste, legiões de pombos, petróleo na costa algarvia ou o canal de televisão de Medina Carreira.
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GONÇALO M. TAVARES
«Acho que todos os meus livros têm esse outro mundo, que me é natural: o mundo do humor e da ironia. Como se as palavras fossem coisas materiais e nós pudéssemos ver as costas das palavras, a parte de baixo das palavras; como se pudéssemos levantar a saia das palavras. Instintivamente, quando recebo uma frase, quando ouço uma frase, é como se me movimentasse em redor dessa frase. Isso é-me muito natural.»
OS LIVROS QUE NÃO DEVEMOS ESQUECER
Escolha é escolha – e nós fizémos a nossa, com a ajuda de José Mário Silva, Dóris Graça Dias, Sara Figueiredo Costa, Filipa Melo, José Riço Direitinho, José Guardado Moreira, Rogério Casanova e Bruno Vieira Amaral. Escolhemos 25 livros, entre centenas que passaram pelas páginas da LER até Novembro. Podiam ser mais, a começar, desde logo, pelos destaques desta edição, onde escrevemos sobre os novos livros de Gonçalo M. Tavares, a poesia de Armando Silva Carvalho ou os regressos de Knut Hamsun e Roberto Bolaño.
EGAS MONIZ O CIENTISTA IMPROVÁVEL
«O lugar na história que Egas Moniz procurou com tanta persistência e perícia é seu e de pleno direito. Tudo nasceu na mente de um clínico pragmático e impaciente quanto às limitações da sua arte, que, simplesmente, decidiu deitar mãos à obra. A perseverança e a ambição fizeram o resto», escreve o neurocientista João Lobo Antunes na biografia do Prémio Nobel da Medicina. Pré-publicação exclusiva.
JOÃO BARRENTO ATENTO AOS PIRILAMPOS
Ensaio, literatura, crítica, poesia, o mundo contemporâneo e os seus «pirilampos» - matéria-prima para uma conversa com o ensaísta que ainda consegue ver luz ao fundo do túnel. «Ao contrário das visões pessimistas que têm aparecido, penso que há imensos focos de vida cultural intensa e interessantíssima». Tem novo livro publicado: O Género Intranquilo – Anatomia do Ensaio e do Fragmento (Assírio & Alvim).
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ANTÓNIO DAMÁSIO OS CIENTISTAS DEVIAM SER TAMBÉM PENSADORES
Com O Livro da Consciência (Círculo de Leitores/Temas e Debates), o mais conceituado neurocientista português vem mais uma vez desassossegar as nossas percepções sobre aquilo que faz de nós, humanos, por vezes demasiado humanos. António Damásio confessa ainda as suas tentações literárias e admite que um dia poderá publicar os textos que guarda na gaveta.
O CÉREBRO LITERÁRIO A SÍNTESE POSSÍVEL
Habituado ao consultório literário, Rogério Casanova avança para a explicação de um dos maiores mistérios humanos: o processo criativo. «O cérebro flutua num charco de fluido cefalorraquidiano, também conhecido como “álcool”. Este fluido é produzido pelos plexos coróideos, e flui pelo cérebro dentro dos “ventrículos de Hemingway”, guiados por um forte sentido de desmasculinização e contingência cultural.»
TONY JUDT CRISE COM HISTÓRIA
Poucas semanas antes de morrer, o historiador britânico publicou Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos, que as Edições 70 lançam agora em Portugal. «Nesta altura já deveríamos ter aprendido que a política continua nacional, mesmo que a economia não: a História do século XX oferece provas abundantes de que, mesmo nas democracias saudáveis, as más escolhas políticas costumam triunfar sobre cálculos económicos “racionais”.»
LEITORES DIGITAIS EM OITO PROPOSTAS
Não têm cheiro, mas gigas de memória. Não precisam de prateleiras – em poucos centímetros guardam centenas de ebooks. Não suportam folhas de papel, nem lombadas, mas sim «formatos», como o PDF ou o RTF. E custam entre 135 e 350 euros.
JOHN IRVING SEXUALIDADE COMO PROTESTO
Aos 68 anos, e com 12 romances publicados, o ex-lutador de wrestling, vencedor do National Book Award há três décadas e o autor do recente e ambicioso A Última Noite em Twisted River (Civilização) mostrou em Lisboa que continua combativo. «Escrevo sobre sexo porque gostava que a América crescesse.»
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Nesta edição invertemos o calendário: falamos de viagens em Setembro como poderíamos falar do calor do Verão em Dezembro ou dos amores de Outono em Março. Como um ritual de arrependimento (pelas viagens que não fizemos), a identificação de uma crise (as viagens que não pudemos fazer), um lugar de paixão (as viagens que recordamos).
JOSÉ MATTOSO - AO SABOR DA HISTÓRIA
O historiador e antigo monge beneditino encontrou refúgio numa aldeia de Aveiro, à beira-Vouga, de onde gosta «de olhar para a História com um espírito contemplativo.» Portugal, Deus, Timor, Saramago e até o programa Novas Oportunidades – uma entrevista com o profícuo autor e coordenador dos recentes Património de Origem Portuguesa no Mundo, a História da Vida Privada em Portugal e Portugal - O Sabor da Terra.
DIÁRIOS DE VIAGENS - NOTAS COLADAS À PÁGINA
Há 50 anos, Eduardo Lourenço tentava descortinar a alma mexicana; Paulo Faria continua a pesquisar os arquivos de Cormac McCarthy no Texas; Eduardo Salavisa, de caneta preta e aguarela, viaja por Buenos Aires, Marraquexe, Veneza e Cidade da Praia; Isabel d’Ávila Winter escreve na Austrália sobre Portugal; e Susana Moreira Marques persegue, em Zurique, o rasto de um nome mítico da literatura de viagens: Annemarie Schwarzenbach.
ROTEIRO DE ARTISTA - DE HOMERO A ROTH
Rogério Casanova em rota de colisão com a Grécia de Homero, a Praga de Hrabal e Kafka, a Rússia de Gogol, a Tanzânia de Hemingway, a Angola de Kapuscinsky, a Índia de Naipaul, o Sudeste Asiático de Conrad ou a Newark de Roth. Sugestões para dar meia-volta, todo o ano.
DEZANOVE LIVROS DE VIAGENS PARA LEVAR NO BOLSO
Há livros que nunca entrarão nas listas de «livros de viagem» ou de «literatura de viagens». Fazem parte da bagagem que cada um transporta - romances, histórias que atravessam cenários e mapas de lugares onde se esteve ou onde nunca se chegará.
MARIA GABRIELA LLANSOL - ESCRITA SEM FIM
Na casa que foi a de Maria Gabriela Llansol, em Sintra, o tempo não ficou suspenso após a sua morte, em 2008. O Grupo de Estudos Llansolianos prossegue aí o tratamento do imenso espólio inédito da autora de Livro de Horas. Pelo caminho, ilumina-se de novo uma obra aberta.
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Editorial
Agora, que passou o ruído, o que se espera da memória? Que seja como é. Infiel, fidelíssima, honesta, deturpada, o que for. Por isso era bom pensarmos que a memória dos escritores fica entregue – e bem entregue – aos seus livros. São eles o testemunho dessa passagem, por mais intensa ou marcante que tenha sido. No caso de José Saramago, certamente que o foi.
Para muitos dos seus leitores – restam os livros, o interesse renovado (ou não), a fidelidade a um título ou a outro. Tudo o mais, na vida dos escritores, está condenado a ser frágil, criticável e sujeito a escrutínio severo (político, pessoal e também literário) e inevitável. Sabe-se como são raros os consensos e como são perigosas as unanimidades. As honras nacionais, o testemunho dos seus contemporâneos, a dor expressa em público, a voracidade das repórteres de televisão que procuravam a polémica política (mas não o debate) – tudo isso desaparece quando a memória de um escritor (além do seu espólio, dos seus manuscritos) se sintetiza e se torna mais viva nas livrarias, nas bibliotecas, nas mesas de leitura. O resto não é literatura e não nos interessa.
A vida de revistas como a LER não é feita apenas de «planeamento rigoroso». Há uma parte do nosso trabalho diário que corresponde a essa exigência – e uma parte altamente improvisada. Esta edição sai com uma semana de atraso e a justificação é evidente: no passado dia 18 de Junho estava praticamente fechada, aguardando impressão. A notícia da morte de José Saramago obrigou-nos a redesenhá-la e a atrasar a sua edição.
José Saramago foi um amigo da LER e esteve presente em muitas das nossas edições. Recordamos neste número algumas dessas presenças – com isso, os seus livros nunca se ausentarão.
As dezenas de páginas que, por esse motivo, não se publicam agora, regressarão na próxima edição.
Francisco José Viegas
INÊS PEDROSA
INTIMIDADE E BOM SENSO
Como conta Carlos Vaz Marques, só por duas vezes a escritora e directora da Casa Fernando Pessoa mede as respostas nesta entrevista: quando fala da sua experiência na primeira candidatura presidencial de Manuel Alegre ou das relações entre escritores. Ao quinto romance (Os Íntimos), Inês Pedrosa entra a fundo na amizade masculina, ela que encontrou neste sentimento, mais do que no amor, o tema da sua literatura.
MARK TWAIN
NAS BRAÇAS DO MISSISSÍPI
Deve o nome ao «rio velhaco» que se tornou com o tempo «um livro maravilhoso». Quando se completa o primeiro centenário sobre a morte do autor de As Aventuras de Tom Sawyer, Teresa Cid, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ensaia uma viagem pelas margens de um pujante território ficcional.
FUTEBOL
SELVAGENS E SENTIMENTAIS
Valdano lia Benedetti antes dos jogos, Maradona tinha os seus livros escolhidos pelo preparador físico – dois episódios, entre outros, que ajudam Luís Freitas Lobo a explicar que tudo se joga entrelinhas. Mas se há dúvidas, Rogério Casanova avança com um glossário, os cronistas da LER entram em campo e, no fim, sempre pode (re)ler 20 livros que tratam a bola por tu.
FERNANDO PESSOA
CHARADAS DE GAUDÊNCIO NABOS
Há cem anos, um dos pré-heterónimos de Pessoa publicava duas charadas no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, best-seller que unia 20 mil leitores nos dois lados do Atlântico. O Dr. Nabos, como verá, sabia do assunto.
NORMAN MANEA
VARIAÇÕES PARA UM AUTO-RETRATO
Nem de propósito. Conhecedor da obra de Pessoa, o escritor romeno revela-se em O Regresso do Hooligan, finalmente traduzido em português. «É muito difícil escaparmos à nossa mãe judia, onde quer que estejamos. Continuo a testar a literatura como forma de fuga.»
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Perceberá algumas das diferenças na LER a partir de sexta-feira. Entretanto, aceitam-se apostas para a figura de capa.
A LER estará diferente na primeira semana de Maio. Por estes dias, estamos em acertos e afinações.
Hélia Correia – O meu nome é Lizzie
Adoecer marca o regresso literário da autora de Lillias Fraser. Romance biográfico, nasce da história de amor entre Elizabeth Siddal e Dante Gabriel Rossetti, com a Inglaterra do século XIX e o grupo dos pré-rafaelitas como pano de fundo. Um livro com voo marcado: o voo do destino, do amor e da doença como luz e danação.
Manuel Alegre – O lírico sou eu
É mais um fragmento das memórias que o poeta e político que quer chegar ao Palácio de Belém nunca escreverá: O Miúdo Que Pregava Pregos Numa Tábua, recém-lançado pela Dom Quixote. Em mais de duas horas de conversa, Manuel Alegre não dá cavaco às presidenciais e fala de poesia, da escrita, dos adversários, da maledicência literária (e da outra), do poder e do marialvismo.
Colm Tóibín – O’Brien, Borges e Pessoa
O escritor irlandês, finalista repetente do Booker, que no início do ano venceu o Costa Award com Brooklyn, ensaia para a LER uma trilogia da grande literatura com ressonâncias geográficas, que parte de Dublin, atravessa Lisboa e chega a Buenos Aires. «Tal como os romancistas do século XIX fetichizaram o mundo, Borges, Pessoa e O’Brien fetichizaram o livro.»
Auto-ajuda – Regras para ficção
José Eduardo Agualusa, José Rentes de Carvalho, Rui Cardoso Martins, Inês Pedrosa, Dulce Maria Cardoso, Rui Zink, Valter Hugo Mãe e Miguel Real como nunca os viu: em terapêutica versão de auto-ajuda para combater a crise. Sem espinhas, fraldas ou novelas das oito. E com direito a brinde: um «Manual de Escrita Criativa».
Inéditos – Cartas para Sophia
Quatro cartas e outros tantos bilhetes-postais enviados por Jorge de Sena a Sophia de Mello Breyner Andresen são a mais recente descoberta do espólio à guarda do Centro Nacional de Cultura, e integram a terceira versão (editada pela Guerra & Paz) da correspondência trocada entre os dois escritores ao longo de 20 anos.
E AINDA
Sofá. «Há espaço para que te deites junto a mim», garante Alexandre Andrade, professor da Faculdade de Ciências de Lisboa e um dos bons segredos na literatura portuguesa.
Brasil. Mistérios e mitos de Luiz Ruffato, um autor que se afirmou na última década e não gosta de pirataria. Quem gosta?
Correntes. Ressonâncias do encontro literário da Póvoa do Varzim: um belíssimo texto de Manuel da Silva Ramos, um encontro a quatro e uma dupla de portefólio.
Poesia. Joaquim Manuel Magalhães encurtou a sua obra poética para um livro, um «livro mau, sem sentido», escreve Jorge Reis-Sá.
Pré-publicação. Primeiras páginas dos novos romances de Inês Pedrosa e Mário de Carvalho.
Provedor. Depois da última edição da LER, os criativos da Marvel criaram um novo herói da BD: o Super Valter. Cacha das boas. As coisas que o nosso provedor sabe…
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Valter Hugo Mãe – Os ossinhos do ofício
Ao quatro romance, a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe muda de editora mas continua a pensar poder «salvar o mundo». Já aceita a ideia que é melhor romancista do que poeta, e confessa estar a escrever o próximo livro com maiúsculas. De uma coisa não abdica: mostrar o que vai a alma. Uma entrevista que é um longo desabafo.
Receitas – Literatura como prato principal
Todos os anos, o Goncourt é decidido no Restaurante Drouant, em Paris, sob o olhar atento de Antoine Westermann, também consultor gastronómico da Fortaleza do Guincho. Por isso, desafiámos o seu chef executivo, Vincent Farges, a recriar e interpretar quatro passagens culinárias de Marguerite Duras, Fialho de Almeida, Camilo Castelo Branco e Cesário Verde. E não é que aceitou?
Livros – Notas de gastrónomos
O prato principal de José Bento dos Santos passa pela cozinha e pelos milhares de livros da sua biblioteca pessoal. Escolheu uma ínfima parte para nos ajudar a perceber de que é feita esta arte milenar. Há mais: David Lopes Ramos aconselha alguns títulos obrigatórios para ler à mesa e Paulo Moreiras divulga os mais recentes vencedores portugueses dos «óscares» da literatura gastronómica.
Reportagem – O inesquecível salmonete
Durante dois dias, Rogério Casanova visitou o restaurante mais antigo de Portugal. Surpreendeu-se com as manobras na cozinha do chef José Avillez, aprendeu os 22 mandamentos do Tavares e atribuiu, com solidez gramatical, a sua nota final, com inevitáveis considerações pelo meio. O primeiro passo de um potencial gourmet.
Maria de Lourdes Modesto – Sentir o sabor português
Aos 79 anos, a autora de Cozinha Tradicional Portuguesa conserva a abertura de espírito, a curiosidade e o perfeccionismo que a tornaram famosa. Com Modesto, definitivamente, ninguém fica a meio caminho. Ou não: «Estamos numa altura em que não se sabe para onde vai a gastronomia ocidental.»
E AINDA
Brasil. Guia Afetivo da Periferia é a prova de que Marcus Vinícius Faustini se revela na literatura brasileira contemporânea.
Inédito. Cozinha do Ribatejo, ainda por publicar, é a derradeira peça de um valioso puzzle da história de alimentação portuguesa, contada por um saudoso mestre: Alfredo Saramago.
Savarin. «Verdadeira certidão de nascimento da gastronomia», Fisiologia do Gosto, clássico de 1825, regressa às livrarias portuguesas com introdução de Roland Barthes.
Pré-publicação. Páginas inéditas de O Olho de Hertzog, romance do moçambicano João Paulo Borges Coelho, galardoado com o Prémio LeYa 2009.
Sala do Escritor. José Quitério é (talvez) o último crítico resistente às novas tecnologias: escreve as suas crónicas gastronómicas à máquina e envias-as por fax para o Expresso.
Provedor. As coisas que o nosso provedor descobre quando está sentado na mesa ao lado: José Aniceto Fernandes é o Mário Crespo da Literatura.
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António Manuel Baptista – Ciência e Poesia
A exigência que coloca na discussão do conceito de «Ciência» talvez esconda o humanista por detrás do físico: alguém para quem a poesia de Rilke foi um «terramoto» e que fez as primeiras experiências no quintal de casa motivado pelos romances de Júlio Verne.
Ensaio – As guerras sobre a Ciência
Professor de Matemática na Faculdade de Ciências de Lisboa, Jorge Buescu propõe uma leitura moderna, culta e original sobre o clássico «abismo de incompreensão mútua» defendido por C.P. Snow em «As Duas Culturas». Se não forem os cientistas a comunicar a Ciência com rigor, quem o fará por eles?
50 livros – Divulgação no século XXI
José Riço Direitinho escolheu alguns dos principais títulos publicados em Portugal nos últimos 10 anos. Por entre Matemática, Física, Cosmologia, Biologia, Neurologia, Genética ou Química, destacam-se descobertas, lançam-se pistas e contam-se histórias para entendermos um pouco melhor o mundo em que vivemos. Escolher não é uma ciência exacta. Nem desejamos que seja.
Rogério Casanova – Conceitos básicos de Ciência
Porque nem tudo é relativo, só uma análise microscópica nos podia ajudar a perceber, em toda a sua dimensão ficcional, o modelo atómico, o Big Bang, a fotossíntese, a termodinâmica e a selecção natural.
Poesia portuguesa – O princípio da arca de Noé
«A antologia Poemas Portugueses quer ser justa e panorâmica, oferece muito verso para ler, mas exibe sem querer as ilusões do critério nacional (em crise sem retorno) e obriga as “flores” a conviver com basta erva rasteira», escreve Gustavo Rubim, professor da Universidade Nova de Lisboa.
E AINDA
Sofá. Manuel da Silva Ramos aproveitou o sofá para reler O Sofá, da autoria de um mestre de Sade. «Os meus romances não falam de gente etérea.»
Alberto Velho Nogueira. Poeta e ficcionista, vive há 40 anos na Bélgica, onde escreve os seus livros. «Escrevo em português por razões puramente económicas.»
A Voz do Brasil. Eduardo Coelho apresenta novos autores das periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo que modificaram a literatura brasileira.
Wilkie Collins. A Mulher de Branco regressa às livrarias portuguesas 150 anos depois da publicação original. Motivo para recordar o escritor que viveu na sombra de Dickens.
Próximo livro. Helder Macedo tem dedicado os seus dias à «obra tão completa quanto possível» de Bernardim Ribeiro, mas gostava de voltar a escrever poesia.
Provedor. Propostas para o Carnaval: um salto de pára-quedas com José Gil, um baptismo de rappel com Manuel Clemente e uma ida aos karts com João Carlos Espada.
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Quem é a figura de capa da edição de Fevereiro da LER, nas bancas a partir de dia 2? Uma pequena ajuda: o autor não é ficcionista. Ao primeiro participante (devidamente identificado com morada ou número de telefone) a acertar oferecemos dois livros e uma pen de 2 GB do Sapo.
As seis páginas ilustradas que acompanham o ensaio de Henrique Raposo («Enterre-se o liberalismo kung fu») na mais recente edição da LER (desde a semana passada nas bancas) têm um autor: Pedro Vieira, o nosso «ilustrador residente». Um belíssimo autor que, por lapso, não aparece identificado nessas páginas. Fica aqui o reparo. Também por lapso, o lead do ensaio ficou sem duas palavras (assinaladas a bold):
Francis Fukuyama estava duplamente errado. Para começar, o seu «Fim da História» foi desafiado por uma modernidade alternativa ao modelo ocidental: o «capitalismo iliberal» assente nos valores asiáticos. Depois, a existência de democracias em todas as longitudes poderia dar-lhe razão. Mas não dá. Estes regimes liberais não-ocidentais nasceram muito antes do momento sagrado para o autor norte-americano: 1989.
Aqui fica o indispensável pedido de desculpas: ao Pedro, ao Henrique e aos leitores.
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)