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Ruedo Ibérico até 22 de Janeiro

A exposição itinerante «Ruedo Ibérico – Um Desafio Intelectual», comissariada pelo professor Nicolás Sánchez-Albornoz, pode ser vista em Lisboa até dia 22 de Janeiro, no Instituto Cervantes. A editora Ruedo Ibérico, fundada em Paris em 1961, no Marais (abrindo em 1970 uma livraria na Rue Latran, Quartier Latin), representou várias correntes da resistência ao franquismo. A exposição mostra publicações, correspondência, fotografias e outros documentos, bem como obras de artistas que aderiram ao projecto (casos de Saura, Tàpies, Millares, Ortega, Seoane). O catálogo da editora incluiu obras de escritores como Celaya, Blas de Otero, Espriu, Ángel González e Goytisolo, livros políticos sobre temas espanhóis, Portugal, Cuba, etc., e históricos, traduzindo G. Brenan, H. Southworth, S. Payne, G. Jackson ou Ian Gibson. Exposição e catálogo foram organizados pela Residencia de Estudiantes, com patrocínio da Fundación Altadis e colaboração da Generalitat Valenciana, da Fundación Antonio Pérez e do Ministério da Cultura, além de instituições e coleccionadores que ajudam a evocar a Ruedo Ibérico, extinta há mais de 20 anos. A editora, marcante na história intelectual do século XX e em especial do exílio espanhol, chegou a participar na Feira de Frankfurt a partir de 1971. O director, José Martínez Guerricabeitia (que com Jorge Semprún assinara em 1965 um texto programático no nº 1 dos Cuadernos de Ruedo Ibérico, que terminaram em1979), faleceu em 1986. N. Sánchez-Albornoz, co-fundador da editora e primeiro presidente do Instituto Cervantes, é filho do historiador Claudio Sánchez-Albornoz, embaixador em Lisboa até ao reconhecimento da Junta de Burgos por Salazar. Para memória, aqui e aqui. [Francisco Belard]