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LER

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Lello: uma livraria museu

 Comentário.    A Livraria Lello decidiu passar a cobrar pela entrada no seu espaço — são €3 dedutíveis na compra de livros (ou €10, caso o visitante queira usar o seu cartão de cliente). A medida justifica-se e não merece reparos; pelo contrário: é uma solução bem encontrada. Durante vários anos, desde que a imprensa internacional descobriu o admirável desenho da livraria, que ela é invadida diariamente por turistas que se passeiam naquele espaço reduzido — observando, fotografando, desarrumando, usufruindo do lugar. Isso conduziu a livraria a um beco sem saída: a sua clientela aprecia o espaço mas não compra livros; portanto, tem tomado decisões comerciais criticáveis, embora compreensíveis, dedicando parte fundamental do seu espaço à venda de merchandising, sabonetes e produtos rétro a fim de compensar a perda de negócio. Em certa medida, a livraria transformou-se — justificadamente — num museu, prestando um bom serviço público à cidade, mas suportando todos os custos de manutenção e funcionamento do espaço. Esta é uma boa decisão: se quer visitar a livraria, fazer uma selfie, compará-la com Hogwarts, mas não comprar livros — pagará €3; se quer comprar livros, esses €3 serão descontados; se a escolhe como livraria habitual, terá o seu cartão de cliente (€10 anuais). Em contrapartida, espera-se que a Lello volte a ser, realmente, uma livraria. [F.J.V.]