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Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Finalistas do Femina – a atribuir a 3 de novembro

Romances franceses:
Yves Bichet, L'homme qui marche (Mercure de France)
Marie-Hélène Lafon, Joseph (Buchet-Chastel)
Yanick Lahens, Bain de lune (Sabine Wespieser)
Antoine Volodine, Terminus radieux (Seuil)
Eric Vuillard, Tristesse de la terre (Actes Sud)

 

Romances estrangeiros:
Sebastian Barry, L'homme provisoire (Joëlle Losfeld) - Irlanda
Clement, Prière pour celles qui furent volées (Flammarion) - EUA
Grazyna Jagielska, Amour de pierre (Les Equateurs) – Polónia
Nell Leyshon, La couleur du lait (Phébus) - Inglaterra
Zeruya Shalev, Ce qui reste de nos vies (Gallimard) - Israel


Ensaios:
Véronique Aubouy e Mathieu Riboulet, A la lecture (Grasset)
François-Xavier Bellamy, Les Déshérités (Plon)
Bruno Cabanes, Août 14 (Gallimard)
Thierry Clermont, San Michele (Seuil)
Elisabeth Roudinesco, Sigmund Freud (Seuil)
Arnaud Teyssier, Richelieu (Perrin)
Paul Veyne, Et dans l'éternité je ne m'ennuierai pas (Albin Michel)
Emmanuel de Waresquiel, Fouché (Tallandier/Fayard)

Editorial || Queimar livros não explica um país, mas explica os livros.

Em 1973 um jovem professor de literatura na cidade de Drake, estado do Dakota do Norte decidiu usar o romance ‘Matadouro Cinco’ (Bertrand), de Kurt Vonnegut, como material de leitura de uma das suas aulas. Resultado? Os 32 exemplares do livro de Vonnegut foram retirados das mesas dos alunos e foram queimados na fornalha do aquecimento central da escola, pelo diretor e pelo chefe da polícia. O caso deu que falar: houve protestos, mas houve também seguidores. A data assinalou-se há três semanas (a Banned Books Week) nos EUA, país onde livros de Hemingway, Faulkner, Steinbeck, Mark Twain, J.D. Salinger ou J.K. Rowling foram (e estão) proibidos em escolas e bibliotecas públicas. Queimar livros parece-nos um escândalo. E é. Mas ainda se pratica muito hoje em dia. O fervor religioso, político e “moral” dos censores e das autoridades em geral é um combustível perigoso para toda a espécie de insanidades.

[Publicado também aqui]

Editorial || Machado de Assis, que nos recriou e ajudou a manter a Língua Portuguesa.

Falemos da luxúria. Não dessa. Daquela que atravessa os objetos que cobiçamos, que reservamos, que não cedemos nem por decreto, que escondemos – se for preciso. A Glaciar, editora de Jorge Reis-Sá (com a Academia Brasileira de Letras), acaba de lançar um volume de 1560 páginas que leva este título simples: Os Romances de Machado de Assis. Ora, o que leva este livro lá dentro? Os romances de Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Memorial de Aires e Dom Casmurro, necessariamente, mas também Quincas Borba, Esaú e Jacob, Helena, por aí fora (são 9). Machado de Assis (1839-1908) é um dos grandes heróis da nossa língua, mulato filho de mulato casado com uma portuguesa; da infância pobre passou a fundador da Academia. Não o ler é uma afronta à Língua Portuguesa. Do humor bravo e etéreo de Brás Cubas à suspeita de traição de Capitu, estas páginas esperaram por nós – e continuam.

[Publicado aqui.]