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LER

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A guerra da Amazon aos livros. (E quando a imprensa portuguesa andava distraída)

Em fevereiro deste ano, a LER publicou um resumo do que iria ser a guerra Amazon-Hachette. O texto da revista em papel:

 

A gigante amazona

 

A luta entre o gigante Amazon e o gigante Hachette é apenas um episódio da guerra surda entre o poder da distribuição e a capacidade de mobilização dos editores.

 

 

Em 2008, no relatório anual aos seus acionistas, não aparecia menção ao facto de a Amazon vender livros. Já naqueles tempos, o gigante da distribuição e venda pela internet fazia o seu lucro com produtos que iam de sapatos a computadores, da roupa ao mobiliário, dos carros às salsichas embaladas em vácuo. Um conjunto irrisório de céticos e resistentes ia avisando que a gigantesca loja trataria de «desvalorizar o livro». A ideia da Amazon era tão inteligente como ingénua e perigosa, na pequena área dos livros: vendê-los, sim – mas também editá-los, em papel ou formato digital (para o seu leitor exclusivo, o Kindle), além de agenciar autores e pagar-lhes como a produtores de leite do Mondego confinados ao seu pasto. Foi reconhecido aos céticos e resistentes que, afinal, tinham razão: sim, podia ser uma armadilha, embora a Amazon distribua os seus produtos com invejável rapidez. Agora é já o poderoso grupo Hachette acaba de entrar na guerra, não cedendo à exigência de margens de comercialização que arrasariam o próprio produto: «A Amazon precisa de valorizar adequadamente os autores e os editores.» Ou seja, não pode tratar ambos como se fossem produtores de leite do Mondego, passe a imagem.

Estava escrito, mas é uma lição: Michael Pietsch, o CEO do grupo Hachette, lutou (enquanto editor da Little, Brown) durante anos com um autor chamado David Foster Wallace, para que este cortasse algumas centenas de páginas do seu manuscrito A Piada Infinita (pelo qual pagara 80 mil dólares) e o tornasse «mais legível» e com uma história «mais normal». Doze anos depois, a Amazon luta com um CEO chamado Michael Pietsch para que corte na percentagem de direitos de autor e na sua margem de comercialização a fim de tornar irrisório o preço dos e-books – e, assim, bater por larga distância o preço dos livros em papel, o inimigo número um do «gigante da distribuição», que também vende o dispositivo Kindle. Ora, nem de propósito, o Departamento de Justiça americano investigou em 2012 três editores por concertarem e baixarem para a fronteira do dumping (através da Amazon) os seus preços de e-books. Quem eram eles? Simon & Schuster, HarperCollins e... o grupo Hachette.

Desta vez, como retaliação por a Hachette não aceitar as condições da Amazon, os livros do grupo foram subtilmente retirados do catálogo, ou distribuídos com atrasos recordes atribuídos «ao editor». 

Os 56 maiores editores do mundo — em números e por ordem

 

Continua a não haver alterações na lista dos seis primeiros (por esta ordem: Pearson, Reed Elsevier, Thompson-Reuters, Wolters Kluwer, Random House/Bertelsmann, Hachette), embora este ano se esperem novidades, sobretudo com a oferta de aquisição da Santillana não-escolar (grupo Prisa, em dificuldades conhecidas) pela Random House/Bertelsmann. A Random/Bertelsmann, por seu lado, mantém o primeiro lugar absoluto na edição global não escolar ou educacional, sobretudo depois da aquisição dos 53% da Penguin e da totalidade da Mondadori.

Fonte: Publishers Weekly.

Dóris. 1963-2014

Dóris Graça Dias (Moçambique, 1963 - Lisboa, 2014)

 

Uma despedida para a Dóris nunca poderá ser demorada, porque era uma amiga; existem os longos anos de uma amizade (entre nós, e com os livros) e de muitos livros e gargalhadas. Um dia vamos esquecer os livros e as gargalhadas – e tudo o resto. Mas não a Dóris. Publicou dois livros, As Casas e Biblos. Os Livros – e milhares de textos sobre os livros dos outros. Era colaboradora da LER desde 1987. Colaborou em jornais, revistas, programas de rádio e televisão, deu aulas. A Dóris estará sempre connosco.

 

 

Fotografia publicada hoje por José Riço Direitinho na sua página de Facebook.

«Quando ainda sorríamos e não sabíamos.»

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