Da Chiado Editora recebemos o seguinte comunicado:
«No seguimento da contestação pública de que foi alvo, na televisão, na imprensa escrita e na blogosfera, - nomeadamente por pessoas com responsabilidade na formação de opinião como José Pacheco Pereira e Francisco José Viegas - a decisão da Chiado Editora de suspender a publicação de “A Última Madrugada do Islão”, do escritor André Ventura, o Conselho Editorial pretende expor publicamente – e de forma definitiva para não alimentar polémicas adicionais – alguns factos que estiveram na origem da decisão anunciada no passado dia 14 de Julho de 2009.
Efectivamente, para além dos elementos apontados no comunicado público, a Chiado Editora tem em seu poder alguns comentários e pareceres que obrigariam qualquer editora respeitável no mundo a reflectir, a ponderar e a medir as consequências da publicação desta obra, no mercado português ou em qualquer outro mercado editorial.
Para que seja do conhecimento público, entre comentários de professores universitários, entre os quais o Professor Pablo Cortés (University of Leicester) e o Professor Olufemi Amao, (Brunel University) e membros da comunidade muçulmana que nos pediram expressamente a não divulgação dos respectivos nomes com receio de represálias, a orientação recebida vai no sentido de que “A Última Madrugada do Islão” tem um “potencial incendiário” de “consequências imprevisíveis”, pela envolvência psicológica e sexual que rodeia a figura do Profeta Maomé, assim como pela indicação de pessoas e lugares reais da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Foi neste sentido (mais ainda após as já conhecidas ameaças, recebidas quando se iniciou a promoção do lançamento da obra) que o Conselho Editorial da Chiado Editora decidiu solicitar ao Sheikh David Munir, líder da Comunidade Islâmica de Lisboa, um parecer sobre o eventual conteúdo ofensivo da obra em causa e eventuais consequências da sua publicação.
A Chiado Editora respeita absolutamente a liberdade de expressão em Portugal. É por ela e em função dela que continua a trabalhar. Mas a liberdade de expressão não pode ser exercida sem ter em conta valores fundamentais como a segurança e a harmonia da comunidade. O pedido do parecer ao Sheikh David Munir, longe de consubstanciar qualquer censura prévia da Chiado Editora face à obra e ao autor, prende-se em exclusivo com uma vontade natural de procurar referenciais objectivos face aos riscos de ir contra as bases fundamentais em que assenta toda uma confissão religiosa (qualquer que seja) e a emoção dos seus fiéis. Há, na verdade, mesmo nas democracias mais avançadas, toda a diferença entre aquilo que podemos e aquilo que devemos. E quem não aprende com a História, torna-se vítima dela.»
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