O autor do recente Last Night in Twisted River, a lançar pela Civilização em Outubro, estará em Lisboa nos dias 23 e 24 de Setembro.
Tiago Rebelo, até agora editado pela Presença, é um dos primeiros autores portugueses a mudar-se para o grupo Leya em 2010. O novo romance, O Homem que Sonhava ser Hitler, estará nas livrarias a 20 de Março com a chancela da ASA.
Treze contos publicados por JD Salinger na New Yorker entre 1946 a 1965.
«This community saw him as a person, not just the author of The Catcher in the Rye. They respect him. He was an individual who just wanted to live his life.» Reportagem no NYT.
«Cornish is a truly remarkable place. This beautiful spot afforded my husband a place of awayness from the world. The people of this town protected him and his right to his privacy for many years. I hope, and believe, they will do the same for me.» Colleen Salinger, Guardian.
De polémica em polémica, Martin Amis segue o seu caminho.
Stieg Larsson, Stephenie Meyer e Dan Brown foram os autores que mais venderam na Europa durante o último ano de acordo com a análise feita aos tops publicados em 10 revistas europeias, como a The Bookseller.
1. Stieg Larsson
2. Stephenie Meyer
3. Dan Brown
4. Paolo Giordano
5. Carlos Ruiz Zafón
6. Camilla Läckberg
7. Herman Koch
8. Tatiana de Rosnay
9. Henning Mankell
10. John Grisham
Os jornalistas e críticos brasileiros José Castello e Paulo Polzonoff Jr. colocam José Saramago e António Lobo Antunes num ringue. Nas páginas da Bravo!.
Rui Bebiano evoca Albert Camus no dia em que se assinalam os 50 anos da morte do Nobel da Literatura de 1957.
16 de Janeiro
Clara Ferreira Alves, António Lobo Antunes e Júlio Pomar, entre outros, reúnem-se num encontro de amigos para recordar o escritor.
23 de Janeiro
50.º aniversário da publicação de O Render dos Heróis, com leituras de Carmen Dolores e Ruy de Carvalho, actores que estrearam esta peça em 1965.
30 de Janeiro
30.º aniversário da publicação de Corpo Delito na Sala dos Espelhos, com leituras de Lia Gama, Mário Jacques, Rui Mendes e António Montez.
No Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa. Programação e outras informações aqui e aqui.
Retrato a óleo de José Cardoso Pires (Júlio Pomar, 1954).
José Rodrigues dos Santos atingiu esta semana, com a nova edição (a 11ª) de Fúria Divina (lançado a 24 de Outubro), a marca de um milhão de livros vendidos em Portugal, «que engloba as obras de ficção e não ficção. O livro mais vendido permanece O Codex 632, com 189 000 exemplares, embora Fúria Divina se tenha tornado agora a obra de mais rápida venda deste autor [150 mil exemplares]», lê-se no comunicado da Gradiva.
«Quando se relê o primeiro romance de Cabrera Infante, Três Tristes Tigres, obra-prima irreverente e revolucionária, conclui-se que Bolaño não passou de aprendiz de feiticeiro.»
Texto de Antonio Gonçalves Filho (O Estado de S. Paulo).
Tal como aconteceu em Lima, os dois escritores (crónicos candidatos ao Nobel) mostram que estão de acordo em algumas coisas, entre elas a certeza de que a melhor literatura não nasce na razão, mas do lado obscuro e irracional do ser humano. Resumo do debate aqui.
O obra do espanhol Juan Ramón Jiménez, Nobel da Literatura em 1956, que permanecia em Porto Rico, onde viveu exilado durante 20 anos, vai começar a ser digitalizada. De acordo com o El País, são cerca de 150 mil documentos, muitos dos quais inéditos.
«Apart from a welcome flurry of interest in the work, the only thing this relic will effect, I fear, is the slight exacerbation of what is already a problem from hell. It is infernal, for me, because I bow to no one in my love for this great and greatly inspiring genius. And yet Nabokov, in his decline, imposes on even the keenest reader a horrible brew of piety, literal-mindedness, vulgarity and philistinism. Nothing much, in Laura, qualifies as a theme (ie, as a structural or at least a recurring motif). But we do notice the appearance of a certain Hubert H Hubert (a reeking Englishman who slobbers over a pre-teen's bed), we do notice the 24-year-old vamp with 12-year-old breasts ("pale squinty nipples and firm form"), and we do notice the fevered dream about a juvenile love ("her little bottom, so smooth, so moonlit"). In other words, Laura joins The Enchanter (1939), Lolita (1955), Ada (1970), Transparent Things (1972), and Look at the Harlequins! (1974) in unignorably concerning itself with the sexual despoiliation of very young girls.
Six fictions: six fictions, two or perhaps three of which are spectacular masterpieces. You will, I hope, admit that the hellish problem is at least Nabokovian in its complexity and ticklishness. For no human being in the history of the world has done more to vivify the cruelty, the violence, and the dismal squalor of this particular crime. The problem, which turns out to be an aesthetic problem, and not quite a moral one, has to do with the intimate malice of age.»
Texto completo no Guardian.
E a literatura ganhava A Sangue Frio. História revisitada no Guardian.
Uma descoberta a partir daqui.

São 700 páginas: tudo ou quase tudo sobre Charles Dickens, na nova biografia escrita por Michael Slater (Charles Dickens, Yale University Press. £25.)

E por falar em biografias, atenção à de Somerset Maugham, de Selina Hastings: The Secret Lives of Somerset Maugham (John Murray, £25.) «This steady-eyed biography of an extraordinary, extravagant, generous and bitter artist will not only fascinate its readers but encourage some to go to his work for the first time.»
O diário El Universal, do México, revela que os serviços secretos mexicanos seguiram García Márquez durante anos:
«Un informe policial acusa al Premio Nobel de ser "un agente de propaganda al servicio de la dirección de inteligencia de Cuba".» | «La DFS buscaba durante la llamada "guerra sucia" (1960-1980) elementos subversivos afines a ideologías de izquierda.» | «Los documentos constatan su papel como mediador entre la izquierda latinoamericana y el presidente Miterrand.»
Novo romance, pelos vistos. É diferente dos anteriores? Explica lá porquê.
Porque é maior, mais estruturado, mais denso, com mais personagens e uma história que atravessa um quarto de século e que faz viagens constantes a outros momentos marcantes do século XX, a guerra civil espanhola, a Segunda Guerra Mundial… E, também, porque conta a saga da família Millhouse Pascal, vista através dos olhos do protagonista, na qual temos um pouco de tudo: um velho misterioso com poderes mágicos, três netos rebeldes, um jardineiro assassino, funâmbulos na corda bamba… e um final secreto em que o destino de uma das personagens principais se intersecta com uma das grandes catástrofes do nosso século. E também porque deu imenso trabalho. Contente?
Nem por isso. Uma vez mais, a história é contada na primeira pessoa. Alguma coisa de «pessoal» nisso ou vais aldrabar e continuar a dizer que não?
Claro que é pessoal. Todos os escritores mentem quando dizem que não existe nada de seu nos seus romances: no meu caso, acho que as personagens reflectem, cada uma à sua maneira, os meus pontos de vista e sentimentos em relação ao mundo. Começo sempre na primeira pessoa porque gosto de um ponto de vista limitado, que não seja omnisciente, que me aproxime do leitor, isto é: só sabemos uma parte da história, não sabemos o todo. Somos limitados, finitos, queremos tudo mas, infelizmente, não dá. Depois o romance utiliza outros pontos de vista e narradores, mas o fundamental é que, uma vez que as histórias acontecem no mundo a partir do momento em que as imaginamos, gosto de olhar para elas a partir dos olhos dos meus narradores.
Já que falas nisso, continuas a achar que escrever e viver são coisas incompatíveis? Continuas a achar que é uma angustiante dicotomia?
Agora já acho que são as duas coisas idênticas. Julgo que a vida quotidiana é apócrifa deste ponto de vista: o mundo exterior é menos real, em muitos sentidos, do que o mundo da literatura. Menos real porque menos interessante, pelo menos para quem escreve ou, se estou a exagerar, pelo menos para mim. Mas escrever pode ser equivalente a viver no sentido em que é na escrita que me descubro enquanto pessoa: a vida quotidiana é o que é, raramente feliz, muitas vezes deprimente; a vida de um livro tem a obrigação de ser interessante, fascinante, aventurosa, desafiar todos os instintos de quem está lançado a uma história. Por vezes, viver todos os dias pode ser muito parecido com uma forma lenta de morte; na escrita tudo está mais vivo, mais iluminado.
Ora pensa lá bem: o que é que costumas fazer enquanto escreves, sem te dares conta disso?
Que pergunta tão estúpida. Então olha: às vezes ouço os Beatles, sobretudo o Abbey Road ou o White Album; coloco o CD no computador sem sequer pensar no assunto. Mas grande parte das vezes não ouço nada, gosto do silêncio e do barulho dos dedos nas teclas. Não sou capaz de escrever à mão – não só tenho uma caligrafia ilegível como me cansa imenso o pulso, ao final de um bocado. Teclo tipo «secretária», isto é, muito depressa e sem olhar para o ecrã. Quando estou a escrever um romance é também das poucas alturas do ano em que bebo café e fumo cigarros logo de manhã. Tenho a televisão ligada sem som. A sensação de um romance por acabar angustia-me e, ao mesmo tempo, motiva-me. É esquisito. Também tremo as pernas e bato com os pés no chão, repetidamente, que é uma espécie de banda sonora dos meus livros.
Já que falamos em desordens obsessivas, continuas a ter as mesmas obsessões, paranóias e minudências?
Tenho uma razoável obsessão com a medição das obras. Isto é, enquanto estou a escrever gosto de manter uma média diária de número de palavras (para As Três Vidas, por exemplo, escrevi duas mil por dia). Não sei de onde é que isto vem. Claro que não «contabilizo» a coisa, mas tento manter um registo idêntico todos os dias porque o tempo é escasso – tenho de «tirar férias» do mundo real para escrever – e é preciso chegar ao final. É uma corrida a contra-relógio, na verdade. Outras paranóias: deixar um parágrafo em aberto para o dia seguinte; procurar não ler autores de que gosto muito durante essas alturas, ou tendo a começar a imitá-los; deitar-me cedo; tentar não beber. Essas coisas. Ser como um desportista na aldeia olímpica, só que sem as medalhas, a consagração e o hino nacional.
Quais são as tuas mais recentes embirrações?
Cada vez menos aprecio os escritores em «série», do género Dan Brown e derivados. Dá-me a sensação de que estão sempre a escrever o mesmo livro, numa linha contínua que não tem altos nem baixos. Embora eu pertença a uma linha muito anglo-saxónica do romance, confesso que não tenho muita paciência para os puros contadores de histórias, funcionais e mecânicos. Tem de haver alguma coisa de muito íntima, um ponto de vista, uma dor ou uma perda, no momento de escrever um romance. É para isso que serve toda a construção narrativa, tem de existir uma metáfora, nunca forçada, ou então é mera ginástica textual. Para isso existem os dicionários e as enciclopédias. Gosto de autores que se entregaram, que renderam a sua vida à obra, cuja existência passa por ali, passa pelo texto, ao ponto de quase se confundirem com aquilo que escrevem, até para eles próprios. O grande exemplo contemporâneo disto é o Javier Cercas, cuja fronteira obra/vida é quase indiscernível.
Há precisamente um ano, quando lançava As Três Vidas, João Tordo passou pelo sofá da LER e aceitou o desafio de se entrevistar: JoãoTordo por João Tordo.
Sobre As Três Vidas (Quidnovi), terceiro romance de João Tordo, a crítica Ana Cristina Leonardo escreveu, no Expresso: «[É] um acto de coragem criativa que o autor soube arriscar à maneira de um funâmbulo no fio da navalha.» Depois do kafkiano e dispersivo O Livro dos Homens sem Luz, e de Hotel Memória (2007), na linha da ficção detectivesca metafísica à la Paul Auster, Tordo continua, com coragem, a colocar a sua evolução técnica à vista. Sendo o mais anglo-saxónico dos novos autores portugueses, caracteriza-o a originalidade dos diálogos, a gestão veloz da narrativa, as mudanças de planos temporal (aqui, ao longo de um quarto do século XX) e espacial e a gradação do suspense. Desta vez, partiu do Alentejo e de Lisboa para regressar a Nova Iorque (onde, aliás, estudou Escrita Criativa), continuando a investir na pesquisa da identidade dos personagens como motor da acção, mas abandonando uma linha mais metafórica ou fantástica. Tal como os romances de valter hugo mãe, os de João Tordo estão a ser negociados em vários países, tendo a importante Actes Sud comprado os direitos de Hotel Memória para França.
Excerto de um texto de Filipa Melo, publicado em Dezembro na revista LER, que justificava a escolha de João Tordo como uma das dez figuras de 2008.

Uma entrevista para reter: com Philip Roth.
«Digamos que a criança que há em mim ficaria muito feliz por ganhar o Nobel, mas então o adulto devia fazer a viagem até à Suécia e, na minha idade, eu não suporto nem as grandes viagens nem o jet-lag. Mas a criança que há em mim é muito, muito forte... John Updike, que era um colosso – não havia nada que ele não pudesse escrever – não o recebeu. John Cheever, que era o Vermeer da literatura americana, também não. Quer dizer, para um americano branco é difícil ter o Nobel. Sou judeu, talvez tenha sorte...»
O livro leva o título La Traversée du Mozambique par temps calme (Seuil), de Patrice Pluyette, e promete agradar aos leitores de livros de viagem e de histórias de aventura. Crítica no Le Monde.

James Wood escreve sobre A.S. Byatt (e The Children’s Book) na London Review of Books: «The Children’s Book is a fanatically detailed re-creation of the years between 1895 and 1919. It pursues an enormous number of characters, whose nucleus is the family of Olive and Humphry Wellwood.»

Com a publicação do novo romance, Lustrum, situado na Roma antiga ( segundo da «Trilogia Cícero»), leia esta entrevista com Robert Harris sobre política, no New Statesman:
«I think there is a wonderful parallel with our own world. I'm trying in these two novels to show some of the universal rules and laws, the dramas and excitements, treacheries and intrigues of politics, in order to suggest that nothing has really changed. The Roman Republic was an incredibly sophisticated operation in terms of its political structure. Indeed, if you were to overlook the slight flaw that you had to own property and not be a woman, you could argue that the Roman Republic had a much more effective democracy than we do ourselves.»
Robert Harris é o autor de Fatherland e de Enigma, entre outros romances. Leia aqui (The Daily Telegraph) a crítica ao novo romance de Harris.

O sucesso dos autores e das obras póstumos; Vladimir Nabokov, Vonnegut, Crichton, etc. Artigo no Wall Street Journal.
Notícias, rumores, invenções e impropérios para ler@circuloleitores.pt
1. Os 50 autores mais influentes do século XX.
2. Dez cidades para visitar com livros debaixo do braço.
3. Charles Darwin, 200 anos depois.
4. «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.»
5. Última entrevista de António Barahona.
6. Inéditos de Fernando Pessoa.
7. John Milton por João Pereira Coutinho.
8. «O meu mal é ter uma curiosidade de puta.»
9. Entrevista Luis Sepúlveda.
10. «Já quase pareço um escritor.»
11. Entrevista Eduardo Lourenço.
12. Breve Introdução à Teoria Literária.
13. Agustina, a indomável.
14. Trinta livros do PNL.
15. Entrevista A. M. Pires Cabral.
16. Dinis Machado: «Só quis escrever um livro».
17. Retratos de um Nobel.
18. Os últimos e-mails de Stieg Larsson.
19. Os 200 anos de Edgar Allan Poe.
20. Knoxville, o território de McCarthy.
21. O bibliotecário ambulante.
22. Dez escritores europeus que (já) mereciam ser traduzidos em Portugal.
23. Entrevista Mia Couto.
24. Entrevista Vasco Pulido Valente.
25. Inéditos Vinicius de Moraes.
26. Os heterónimos de Eduardo Lourenço
Outras leituras
«Volviendo a John le Carré» (Antonio Muñoz Molina)
«A Country Without Libraries» (Charles Simic)
«The Translation Gap: Why More Foreign Writers Aren’t Published in America» (Emily Williams)
«The Godfather of the E-Reader» (Jennifer Schuessler)
«The Philosophical Novel» (James Ryerson)
«The Case of the First Mystery Novelist» (Paul Collins)
«The lost art of handwriting» (Umberto Eco)
«Our Boredom, Ourselves» (Jennifer Schuessler)
«Scandinavian Crime Wave» (Nathaniel Rich)
«When Bad Covers Happen to Good Books» (Joe Queenan)
«Tintinabulation» (Bruce Handy)
«Inside the Secret World of Literary Scouts» (Emily Williams)
«Advantage Google» (Lewis Hyde)
«Texts Without Context» (Michiko Kakutani)
«Bookmarkism: The New Ideology» (Robert Nagle)
«The Autobiography of J.G.B.» (J. G. Ballard)
«J. G. Ballard, Poet of Desolate Landscapes»
«When Writers Speak» (Arthur Krystal)
«Reading by the Numbers» (Susan Straight)
«What I heard at J.D. Salinger’s doorstep» (Tom Leonard)
«Why hasn't there been a science fiction Booker winner?» (Adam Roberts)
«Freyre, Euclides e o Brasil» (Daniel Piza)
«Las cartas íntimas de Beckett» (J. M. Coetzee)
«Entrevista Günter Grass» (Juan Cruz)
«Eudora Welty's centenary» (Paul Binding)
«Juan Benet: en un tiempo de silencio» (Manuel Vicent)
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Sumergirse en Benet» (Álvaro Colomer)
«Interview with Seamus Heaney» (Sameer Rahim)
«Robert Capa - La muerte y el azar» (Guillermo Altares)
«Why do Pynchon, Ballard and Wallace provoke such online loyalty?»
«Richard Poirier: A Man of Good Reading» (Alexander Star)
«Philip Larkin Letters» (John Shakespeare)
«Una vida absolutamente maravillosa» (Enrique Vila-Matas)
«Poética de los escaparates» (Antonio Muñoz Molina)
«In the South» (Salman Rushdie)
«Our George Steiner Problem – and Mine» (Lee Siegel)
«Poets, Academia: A Couplet in Conflict» (David Orr)