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LER

Livros. Notícias. Rumores. Apontamentos.

Lindsay Lohan em três volumes

 

  

Pois parece que Lindsay Lohan (publicamos estas fotografias acima para melhor identificarmos uma eventual obsessão), depois de ter anunciado que tem em seu poder uma «sex list» — com os nomes de todos os homens e mulheres da cinema com quem trocou fluidos corporais —, continua em maré de anúncios: além de querer publicar um livro de auto-ajuda para adolescentes, encara a possibilidade de avançar, finalmente, com a sua autobiografia: em três volumes, e com imagens. Aos 28 anos. 

 

E se os editores, afinal, fossem mesmo prejudiciais à literatura, ao jornalismo e aos autores em geral?

A pergunta vem neste artigo de Hamilton Nolan e é, no contexto americano, demasiado sindical, referindo-se sobretudo ao papel dos editores de jornalismo: «In the writing world, there is a hierarchy. The writers are on the bottom. Above them are editors, who tell the writers what to change. This is backwards. How many good writers has Big Edit destroyed?»

Bad bank, bad banker: LER no Chiado discute coisas destas

Em Setembro, Anabela Mota Ribeiro vai ajudar-nos a ler O Último Banqueiro, o livro sobre a ascensão e a queda de Ricardo Salgado, e discutir os mecanismos do poder em Portugal. O que o sustenta?, o dinheiro?, e que poder resta a Salgado depois da deflagração? – e como foi possível ter tanto poder em Portugal? Com as jornalistas Maria João Babo e Maria João Gago, autoras do livro, e o sociólogo e comentador político Pedro Adão e Silva. 

Na primeira quinta-feira de Setembro, dia 4, às 18.30h,

na Bertrand do Chiado.

Moderação de Anabela Mota Ribeiro.

Ler no Chiado é uma iniciativa da revista LER e das Livrarias Bertrand. 

A querela da Amazon, por David Carr

Excelente artigo de David Carr no The New York Times sobre a polémica da Amazon:

 

Books, we are told, are relics that have reached their sell-by date, put out by an industry that is a desiccated shell of its former self.

Someone forgot to tell the book business that it was dead. Last Thursday afternoon, I walked over to the Javits Center in Manhattan, where a throng of people had gathered for BookExpo America, the industry’s annual campfire — so many people that I wondered if there was a free whiskey concession. But no, the place was jammed with books — literary fiction, young adult, cooking, spiritual, wellness — and with the people who write and sell them.

The immense space was brimming with a surprising amount of optimism: After years of downward spiral, the industry seems to have found some kind of equilibrium.

It has also watched with a mix of giddiness and anxiety as the Hachette Book Group, one of the big Manhattan publishers, has taken on Amazon in a bitter dispute over pricing. Hachette is suffering big losses because Amazon is delaying delivery of Hachette titles while also eliminating discounts. (Its authors are getting clobbered in the process.) Amazon is taking a reputational hit for not putting its customers first, which has long been its guiding philosophy. […]

A guerra da Amazon aos livros. (E quando a imprensa portuguesa andava distraída)

Em fevereiro deste ano, a LER publicou um resumo do que iria ser a guerra Amazon-Hachette. O texto da revista em papel:

 

A gigante amazona

 

A luta entre o gigante Amazon e o gigante Hachette é apenas um episódio da guerra surda entre o poder da distribuição e a capacidade de mobilização dos editores.

 

 

Em 2008, no relatório anual aos seus acionistas, não aparecia menção ao facto de a Amazon vender livros. Já naqueles tempos, o gigante da distribuição e venda pela internet fazia o seu lucro com produtos que iam de sapatos a computadores, da roupa ao mobiliário, dos carros às salsichas embaladas em vácuo. Um conjunto irrisório de céticos e resistentes ia avisando que a gigantesca loja trataria de «desvalorizar o livro». A ideia da Amazon era tão inteligente como ingénua e perigosa, na pequena área dos livros: vendê-los, sim – mas também editá-los, em papel ou formato digital (para o seu leitor exclusivo, o Kindle), além de agenciar autores e pagar-lhes como a produtores de leite do Mondego confinados ao seu pasto. Foi reconhecido aos céticos e resistentes que, afinal, tinham razão: sim, podia ser uma armadilha, embora a Amazon distribua os seus produtos com invejável rapidez. Agora é já o poderoso grupo Hachette acaba de entrar na guerra, não cedendo à exigência de margens de comercialização que arrasariam o próprio produto: «A Amazon precisa de valorizar adequadamente os autores e os editores.» Ou seja, não pode tratar ambos como se fossem produtores de leite do Mondego, passe a imagem.

Estava escrito, mas é uma lição: Michael Pietsch, o CEO do grupo Hachette, lutou (enquanto editor da Little, Brown) durante anos com um autor chamado David Foster Wallace, para que este cortasse algumas centenas de páginas do seu manuscrito A Piada Infinita (pelo qual pagara 80 mil dólares) e o tornasse «mais legível» e com uma história «mais normal». Doze anos depois, a Amazon luta com um CEO chamado Michael Pietsch para que corte na percentagem de direitos de autor e na sua margem de comercialização a fim de tornar irrisório o preço dos e-books – e, assim, bater por larga distância o preço dos livros em papel, o inimigo número um do «gigante da distribuição», que também vende o dispositivo Kindle. Ora, nem de propósito, o Departamento de Justiça americano investigou em 2012 três editores por concertarem e baixarem para a fronteira do dumping (através da Amazon) os seus preços de e-books. Quem eram eles? Simon & Schuster, HarperCollins e... o grupo Hachette.

Desta vez, como retaliação por a Hachette não aceitar as condições da Amazon, os livros do grupo foram subtilmente retirados do catálogo, ou distribuídos com atrasos recordes atribuídos «ao editor». 

Os 56 maiores editores do mundo — em números e por ordem

 

Continua a não haver alterações na lista dos seis primeiros (por esta ordem: Pearson, Reed Elsevier, Thompson-Reuters, Wolters Kluwer, Random House/Bertelsmann, Hachette), embora este ano se esperem novidades, sobretudo com a oferta de aquisição da Santillana não-escolar (grupo Prisa, em dificuldades conhecidas) pela Random House/Bertelsmann. A Random/Bertelsmann, por seu lado, mantém o primeiro lugar absoluto na edição global não escolar ou educacional, sobretudo depois da aquisição dos 53% da Penguin e da totalidade da Mondadori.

Fonte: Publishers Weekly.

Dóris. 1963-2014

Dóris Graça Dias (Moçambique, 1963 - Lisboa, 2014)

 

Uma despedida para a Dóris nunca poderá ser demorada, porque era uma amiga; existem os longos anos de uma amizade (entre nós, e com os livros) e de muitos livros e gargalhadas. Um dia vamos esquecer os livros e as gargalhadas – e tudo o resto. Mas não a Dóris. Publicou dois livros, As Casas e Biblos. Os Livros – e milhares de textos sobre os livros dos outros. Era colaboradora da LER desde 1987. Colaborou em jornais, revistas, programas de rádio e televisão, deu aulas. A Dóris estará sempre connosco.

 

 

Fotografia publicada hoje por José Riço Direitinho na sua página de Facebook.

«Quando ainda sorríamos e não sabíamos.»

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