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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Entretanto, no Alabama, parece haver outro livro de Harper Lee

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Entretanto, no Alabama, a advogada de Harper Lee menciona uma descoberta «extraordinária» na semana passada: «The lawyer who masterminded the release of Harper Lee’s Go Set A Watchman has hinted that a third book with the same characters may see the light of day. Tonja Carter, whose role in the elderly Lee’s life has been the subject of much conjecture, claimed the Alabama safety deposit box where she stumbled across the Watchman manuscript contained two other texts that have yet to be read.»

Harper Lee: o novo romance

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Algumas leituras de Go Set a Watchman, de Harper Lee — o segundo livro da autora de Não Matem a Cotovia:

• Mais complexo do que o clássico de Harper Lee, mas menos atraente, no The Guardian.

• «An anxious work in progress» [«Harper Lee’s editor deserves a Pulitzer for turning this ghostly first draft into the masterful To Kill a Mockingbird»], no The Daily Telegraph.

• Um Atticus Finch menos nobre, no Washington Post.

• 10 coisas para saber sobre o novo Go Set a Watchman, no The Daily Telegraph.

• «The Invisible Hand Behind Harper Lee’s To Kill a Mockingbird», no The New York Times.

Recensão: O novo livro de Harper Lee revela um «lado negro» de Atticus Finch, no The New York Times.

 

O primeiro capítulo de Go Set a Watchman, em inglês.

Oiça o primeiro capítulo, lido por Reese Witherspoon.

Um discurso que é mais do que isso: Hélia Correia recebe o Prémio Camões

Um extracto do discurso de Hélia Correia, publicado originalmente no diário Público:

 

«Para abordar o assunto do domínio da língua portuguesa sobre os povos são necessários delicadeza e conhecimento, inteligência e desassombro em dose máxima. Dou-me por incapaz e renuncio a uma tentativa de discurso. Sei, sim, que houve opressão e apagamento. Mas talvez não nos caiba desculparmo-nos pelos conceitos e acções de antepassados, visto que não nos assumimos legatários e o continuum moral já foi cortado. Algum dia teremos, quero crer, a congratulação como vingança.

As línguas são os únicos seres vivos que não têm origem natural. O erro humano pode prolongar-se, mesmo inocentemente, por descuido. O português carregará ainda alguma febre imperial no corpo e é natural que desconfiem dele. Mas acontece que a repressão é mecânica e a língua é biológica. Se chega às terras de outros povos na bagagem do colonizador, em breve sai e se desnuda e se alimenta, e adormece e procria. As armaduras ficam no chão, enferrujadas, podres. A formação orgânica progride.

Que desígnio será o seu, agora, se não o de trocar e conviver, isto é, integrar a plenitude, reconhecendo e respeitando a alteridade? Com os nossos instrumentos humanistas, seremos nós os capazes de "Medir", como escreve o Professor Eduardo Lourenço, "esse impalpável mas não menos denso sentimento de distância cultural que separa, no interior da mesma língua, esses novos imaginários"?

Como num pesadelo, não sabemos por que meio fomos dar a esta nova era de horror e de destruição. Umas são nossas velhas conhecidas, outras indecifráveis, por ausência de modelos anteriores. Não lhes antecipámos a chegada. Na Idade Média que nos ameaça não há cancioneiros nem reis-poetas. Na ditadura da economia, a palavra é esmagada pelo número. A matemática, que começou nobre, aviltou-se, tornando-se lacaia. Se a literatura salva? Não, não salva. Mas se ela se extinguir, extingue-se tudo.

O nosso mundo de sobreviventes está seguro por laços muitos finos. Eu vejo os fios que unem os textos nas diversas versões do português, leves fios resistentes e aplicados a construirem uma teia que não rasgue. Quando o angolano Ondjaki dedica um poema ao brasileiro Manoel de Barros, quando Mia Couto reconhece a influência que teve Guimarães Rosa na sua escrita transfiguradora e transfigurada pelas africanas narrativas do seu povo; quando a portuguesa Maria Gabriela Llansol  considera Lispector «uma irmã inteiramente dispersa no nevoeiro», vemos a língua portuguesa a ocupar - não como o invasor ocupa a terra, mas como o sangue ocupa o coração - um espaço livre, um sítio para viver, uma comunidade de diferenças elástica, simbiótica e altiva. Esta é a ditosa língua, minha amada.»

Tabucchi reunido

Os Voláteis de Fra Angelico - Sonhos de Sonhos -

A Dom Quixote publicará este mês um livro onde se reunem três pequenos textos de Antonio Tabucchi — antes em edições autónomas: Os Voláteis de Fra Angelico, Sonhos de Sonhos, Os Três Últimos Dias de Fernando Pessoa. Tabucchi reunido para nosso prazer — e boa memória.

Os prémios literários preferem temas masculinos?

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Nicola Griffith analisou os últimos quinze anos de prémios Pulitzer, Man Booker, National Book, National Book Critics’ Circle, Hugo, e Newbery. O que concluiu? Que quando as mulheres ganham prémios literários, como esses, «normalmente escrevem a partir de uma perspectiva masculina e/ou sobre homens». Pior: quanto mais prestigiado é o prémio, mais o tema da narrativa é «masculino». 

O que é a «literatura africana»?

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Chinua Achebe, há trinta anos, dizia que não pensava no seu trabalho «nos termos de uma classificação [geográfica]. A literatura não tem um país.» Taye Selasi, no The Guardian, acrescenta: «Duas décadas depois, as mesmas tensões despertam novamente, agravadas pelo facto de tanta literatura africana ser publicada fora da África. Se ninguém consegue dizer o que é a ‘escrita africana’, muitos têm opinião sobre o que deveria ser: o que deve dizer, o que não deve dizer, quem pode escrevê-la, quem deve lê-la. No coração deste debate cada vez mais ruidoso, eu acho, permanecem três questões centrais: o que é um escritor africano, o que deveria escrever e para quem está a escrever?» Um artigo para ler.

Elmore Leonard: 10 conselhos para escritores

 A propósito das 20 normas de Stephen King, recordamos as 10 regras de Elmore Leonard. Simples, não?

 

  1. Nunca começar um livro a falar do tempo.
  2. Evitar prólogos.
  3. Nunca usar um verbo que não seja “disse” para os diálogos.
  4. Nunca usar um advérbio para modificar o verbo “disse”.
  5. Manter os pontos de exclamação sob controle apertado.
  6. Nunca usar as palavras “subitamente” ou “começou uma confusão dos diabos”.
  7. Usar com parcimónia dialectos regionais e gírias.
  8. Evitar descrições detalhadas dos personagens.
  9. Não entrar em detalhes demais ao descrever lugares e coisas.
  10. Tente deixar de fora as partes que os leitores costumam pular.

 

Um poema de Armando Silva Carvalho

 

POEMA QUE FOI CURTO

Num poema curto a corrente do sangue corria

como um planeta levando no dorsal

a filosofia pública da hora,

e a luz nua e directa incidia sobre o corpo,

real, absoluta.

 

Hoje o poema teima sempre em ser maior,

e a história, o tempo, a memória e o verso porque é velho,

ocultam-lhe a idade nas curvas irreconhecíveis

dum vulto.

É sempre cada vez mais longa a maratona,

e as insistentes palavras

parecem desistir enquanto avançam.

 

De A Sombra do Mar, a publicar na próxima sexta-feira (Assírio & Alvim).