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O detalhe de Dalton Trevisan

 

No Brasil, Dalton Trevisan é a grande referência de isolamento, tornando-o um quase mito – recusa até mesmo a fala com seus editores. Envia os originais impressos e só os contata por meio de faxe ou faz telefonemas breves para tratar de questões muito práticas. Fotografias do autor são de uma raridade ímpar − dele, em evidência, fica apenas a literatura, resistindo de todo a associação de seu ofício à ideia de espetáculo.

Nascido em 1925, em Curitiba, região Sul do Brasil, Dalton Trevisan raramente é visto em público, o que lhe valeu o apelido de O Vampiro de Curitiba, título do seu livro publicado em 1965. Veste-se comumente e só tem como particularidade o uso de boné. No mais, felizmente, é sua literatura, que desde o fim dos anos 1950 vem se destacando pela inquestionável inventividade e por um rigor inabalável, ambos lhe garantindo em 2012 o mais importante prêmio de língua portuguesa, o Camões.

Sua obra se caracteriza sobretudo por narrativas curtas, muito bem engendradas, por vezes de intensa violência, mais relacionada ao estilo cortante do que à reprodução de cenas da vida urbana. As frases de seus contos não deixam margem alguma para a dispersão dos leitores e revelam uma perspectiva inquietante e feroz, como «No fundo de cada filho dorme um vampiro» ou «Toda família tem uma virgem abrasada no quarto», ambas do conto «O vampiro de Curitiba».

Incluído na antologia O Conto Brasileiro Contemporâneo, organizada pelo professor Alfredo Bosi, da Universidade de São Paulo, encontra-se ao lado de nomes consagrados, como Clarice Lispector, João Guimarães Rosa e Rubem Fonseca. Para Bosi, o minimalismo de Trevisan «faz de cada detalhe um índice do extremo desamparo e da extrema crueldade que rege os destinos do homem»

 

Excerto do artigo de Eduardo Coelho publicado na edição de junho da LER, brevemente à venda.